AREsp 2480851 - ACORDAO
O agravo interno foi negado provimento porque o agravante não impugnou de forma específica e individualizada os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, exigência imposta pelo CPC/2015 e pela jurisprudência administrativa do STJ, configurando preclusão e vedação à inovação recursal.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Elias de Sá Maranhão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso, Impugnação Específica, Preclusão E Inovação Recursal, Súmulas E Precedentes
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Parties
Elias de Sá Maranhão
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial
- 2 Aplicação dos requisitos de admissibilidade do CPC/2015
- 3 Impossibilidade de inovar em sede de agravo interno por preclusão
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado provimento porque o agravante não impugnou de forma específica e individualizada os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial, exigência imposta pelo CPC/2015 e pela jurisprudência administrativa do STJ, configurando preclusão e vedação à inovação recursal.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 13/08/2024 a 19/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL NA CORTE DE ORIGEM. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso impede o conhecimento do agravo, nos termos dos artigos 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, 2016). 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por Elias de Sá Maranhão contra decisão assim ementada (fl. 716, e-STJ): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO NÃO CONHECIDO. O agravante sustenta que "atacou de forma específica a inadmissão do seu recurso especial, atacando expressamente todas as Súmulas aplicadas. Importante esclarecer que o excesso de formalismo não pode ser um entrave ao acesso à justiça" (fl. 727, e-STJ). Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL NA CORTE DE ORIGEM. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso impede o conhecimento do agravo, nos termos dos artigos 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, 2016). 3. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. A decisão ora agravada não conheceu do agravo em recurso especial, uma vez que não impugnados, especificamente, os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso na Corte de origem. Neste agravo interno, o recorrente não demonstrou ter se insurgido, na minuta do agravo, contra a decisão que obstou o recurso especial e que está respaldada nos seguintes fundamentos: a) não cabimento de recurso especial para analisar a inconstitucionalidade dos juros moratórios disciplinados pela Lei n. 11.960/2009; (b) incidência da Súmula 83/STJ no que tange ao termo inicial dos juros, visto que o acórdão está conforme orientação disposta na Súmula 204/STJ; (c) a controvérsia acerca da incidência de juros entre a data da expedição do precatório e a do efetivo pagamento foi dirimida com fundamento eminentemente constitucional; (d) incidência da Súmula 83/STJ quanto ao reconhecimento dos juros moratórios entre a data de expedição do precatório ou da requisição de pequeno valor e o efetivo pagamento, pois referida questão foi resolvida conforme entendimento firmado no RE 1.169.289/SC; (e) não cabimento da aplicação do Tema 1.105/STJ ao caso analisado, uma vez que a fixação dos honorários advocatícios pelo acórdão decorreu de recurso interposto na vigência do CPC/1973 e, por isso, inaplicável o disposto no artigo 85 do CPC/2015; (f) incidência da Súmula 7/STJ no que se refere aos critérios de fixação dos honorários advocatícios; (g) em razão da ante a incidência da Súmula 7/STJ pela alínea "a", o dissídio jurisprudencial não pode ser examinado, uma vez que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão; (h) incidência da Súmula 284/STF em relação à divergência jurisprudencial, ante a ausência de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente. Ao agravante impõe-se o ônus de observar o contexto em que os fundamentos da decisão da Corte de origem foram lançados e impugná-los, de forma individualizada e específica, o que não ocorreu no caso dos autos, visto que o agravante não impugnou especificamente os seguintes fundamentos: (a) não cabimento de recurso especial para analisar a inconstitucionalidade dos juros moratórios disciplinados pela Lei n. 11.960/2009; (b) a controvérsia acerca da incidência de juros entre a data da expedição do precatório e a do efetivo pagamento foi dirimida com fundamento eminentemente constitucional; (c) incidência da Súmula 83/STJ quanto ao reconhecimento dos juros moratórios entre a data de expedição do precatório ou da requisição de pequeno valor e o efetivo pagamento, pois referida questão foi resolvida conforme entendimento firmado no RE 1.169.289/SC; (d) não cabimento da aplicação do Tema 1.105/STJ ao caso analisado, uma vez que a fixação dos honorários advocatícios pelo acórdão decorreu de recurso interposto na vigência do CPC/1973 e, por isso, inaplicável o disposto no artigo 85 do CPC/2015; (e) em razão da incidência da Súmula 7/STJ pela alínea "a", o dissídio jurisprudencial não pode ser examinado, uma vez que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão A fim de refutar o fundamento de inviabilidade de interposição de recurso especial quando a tese é dirimida com fundamento constitucional, deve o agravante demonstrar que o Tribunal de origem não se valeu da interpretação de princípio ou norma constitucional para alcançar a exegese conferida ao caso concreto. Com efeito, quanto à Súmula 83/STJ, para que seja tido por infirmado a contento, é preciso que a parte desenvolva uma argumentação que demonstre sua inaplicabilidade e, concomitantemente, colacione julgados do STJ atuais em sentido contrário ao do aresto recorrido, é dizer, no mesmo sentido da tese defendida no recurso especial cuja ascensão é buscada. Finalmente, quanto ao argumento da ausência de similitude fática no dissídio jurisprudencial em razão da incidência da Súmula 7/STJ, cabe à parte, além de impugnar especificamente a aplicação da referida súmula, transcrever os julgados apontados como supostamente divergentes, cotejando-os, a fim de comprovar que tratam, sim, da mesma situação fática, adotando, todavia, entendimentos jurídicos diversos sobre esse mesmo arcabouço. Ausentes as providências, correta a decisão, não havendo o que reformar. Assim, a falta ou a insurgência genérica contra a decisão que não admitiu o recurso especial, no tempo e modo oportunos, obsta o conhecimento do agravo. Essa é a determinação contida nos artigos 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (Redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016). Por fim, registra-se que a impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial feita somente em sede de agravo interno não deve ser considerada, porque, além de preclusa a oportunidade, caracteriza indevida inovação recursal. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.