AREsp 2525827 - ACORDAO
O Agravo Interno foi rejeitado porque o agravante não impugnou de forma específica todos os fundamentos que motivaram a não admissão do Recurso Especial na peça de Agravo em Recurso Especial, incumbência exigida pela jurisprudência do STJ e pela Súmula 182/STJ, além de ser o momento adequado para tal impugnação;...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Agravo Interno não provido; decisão da Presidência do STJ mantida.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 182/stj, Súmula 284/stf, Cotejo Analítico, Preclusão
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Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Aplicação da Súmula 182/STJ
- 3 Alegada aplicação da Súmula 284/STF
Ratio Decidendi
O Agravo Interno foi rejeitado porque o agravante não impugnou de forma específica todos os fundamentos que motivaram a não admissão do Recurso Especial na peça de Agravo em Recurso Especial, incumbência exigida pela jurisprudência do STJ e pela Súmula 182/STJ, além de ser o momento adequado para tal impugnação; assim, aplica-se a preclusão e mantém-se a decisão da Presidência que não conheceu do agravo.
Court Disposition
Agravo Interno não provido; decisão da Presidência do STJ mantida.
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno.
- Manter a decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do Agravo em Recurso Especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/05/2024 a 27/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ORIGEM. SÚMULA 182 DO STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ MANTIDA. 1. O Recurso Especial do agravante não foi admitido com base nos seguintes argumentos: a) Aplicação do entendimento da Súmula 284/STF; e b) Ausência de cotejo analítico. 2. Constata-se que, na petição de Agravo em Recurso Especial (fls. 331-336), o insurgente não rebate os fundamentos da decisão de admissibilidade. 3. Sedimentou-se, na Corte Especial do STJ, o entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 701.404/SC, EAREsp 746.775/SC e EAREsp 831.326/SC, Rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30.11.2018). 4. Importante registrar que o momento adequado para impugnação dos fundamentos da decisão que inadmite o Recurso Especial é a interposição do Agravo em Recurso Especial, sob pena de preclusão caso feita posteriormente. 5. Agravo Interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Cuida-se de Agravo Interno contra decisão de fls. 428-429, proferida pela Presidência do Superior Tribunal de Justiça, que não conheceu do Agravo previsto no art. 1.042 do CPC/2015, ante a falta de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que negou admissibilidade ao Recurso Especial proferida pelo juízo a quo. No Agravo Interno, o insurgente defende (fl. 371): Dos fundamentos da decisão agravada, não é objeto do Súmula 284 STF. A presente Súmula 284 do STF aduz que "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". A decisão agravada levanta a tese de que não houve a explicação da controvérsia no recurso interposto, haja vista a fundamentação não ter esclarecido o que se pretende. Tal situação é evidentemente equivocada, pois houve o apontamento de todos os tópicos e narração dos fatos a serem recorridos. Inclusive acerca do prequestionamento em sede de embargos de declaração, como já demonstrado nos autos. Dos fundamentos da decisão agravada, não é objeto de deficiência do cotejo analítico. Ademais, acrescenta-se deficiência do cotejo analítico, ou seja, afirma que não houve demonstração de similitude entre de fatos com a norma a ser analisada. Notadamente, se reitera a inocorrência dessa afirmação. Pleiteia a reconsideração da decisão agravada. Contraminuta às fls. 381-390. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ORIGEM. SÚMULA 182 DO STJ. INCIDÊNCIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ MANTIDA. 1. O Recurso Especial do agravante não foi admitido com base nos seguintes argumentos: a) Aplicação do entendimento da Súmula 284/STF; e b) Ausência de cotejo analítico. 2. Constata-se que, na petição de Agravo em Recurso Especial (fls. 331-336), o insurgente não rebate os fundamentos da decisão de admissibilidade. 3. Sedimentou-se, na Corte Especial do STJ, o entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 701.404/SC, EAREsp 746.775/SC e EAREsp 831.326/SC, Rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30.11.2018). 4. Importante registrar que o momento adequado para impugnação dos fundamentos da decisão que inadmite o Recurso Especial é a interposição do Agravo em Recurso Especial, sob pena de preclusão caso feita posteriormente. 5. Agravo Interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 19.04.2024. Não obstante os argumentos expendidos, o inconformismo não merece guarida. O Recurso Especial do agravante não foi admitido com base nos seguintes argumentos: a) Aplicação do entendimento da Súmula 284/STF; e b) Ausência de cotejo analítico. Constata-se que, na petição de Agravo em Recurso Especial (fls. 331-336), o insurgente não rebate os argumentos da decisão de admissibilidade. O Superior Tribunal de Justiça perfilha o entendimento de ser necessária a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o Recurso Especial, sob pena de não conhecimento pela aplicação da Súmula 182/STJ. Com efeito, sedimentou-se, na Corte Especial do STJ, o entendimento de que "a decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais" (EAREsp 701.404/SC, EAREsp 746.775/SC e EAREsp 831.326/SC, Rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30.11.2018). No mesmo sentido: AgInt no REsp 1.783.482/MS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 15.6.2022. Importante registrar que o momento adequado para impugnação dos fundamentos da decisão que inadmite o Recurso Especial é a interposição do Agravo em Recurso Especial, sob pena de preclusão caso feita posteriormente. De todo o exposto, conclui-se que o Agravo em Recurso Especial não merece conhecimento, devendo ser mantida a decisão da Presidência. Ante o exposto, nego provimento ao Agravo Interno. É como voto.