REsp 2110992 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o recurso especial não indicou expressamente o permissivo constitucional autorizador nem demonstrou quais dispositivos infraconstitucionais teriam sido violados ou qual divergência jurisprudencial existiria, configurando deficiência de fundamentação que impede o conhecimento do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Quarta Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negou-se provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Recursal, Súmula N. 284 Do STF, Honorários Advocatícios, Revisão De Contrato De Financiamento De Veículo
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual Da Quarta Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Deficiência de fundamentação do recurso especial
- 2 Ausência de indicação do permissivo constitucional autorizador
- 3 Falta de demonstração de violação de dispositivos de lei infraconstitucionais
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o recurso especial não indicou expressamente o permissivo constitucional autorizador nem demonstrou quais dispositivos infraconstitucionais teriam sido violados ou qual divergência jurisprudencial existiria, configurando deficiência de fundamentação que impede o conhecimento do recurso, conforme a Súmula n. 284 do STF.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negou-se provimento ao agravo interno.
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão agravada que não conheceu do recurso especial em razão da aplicação da Súmula n. 284 do STF.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL E DE DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO OU DE EVENTUAL DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A falta de expressa indicação dos permissivos constitucionais autorizadores de acesso à instância especial e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados ou de eventual divergência jurisprudencial inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra julgado da Presidência que, com amparo no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheceu do agravo em razão da incidência da Súmula n. 284 do STF, porquanto não fora indicado o permissivo constitucional autorizador da interposição do recurso especial. A agravante alega que a Súmula n. 284 do STF não pode ser aplicada, pois "de forma enfática deduz, nas razões recursais, a modificação neste tópico da decisão testilhada, devendo ser atribuído pagamento dos honorários pelo pelo valor atribuído a causa ou pelo ganho atingido" (fl. 161). Reitera, ademais, as alegações apresentadas no recurso especial. Requer a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do recurso ao órgão colegiado para que lhe dê provimento. Sem contrarrazões (fl. 164). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL E DE DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO OU DE EVENTUAL DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A falta de expressa indicação dos permissivos constitucionais autorizadores de acesso à instância especial e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados ou de eventual divergência jurisprudencial inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 2. Agravo interno desprovido. VOTO A irresignação não merece prosperar. Consta dos autos que a parte ora agravante ajuizou ação de revisão de contrato de financiamento de veículo em desfavor da parte ora agravada. Na sentença, a ação revisional foi julgada improcedente e a parte autora foi condenada ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da causa. Interposta apelação, o Tribunal de origem, por maioria, deu parcial provimento ao recurso para afastar a cobrança dos valores a título de seguro e condenar a instituição financeira a compensar e/ou repetir, na forma simples, a autora. Manteve a condenação aos honorários advocatícios conforme arbitrado pela sentença, em razão do decaimento mínimo da parte ré. Sobreveio recurso especial que não foi conhecido, em razão da aplicação da Súmula n. 284 do STF, pois não houve indicação do permissivo constitucional autorizador de sua interposição. Com efeito, o recurso especial não reúne condições de conhecimento, pois de sua leitura, além de não ter havido a indicação do permissivo constitucional autorizador, também não se consegue extrair quais os dispositivos infraconstitucionais teriam sido violados pelo acórdão recorrido ou que tiveram interpretação divergente. Nas razões do recurso especial, a parte agravante tece considerações a respeito do acórdão recorrido e do voto divergente sem, contudo, indicar, de forma inequívoca, quais os dispositivos legais supostamente violados pelo acórdão impugnado, o que caracteriza deficiência de fundamentação. Afirma sua irresignação quanto à manutenção da condenação ao pagamento de honorários advocatícios, citando o art. 85 do CPC. No entanto, a deficiência na fundamentação recursal obsta o conhecimento do apelo extremo pois, de sua leitura, não é possível aferir de que maneira o acordão impugnado poderia ter violado o referido dispositivo legal , inviabilizando a compreensão da controvérsia. Colaciona, ao final, dois julgados proferidos pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e de São Paulo, mas nem sequer explica quais as questões que poderiam ter tido entendimento divergente, assim como não indica qual o dispositivo legal que teria sido interpretado divergentemente. Registre-se que "o recurso especial é reclamo de natureza vinculada e, para o seu cabimento, inclusive quando apontado o dissídio jurisprudencial, é imprescindível que se demonstrem, de forma clara, os dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida, sob pena de inadmissão" (AgInt no AREsp n. 2.120.664/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 19/9/2022, DJe de 21/9/2022). Desse modo, a ausência de expressa indicação dos permissivos constitucionais autorizadores de acesso à instância especial e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados (alínea a) ou de eventual divergência jurisprudencial (alínea c) inviabiliza o conhecimento do recurso, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se a Súmula n. 284 do STF, assim expressa: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência de sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. A propósito, confira-se precedente: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. PEDIDO DE MAJORAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE LEI VIOLADOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 284 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n.º 284 do STF. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.109.813/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 28/9/2022.) Assim, não se verifica equívoco na decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno . É o voto.