AREsp 2735403 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões de interposição não indicaram de forma explícita e específica o permissivo constitucional (art. 105, III, CF) e não particularizaram o dispositivo de lei federal supostamente violado, além de haver ausência de prequestionamento;...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: SILVANA TORRES DE SOUZA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial Conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmulas Do STF (284, 282, 356), Reexame De Provas, Ação Rescisória, Assistência Judiciária, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SILVANA TORRES DE SOUZA
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial Conhecido O Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 284/STF por ausência de indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial
- 2 ausência de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado (falta de particularização de inciso/parágrafo/alínea)
- 3 ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque as razões de interposição não indicaram de forma explícita e específica o permissivo constitucional (art. 105, III, CF) e não particularizaram o dispositivo de lei federal supostamente violado, além de haver ausência de prequestionamento; aplicaram-se as Súmulas 284, 282 e 356 do STF e a vedação ao reexame fático-probatório, impondo-se, por isso, o não conhecimento do recurso especial; majoraram-se os honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial
- Majorar os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por SILVANA TORRES DE SOUZA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA - POSSIBILIDADE - HIPOSSUFICIÊNCIA COMPROVADA - DISPENSA DO DEPÓSITO A QUE SE REFERE O ARTIGO 968, II E § IO, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - PLEITO DEFERIDO. TUTELA DE URGÊNCIA - SUSPENSÃO DA EFICÁCIA EXECUTIVA DO TÍTULO JUDICIAL - INVIABILIDADE - NÃO VISLUMBRADA TERATOLOGIA NO ACÓRDÃO RESCINDENDO - INDEFERIMENTO. AÇÃO RESCISÓRIA - PRETENSÃO DE RESCINDIR ACÓRDÃO QUE MANTEVE A IMPROCEDÊNCIA DE AÇÃO DE RESTABELECIMENTO DE PENSÃO POR MORTE - IMPOSSIBILIDADE - AUTORA QUE PRETENDE REDISCUTIR A MATÉRIA E ATACAR A INJUSTIÇA DA DECISÃO, PRETENSÃO QUE REFOGE AO ÂMBITO E FINALIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA - AÇÃO RESCISÓRIA JULGADA IMPROCEDENTE. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa ao art. 489 do CPC, no que concerne à violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista a deficiência na apreciação das provas juntadas no processo de restabelecimento de pensão por morte , trazendo a seguinte argumentação: A ação rescisória, ao contrario do que exaustivamente explanado no V. acórdão não tinha por escopo uma nova decisão de mérito, que fosse satisfatória as pretensões da autora, como se usasse desse recurso, o de poder impetrar a ação para obter uma nova decisão que fosse satisfatória a sua pretensão e restabelecesse o benefício de pensão por morte que foi arbitrariamente cassado. O processo rescidendo versava sobre o restabelecimento de sua pensão por morte, beneficio oriundo da condição de seu pai que era militar e a ela pago a partir do falecimento deste por ser filha mulher e solteira, entretanto, a recorrente possui uma filha que hoje tem 17 anos e o beneficio foi cassado, pois segundo a SPPREV, a requerente vive em união estável com o genitor de sua filha e por isso não fazia jus ao beneficio. Não, ao contrário, se utilizou dessa ação para a correção de erro material grosseiro e visível, pois não foram apreciadas as provas juntadas aos autos pela recorrente e nem foi levado em consideração a declaração espontânea do genitor da filha da recorrente que em juízo, confessou espontaneamente que apenas informou o endereço da recorrente junto a CIA de Taxi de São Paulo para obter a licença e assim poder trabalhar como pracista nessa cidade. Além disso, foram juntadas na acao rescisória mais de 100 (cem documentos) que demonstravam que o genitor da filha da recorrente mentia, e como se nada disso ainda não bastasse, na perícia feita pela SPPREV não ficou constatado que a recorrente vivia em união estável, as testemunhas que foram ouvidas em juízo no processo de cassação são claras quando dizem que Marcio (pai da filha da recorrente) não morava com a recorrente. Pois, mesmo com provas robustas, mais de 100 documentos que serão levados ao conhecimento de Vossas Excelências e que já foram juntados na ação rescisória e deveriam ter sido apreciados quando proferida a sentença de mérito em 1ª instancia (ação rescindenda), mas não o foram, nem sede de ação rescisória (fls. 357-358). Na hipótese em tela, fica claro que as provas não foram apreciadas e a decisão proferida em desfavor da recorrente poderia ser outra, caso o magistrado tivesse apreciado as provas juntadas por ela no processo de restabelecimento de pensão. Não se trata de reexame de provas, se trata de exame de provas, uma vez que nada que foi produzido em sede de processo de conhecimento e em sede de rescisória pela recorrente foi apreciado. Houve então flagrante violação ao artigo 489 do CPC que diz o seguinte: "Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: .. não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador" (fl. 359). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Isso porque, conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, e quais são as alíneas desse permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Esse entendimento possui respaldo em recente julgado desta Corte Superior de Justiça: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/06/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/06/2021. Ademais, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do Recurso Especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11.3.2020.) De igual sorte: "A ausência de particularização dos incisos do artigo supostamente violado, inviabilizam a compreensão da irresignação recursal, em face da deficiência da fundamentação do apelo raro" (AgRg no AREsp n. 522.621/PR, Rel. ;Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12.12.2014.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4.9.2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º.12.2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º.8.2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18.9.2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5.9.2005; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15.2.2022. Além disso, incidem as Súmulas n. 282/STF e 356/STF, porquanto a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4.2.2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28.4.2011; REsp n. 1.730.826/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12.2.2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15.2.2019; AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23.6.2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.8.2022. Ainda, não é cabível a interposição de recurso especial fundado na ofensa a princípios, tendo em vista que não se enquadram no conceito de lei federal. Nesse sentido: "O art. 105, III, "a", da CF, ao dispor acerca da interposição de recurso especial, menciona a ocorrência de violação à lei federal, expressão que não inclui os princípios". (A gInt no AREsp n. 826.592/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 13/6/2017.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.304.346/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 08/4/2019; AgRg no REsp 1.135.067/SC, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 09/11/2015. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA