AREsp 1829952 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou especificamente o óbice apontado pela decisão de admissibilidade (ausência de demonstração de divergência jurisprudencial), aplicando-se, por analogia, a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC/2015, de modo que o requisito da impugnação...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Na Quarta Turma
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno por unanimidade
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica De Fundamentos (art. 932, III, Cpc/2015), Aplicação Por Analogia Da Súmula 182/stj, Agravo Interno
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Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Na Quarta Turma
Legal Issues
- 1 Se o agravo interno deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial
- 2 Aplicabilidade por analogia da Súmula 182/STJ ao agravo interno
- 3 Obrigatoriedade de impugnação específica nos termos do art. 932, III, do CPC/2015
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou especificamente o óbice apontado pela decisão de admissibilidade (ausência de demonstração de divergência jurisprudencial), aplicando-se, por analogia, a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC/2015, de modo que o requisito da impugnação específica não foi atendido.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno por unanimidade
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto contra decisão por meio da qual a Presidência desta Corte não conheceu do recurso especial, com base na aplicação da Súmula 182/STJ, registrando que a parte agravante não impugnou os fundamentos de inadmissão do recurso especial erigidos na origem, referentes à "ausência de afronta a dispositivo legal (arts. 489 e 492 do CPC) e deficiência de cotejo analítico" (e-STJ, fl. 1.060). Em suas razões, a parte recorrente alega que: "demonstrou em seu Recurso Especial e também no Agravo em Recurso Especial contra seu indeferimento que as violações aos artigos legais apontadas foram embasadas nos fatos fixados pelas instâncias inferiores" (e-STJ, fl. 1.072). Afirma que: "No que concerne ao cabimento do Recurso Especial, especificadamente, certamente a C. Turma julgadora constatará que o cabimento do recurso especial era manifesto, razão pela qual o juízo de admissibilidade feito pelo C. TJSP deveria ter sido positivo, conforme previsto na letra "a" e "c", do inciso III, do artigo 105 da Constituição da República" (e-STJ, fl. 1.073); além de repisar questões de mérito do recurso especial. Ressalta que: "Com relação à ofensa ao disposto no artigo. 784, III 14 , do CPC, restou demonstrado que o v. acórdão deixou de observar ausência de assinatura de 02 testemunhas no contrato de honorários, sendo esta uma exigência legal para considerar título executivo extrajudicial, o contrato deve estar assinado não apenas pelas partes, mas também por duas testemunhas. Sendo que em relação ao tema foi devidamente juntado às fls. 928/936, e demonstrado o dissenso jurisprudencial em relação ao Tribunal de Justiça do Amazonas" (e-STJ, fl. 1.081). A parte agravada apresentou impugnação (e-STJ, fls. 1.092 - 1.097), destacando que: " a novamente aqui agravante, deixou neste agravo interno, de atacar o mérito da decisão recorrida, qual seja, a falta de impugnação específica da Súmula 7 do STJ e tampouco corrigiram ou se manifestaram sobre a deferência do cotejo analítico". Pondera pela aplicação de multa por litigância de má-fé. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente o fundamento da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): Observo que os argumentos desenvolvidos pela agravante não comportam acolhimento. Da análise das razões despendidas no agravo em recuso especial (e-STJ, fls. 1.006 - 1.026), saliento que a parte recorrente não impugnou especificamente o óbice consistente na ausência de demonstração da suscitada divergência jurisprudencial, aplicado pela decisão de admissibilidade do recurso especial proferida pela Corte local. A propósito, a Corte Especial do STJ, em julgamento recente, manteve o entendimento de que o recorrente deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ (Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 746.775/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, julgamento em 19.9.2018, DJe 30/11/2018). Nesse precedente, o Colegiado, por maioria, negou provimento aos embargos de divergência e manteve a decisão da Segunda Turma do STJ, que não conheceu do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ, já que o agravante não atacou todos os pontos da decisão que não admitiu o recurso especial. Conforme o voto vencedor, tanto no CPC de 1973 quanto no de 2015 há regra que remete às disposições mais recentes do Regimento Interno do STJ, no sentido da obrigatoriedade da impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial. Para o Ministro relator, não há possibilidade de impugnação parcial da decisão que deixa de admitir recurso especial, já que tal decisão é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade. A não obediência a essa regra implicaria o exame indevido de questões (já atingidas pela preclusão consumativa, decorrente da inércia da parte agravante em contestar no momento oportuno), pois o conhecimento do agravo obriga o STJ a conhecer de todos os fundamentos do recurso especial. O mencionado julgado ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018) Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.