HC 1069811 - ACORDAO
Não se demonstrou, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder aptos a autorizar a superação da Súmula 691; a alegada ausência de remessa ao órgão superior do Ministério Público configura questão interpretativa que exige exame aprofundado pelo Tribunal de origem; inexistindo prisão ou restrição...
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- Parties
- Paciente: EVANDRO LUIS GARCIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus (agravo Regimental) / Julgamento Quinta Turma (sessão Virtual; Agravo Regimental Conhecido E Desprovido)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; mantida integralmente a decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Súmula 691/stf, Suspensão De Ação Penal, Art. 28 a, § 14, CPP, Trancamento De Ação Penal
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Parties
EVANDRO LUIS GARCIA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus (agravo Regimental) / Julgamento Quinta Turma (sessão Virtual; Agravo Regimental Conhecido E Desprovido)
Legal Issues
- 1 Se há hipóteses excepcionais que autorizem a superação da Súmula 691 do STF para conhecimento de habeas corpus sucessivo
- 2 Se a não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público (art. 28-A, § 14, CPP) diante de discordância da defesa configura ilegalidade procedimental objetiva e vício patente
- 3 Se o prosseguimento da ação penal enquanto o paciente está solto configura periculum in mora e urgência qualificada apta a justificar suspensão cautelar pela via estreita do habeas corpus
Ratio Decidendi
Não se demonstrou, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder aptos a autorizar a superação da Súmula 691; a alegada ausência de remessa ao órgão superior do Ministério Público configura questão interpretativa que exige exame aprofundado pelo Tribunal de origem; inexistindo prisão ou restrição atual à liberdade do paciente, não há periculum in mora ou urgência qualificada que justifique intervenção excepcional desta Corte, razão pela qual manteve-se o indeferimento liminar do habeas corpus e negou-se provimento ao agravo regimental.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; mantida integralmente a decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/03/2026 a 31/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUPERAÇÃO DA SÚMULA 691/STF. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. REMESSA AO ÓRGÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO (ART. 28-A, § 14, CPP). SUSPENSÃO DE AÇÃO PENAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 210 do RISTJ e na Súmula 691 do STF, indeferiu liminarmente habeas corpus em que se buscava, em caráter exclusivamente cautelar, a suspensão da Ação Penal n.º 0032620-22.2017.8.26.0050, na qual o paciente responde pelo crime do art. 1º, IV, da Lei n.º 8.137/1990. 2. No curso da persecução penal foram iniciadas tratativas para celebração de acordo de não persecução penal, cuja proposta ministerial foi aceita em seus termos essenciais pela defesa, havendo divergência apenas quanto ao parcelamento da reparação do dano tributário. Diante da discordância, a defesa requereu, com base no art. 28-A, § 14, do CPP, a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, pedido indeferido pelo juízo de primeiro grau sob o fundamento de não se tratar de recusa ministerial ao acordo, mas de mera discordância defensiva quanto às condições propostas. 3. Contra o indeferimento em primeiro grau foi impetrado habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com pedido liminar de suspensão da ação penal, o qual foi indeferido monocraticamente pelo Desembargador Relator por ausência de constrangimento ilegal inequívoco e de urgência qualificada, notadamente porque o paciente não se encontra preso. Na sequência, foi impetrado habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça visando à superação excepcional da Súmula 691 do STF para suspender o trâmite da ação penal até o julgamento do writ originário, tendo a impetração sido liminarmente indeferida. No agravo regimental, a defesa reitera a existência de ilegalidade procedimental objetiva pela não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público e a presença de periculum in mora consistente no eventual esvaziamento da utilidade do controle jurisdicional caso a ação penal prossiga. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se estão presentes hipóteses absolutamente excepcionais (teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder evidente) que autorizem a superação do óbice da Súmula 691 do STF, a fim de permitir ao Superior Tribunal de Justiça suspender cautelarmente o trâmite da ação penal até o julgamento do habeas corpus em curso no Tribunal de Justiça. 5. A questão em discussão consiste, ainda, em saber se a ausência de remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, diante de discordância da defesa quanto às condições do acordo de não persecução penal, configura ilegalidade procedimental objetiva e vício patente apto a justificar a concessão da medida cautelar pretendida e a suspensão da ação penal. 6. A questão em discussão consiste, por fim, em saber se o prosseguimento da ação penal, na hipótese em que o paciente responde solto e se pleiteia apenas a suspensão do feito até o julgamento de habeas corpus originário, caracteriza urgência qualificada e dano imediato e irreparável à liberdade de locomoção, suficientes para autorizar a intervenção excepcional desta Corte e o trancamento ou paralisação do processo. III. Razões de decidir 7. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal admite o conhecimento de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática que indeferiu liminar em instância antecedente apenas em hipóteses absolutamente excepcionais, quando demonstrados, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder perceptíveis sem aprofundamento cognitivo, situações não evidenciadas no caso concreto. 8. A decisão do Tribunal de origem que indeferiu a tutela de urgência encontra-se devidamente fundamentada na ausência de constrangimento ilegal inequívoco e de urgência qualificada, tendo ressaltado que o paciente não se encontra submetido à prisão cautelar e que a análise aprofundada das teses defensivas dependerá das informações a serem prestadas e do julgamento de mérito do habeas corpus originário, não se verificando pronunciamento arbitrário, teratológico ou desprovido de motivação. 9. A alegação defensiva de ilegalidade objetiva, fundada na não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, revela questão interpretativa sobre a incidência desse dispositivo em cenário de discordância da defesa quanto às condições do acordo de não persecução penal, o que demanda apreciação jurídica aprofundada e exame do contexto negocial estabelecido entre as partes, afastando-se a caracterização de vício patente ou teratológico verificável de plano. 10. A discussão sobre eventual nulidade ou irregularidade procedimental relacionada ao acordo de não persecução penal será apreciada, em primeiro lugar, pelo Tribunal competente no habeas corpus originário, de modo que a atuação imediata desta Corte para suspender a ação penal implicaria indevida antecipação de tutela jurisdicional e supressão de instância, circunstância expressamente assinalada na decisão agravada. 11. A inexistência de prisão cautelar ou de qualquer outra restrição atual à liberdade de locomoção do paciente constitui elemento relevante na aferição do periculum in mora na via do habeas corpus, especialmente quando o pedido veiculado possui natureza meramente cautelar e visa apenas à suspensão do processo, não se configurando, por si só, o prosseguimento da ação penal como dano imediato e irreparável à liberdade. 12. Conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, o trancamento de investigações, procedimentos investigatórios ou da própria ação penal, assim como a suspensão de seu curso, constitui medida de caráter excepcional, somente admitida quando comprovadas, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a atipicidade da conduta, a existência de causa de extinção da punibilidade ou a ausência de indícios mínimos de autoria ou prova de materialidade, hipóteses não verificadas na espécie. 13. Inexistindo situação excepcional apta a afastar a aplicação da Súmula 691 do STF, mantém-se incólume o fundamento utilizado para o indeferimento liminar do habeas corpus, devendo ser preservado o trâmite regular do writ originário perante o Tribunal de Justiça e afastada a intervenção antecipada desta Corte Superior. IV. Dispositivo e tese 14. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, com manutenção integral da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus. Tese de julgamento: 1. A superação do óbice da Súmula 691 do STF somente é admitida em hipóteses absolutamente excepcionais, quando evidenciadas, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder, não sendo suficiente a mera divergência interpretativa sobre normas processuais. 2. A controvérsia quanto à aplicação do art. 28-A, § 14, do CPP em caso de discordância da defesa sobre condições de acordo de não persecução penal consubstancia matéria interpretativa e dependente de exame aprofundado, não configurando, por si, ilegalidade objetiva ou vício patente apto a justificar suspensão cautelar da ação penal por meio de habeas corpus sucessivo. 3. A inexistência de prisão ou de outra restrição atual à liberdade de locomoção do paciente, aliada ao caráter meramente cautelar do pedido de suspensão do processo, afasta a caracterização de urgência qualificada e impede a concessão de tutela excepcional para trancar ou suspender ação penal na via estreita do habeas corpus. 4. A suspensão ou o trancamento da ação penal por meio de habeas corpus configuram providências de índole excepcional, admitidas apenas diante de atipicidade manifesta da conduta, causa inequívoca de extinção da punibilidade ou ausência de indícios mínimos de autoria ou prova de materialidade, circunstâncias não presentes quando a controvérsia se limita a aspectos procedimentais do acordo de não persecução penal. Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 28-A, § 14; RISTJ, art. 210; Lei n.º 8.137/1990, art. 1º, IV; Súmula 691 do STF. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 913.511/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 27.8.2025, DJEN 1.9.2025; STF, Súmula 691.
RELATÓRIO Cuida-se de agravo regimental interposto em favor de EVANDRO LUIS GARCIA contra decisão monocrática desta relatoria que indeferiu liminarmente o habeas corpus, nos termos do art. 210 do RISTJ (fls. 88-89). Conforme se extrai da decisão de fls. 11-12, o paciente responde à Ação Penal nº 0032620-22.2017.8.26.0050, em trâmite perante o Juízo da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital/SP, pela imputação do crime previsto no art. 1º, IV, da Lei 8.137/1990. No curso da persecução, houve tratativas para celebração de acordo de não persecução penal, cuja proposta ministerial foi aceita em seus termos essenciais pela defesa, não tendo sido formalizada apenas em razão de divergência quanto ao parcelamento da reparação do dano tributário. Diante da discordância, a defesa requereu a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, com fundamento no art. 28-A, § 14, do Código de Processo Penal, pleito indeferido pelo Juízo de primeiro grau sob o entendimento de inexistir recusa ministerial, mas apenas discordância defensiva quanto às condições do acordo. Contra tal ato foi impetrado habeas corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com pedido liminar de suspensão da ação penal, o qual foi indeferido pelo Desembargador Relator ao fundamento de ausência de constrangimento ilegal inequívoco e inexistência de urgência, notadamente porque o paciente não se encontra preso. Impetrado o presente writ nesta Corte, pretendeu-se a superação excepcional do óbice da Súmula 691 do STF para determinar a suspensão da ação penal até o julgamento do habeas corpus originário. A decisão agravada indeferiu liminarmente a impetração, por ausência de ilegalidade flagrante, inexistência de urgência qualificada e risco de supressão de instância. Transcrevo parte da decisão: A decisão proferida pelo Tribunal de origem, ao indeferir a tutela de urgência, encontra-se fundamentada na ausência de demonstração inequívoca de constrangimento ilegal e nainexistência de urgência qualificada, destacando-se, de forma expressa, que o paciente não seencontra submetido a prisão cautelar, circunstância que, embora não esgote a análise do periculum em , afasta, ao menos em um primeiro exame, a configuração de danoin mora habeas corpus imediato e irreparável à liberdade de locomoção. Não se identifica, portanto, decisão destituída de fundamentação, tampouco juízoteratológico ou arbitrário, mas sim pronunciamento cautelar que reserva a apreciação maisaprofundada das teses defensivas ao julgamento de mérito do originário. writ Ressalte-se, ademais, que o próprio pedido formulado nesta impetração reconhece quenão se busca, neste momento, a análise do mérito do acordo de não persecução penal, mas apenas a suspensão da ação penal. Tal providência, contudo, pressupõe demonstração clara e imediata deilegalidade procedimental, o que não se evidencia de forma inequívoca no caso sob análise. Dessa forma, ausentes os pressupostos excepcionais que autorizariam a superação doóbice da Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal nesta fase processual, impõe-se oindeferimento da medida de urgência, sem prejuízo de reexame da matéria pelo órgão colegiadocompetente, quando do julgamento definitivo do writ. Outrossim, o processamento do feito implicaria, inevitavelmente, supressão deinstância. Ante o exposto, nos termos do do RISTJ, art. 210 indefiro liminarmente o habeas corpus. No agravo regimental, sustenta a defesa, em síntese, que o objeto do writ é exclusivamente cautelar suspensão do trâmite da ação penal até julgamento do habeas corpus no TJSP e que há ilegalidade procedimental objetiva decorrente da não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, bem como periculum in mora consistente no esvaziamento da utilidade do controle jurisdicional, caso a ação penal prossiga. Requer a reconsideração da decisão monocrática ou, subsidiariamente, o provimento do agravo para concessão da tutela de urgência pleiteada. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SUPERAÇÃO DA SÚMULA 691/STF. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. REMESSA AO ÓRGÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO (ART. 28-A, § 14, CPP). SUSPENSÃO DE AÇÃO PENAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto pela defesa contra decisão monocrática que, com fundamento no art. 210 do RISTJ e na Súmula 691 do STF, indeferiu liminarmente habeas corpus em que se buscava, em caráter exclusivamente cautelar, a suspensão da Ação Penal n.º 0032620-22.2017.8.26.0050, na qual o paciente responde pelo crime do art. 1º, IV, da Lei n.º 8.137/1990. 2. No curso da persecução penal foram iniciadas tratativas para celebração de acordo de não persecução penal, cuja proposta ministerial foi aceita em seus termos essenciais pela defesa, havendo divergência apenas quanto ao parcelamento da reparação do dano tributário. Diante da discordância, a defesa requereu, com base no art. 28-A, § 14, do CPP, a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, pedido indeferido pelo juízo de primeiro grau sob o fundamento de não se tratar de recusa ministerial ao acordo, mas de mera discordância defensiva quanto às condições propostas. 3. Contra o indeferimento em primeiro grau foi impetrado habeas corpus no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com pedido liminar de suspensão da ação penal, o qual foi indeferido monocraticamente pelo Desembargador Relator por ausência de constrangimento ilegal inequívoco e de urgência qualificada, notadamente porque o paciente não se encontra preso. Na sequência, foi impetrado habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça visando à superação excepcional da Súmula 691 do STF para suspender o trâmite da ação penal até o julgamento do writ originário, tendo a impetração sido liminarmente indeferida. No agravo regimental, a defesa reitera a existência de ilegalidade procedimental objetiva pela não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público e a presença de periculum in mora consistente no eventual esvaziamento da utilidade do controle jurisdicional caso a ação penal prossiga. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se estão presentes hipóteses absolutamente excepcionais (teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder evidente) que autorizem a superação do óbice da Súmula 691 do STF, a fim de permitir ao Superior Tribunal de Justiça suspender cautelarmente o trâmite da ação penal até o julgamento do habeas corpus em curso no Tribunal de Justiça. 5. A questão em discussão consiste, ainda, em saber se a ausência de remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, diante de discordância da defesa quanto às condições do acordo de não persecução penal, configura ilegalidade procedimental objetiva e vício patente apto a justificar a concessão da medida cautelar pretendida e a suspensão da ação penal. 6. A questão em discussão consiste, por fim, em saber se o prosseguimento da ação penal, na hipótese em que o paciente responde solto e se pleiteia apenas a suspensão do feito até o julgamento de habeas corpus originário, caracteriza urgência qualificada e dano imediato e irreparável à liberdade de locomoção, suficientes para autorizar a intervenção excepcional desta Corte e o trancamento ou paralisação do processo. III. Razões de decidir 7. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal admite o conhecimento de habeas corpus impetrado contra decisão monocrática que indeferiu liminar em instância antecedente apenas em hipóteses absolutamente excepcionais, quando demonstrados, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder perceptíveis sem aprofundamento cognitivo, situações não evidenciadas no caso concreto. 8. A decisão do Tribunal de origem que indeferiu a tutela de urgência encontra-se devidamente fundamentada na ausência de constrangimento ilegal inequívoco e de urgência qualificada, tendo ressaltado que o paciente não se encontra submetido à prisão cautelar e que a análise aprofundada das teses defensivas dependerá das informações a serem prestadas e do julgamento de mérito do habeas corpus originário, não se verificando pronunciamento arbitrário, teratológico ou desprovido de motivação. 9. A alegação defensiva de ilegalidade objetiva, fundada na não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, revela questão interpretativa sobre a incidência desse dispositivo em cenário de discordância da defesa quanto às condições do acordo de não persecução penal, o que demanda apreciação jurídica aprofundada e exame do contexto negocial estabelecido entre as partes, afastando-se a caracterização de vício patente ou teratológico verificável de plano. 10. A discussão sobre eventual nulidade ou irregularidade procedimental relacionada ao acordo de não persecução penal será apreciada, em primeiro lugar, pelo Tribunal competente no habeas corpus originário, de modo que a atuação imediata desta Corte para suspender a ação penal implicaria indevida antecipação de tutela jurisdicional e supressão de instância, circunstância expressamente assinalada na decisão agravada. 11. A inexistência de prisão cautelar ou de qualquer outra restrição atual à liberdade de locomoção do paciente constitui elemento relevante na aferição do periculum in mora na via do habeas corpus, especialmente quando o pedido veiculado possui natureza meramente cautelar e visa apenas à suspensão do processo, não se configurando, por si só, o prosseguimento da ação penal como dano imediato e irreparável à liberdade. 12. Conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, o trancamento de investigações, procedimentos investigatórios ou da própria ação penal, assim como a suspensão de seu curso, constitui medida de caráter excepcional, somente admitida quando comprovadas, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a atipicidade da conduta, a existência de causa de extinção da punibilidade ou a ausência de indícios mínimos de autoria ou prova de materialidade, hipóteses não verificadas na espécie. 13. Inexistindo situação excepcional apta a afastar a aplicação da Súmula 691 do STF, mantém-se incólume o fundamento utilizado para o indeferimento liminar do habeas corpus, devendo ser preservado o trâmite regular do writ originário perante o Tribunal de Justiça e afastada a intervenção antecipada desta Corte Superior. IV. Dispositivo e tese 14. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, com manutenção integral da decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus. Tese de julgamento: 1. A superação do óbice da Súmula 691 do STF somente é admitida em hipóteses absolutamente excepcionais, quando evidenciadas, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder, não sendo suficiente a mera divergência interpretativa sobre normas processuais. 2. A controvérsia quanto à aplicação do art. 28-A, § 14, do CPP em caso de discordância da defesa sobre condições de acordo de não persecução penal consubstancia matéria interpretativa e dependente de exame aprofundado, não configurando, por si, ilegalidade objetiva ou vício patente apto a justificar suspensão cautelar da ação penal por meio de habeas corpus sucessivo. 3. A inexistência de prisão ou de outra restrição atual à liberdade de locomoção do paciente, aliada ao caráter meramente cautelar do pedido de suspensão do processo, afasta a caracterização de urgência qualificada e impede a concessão de tutela excepcional para trancar ou suspender ação penal na via estreita do habeas corpus. 4. A suspensão ou o trancamento da ação penal por meio de habeas corpus configuram providências de índole excepcional, admitidas apenas diante de atipicidade manifesta da conduta, causa inequívoca de extinção da punibilidade ou ausência de indícios mínimos de autoria ou prova de materialidade, circunstâncias não presentes quando a controvérsia se limita a aspectos procedimentais do acordo de não persecução penal. Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 28-A, § 14; RISTJ, art. 210; Lei n.º 8.137/1990, art. 1º, IV; Súmula 691 do STF. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC n. 913.511/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, j. 27.8.2025, DJEN 1.9.2025; STF, Súmula 691. VOTO De início, o agravo regimental é tempestivo e deve ser conhecido. A controvérsia devolvida ao colegiado restringe-se à possibilidade de superação excepcional do óbice da Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal, a fim de que esta Corte suspenda cautelarmente o trâmite da Ação Penal nº 0032620-22.2017.8.26.0050 até o julgamento do habeas corpus em curso no Tribunal de Justiça paulista. Como reiteradamente afirmado pela jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal Federal, o habeas corpus impetrado contra decisão monocrática que indefere liminar em instância antecedente somente pode ser conhecido em hipóteses absolutamente excepcionais, quando demonstrada, de plano, teratologia, ilegalidade flagrante ou abuso de poder perceptível sem aprofundamento cognitivo. No caso concreto, a decisão proferida pelo Tribunal de origem indeferiu a tutela de urgência com fundamento explícito na ausência de constrangimento ilegal inequívoco e na inexistência de urgência qualificada, ressaltando expressamente que o paciente não se encontra submetido à prisão cautelar e que a análise aprofundada das teses defensivas dependeria das informações a serem prestadas no writ originário. Trata-se, portanto, de pronunciamento cautelar fundamentado, que reserva o exame mais detido da controvérsia ao julgamento de mérito do habeas corpus na instância ordinária, não se identificando juízo arbitrário ou desprovido de motivação. A defesa sustenta que a ilegalidade seria objetiva, consistente na não remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP. Todavia, a própria delimitação da controvérsia evidencia tratar-se de questão interpretativa acerca da incidência do referido dispositivo diante de discordância defensiva quanto às condições do acordo, matéria que demanda apreciação jurídica aprofundada e exame do contexto negocial estabelecido entre as partes. Não se trata, pois, de vício patente ou teratológico verificável de plano, mas de discussão procedimental que será apreciada pelo Tribunal competente no habeas corpus originário, cuja tramitação se encontra em curso. Também não se configura urgência qualificada apta a justificar a intervenção excepcional desta Corte. Embora o habeas corpus possa ser manejado mesmo na ausência de prisão, é certo que, na perspectiva cautelar, a inexistência de restrição atual à liberdade de locomoção constitui elemento relevante na aferição do periculum in mora, especialmente quando o pedido deduzido visa apenas à suspensão do processo até julgamento em instância antecedente. Nesse contexto, o eventual prosseguimento da ação penal, por si só, não configura situação de dano imediato e irreparável à liberdade, sobretudo quando a própria defesa reconhece que não pretende, neste momento, a apreciação do mérito do acordo de não persecução penal, mas apenas a paralisação do feito até o julgamento do writ originário. Não bastasse, segundo o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça, o trancamento de investigações policiais, procedimentos investigatórios, ou mesmo da ação penal, constitui medida excepcional, justificada apenas quando comprovadas, de plano, sem necessidade de análise aprofundada de fatos e provas, a atipicidade da conduta, a existência de causas de extinção de punibilidade ou ausência de indícios mínimos de autoria ou de prova de materialidade (AgRg no HC n. 913.511/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 27/8/2025, DJEN de 1/9/2025). Não seria o caso deste caso concreto. Admitir, em tais circunstâncias, a suspensão da ação penal por esta Corte implicaria, na prática, antecipar tutela jurisdicional que se encontra submetida à apreciação do Tribunal de origem, com indevida supressão de instância, hipótese expressamente assinalada na decisão agravada. Não demonstrada, portanto, situação excepcional apta a afastar a incidência da Súmula 691 do STF, deve ser mantida a decisão monocrática que indeferiu liminarmente o habeas corpus. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental, mantendo integralmente a decisão que indeferiu liminarmente o habeas corpus . É como voto.