AREsp 2660664 - DECISAO
O relator não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica e concreta dos fundamentos que justificar a inadmissão do recurso especial pelo tribunal de origem; a alegação genérica de que não haveria reexame de provas é insuficiente sem cotejo das premissas fáticas do acórdão e sem...
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- Parties
- Agravante: LAURO JUNIOR PESSI; Agravante: SIDNEY FERREIRA DOS REIS; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (inadmissão)
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Súmula 182 Do STJ, Impugnação Específica (princípio Da Dialeticidade)
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Parties
LAURO JUNIOR PESSI
Agravante
SIDNEY FERREIRA DOS REIS
Agravante
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (inadmissão)
Legal Issues
- 1 Possível reexame de provas vedado pela Súmula n. 7 do STJ
- 2 Aplicação da Súmula n. 83 do STJ quanto à preponderância da palavra da vítima em crime de roubo
- 3 Suficiência da impugnação específica no agravo em recurso especial (Súmula n. 182 do STJ)
Ratio Decidendi
O relator não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica e concreta dos fundamentos que justificar a inadmissão do recurso especial pelo tribunal de origem; a alegação genérica de que não haveria reexame de provas é insuficiente sem cotejo das premissas fáticas do acórdão e sem demonstrar que o entendimento do STJ diverge daquele aplicado na origem, sendo aplicável a Súmula 182 do STJ e o art. 932, III, do CPC.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por LAURO JUNIOR PESSI e SIDNEY FERREIRA DOS REIS contra decisão do Tribunal de origem que, no exame prévio de admissibilidade, inadmitiu o recurso especial por entender pela aplicação das Súmulas n. 7 e 83 do STJ. Nas razões do presente agravo em recurso especial, argumenta a defesa que o recurso especial deveria ter sido admitido, uma vez não há o reexame de provas e sim a revaloração da prova já produzida nos autos, buscando objetivamente a nova interpretação dela. Aborda, ainda, aspectos relacionados ao mérito da causa, reitera questões deduzidas no recurso especial e sustenta a inaplicabilidade da Súmula n. 83 do STJ. Requer o provimento do recurso, com a consequente repercussão jurídica. Impugnação apresentada (fls. 1.536-1.543). Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo desprovimento do agravo em recurso especial, nos termos da seguinte ementa (fl. 1.563): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. ELEMENTO SUBJETIVO DO CRIME. ALEGADA AUSÊNCIA DE PROVA. INTUITO DE ABSOLVIÇÃO. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. VEDAÇÃO EM HABEAS CORPUS E RECURSO ESPECIAL. JURISPRUDÊNCIA DA CORTE STJ. SÚMULA 7 DO STJ. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. Parecer pelo desprovimento do agravo, mantendo-se a decisão que inadmitiu o recurso especial. É o relatório. Como relatado, o recurso especial foi inadmitido por aplicação dos seguintes fundamentos: análise que exigiria o reexame de fatos e provas, o que atrai o óbice da Súmula n. 7 do STJ, além da contrariedade das razões do recurso à pacífica jurisprudência desta Corte Superior (Súmula n. 83 do STJ) em ralação à importância e preponderância da palavra da vítima em crime de roubo. Porém, as razões do agravo em recurso especial não enfrentam, de modo suficiente, os fundamentos referidos, não bastando para tanto que a parte recorrente mencione cada um deles, pois, para atendimento do princípio da dialeticidade, devem ser demonstradas, de modo específico e concreto, quais seriam as razões pelas quais a decisão recorrida deveria ser reformada. Vale esclarecer, quanto ao óbice referido na Súmula n. 7 do STJ, que a alegação genérica sobre a desnecessidade de que sejam reexaminados os fatos e as provas é insuficiente para o efetivo enfrentamento da decisão recorrida, ainda que feita breve menção à tese sustentada, quando ausente o devido cotejo das premissas fáticas do acórdão proferido na origem (AgRg no AREsp n. 2.030.508/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 13/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.672.166/SE, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 6/9/2024; AgRg no AREsp n. 2.576.898/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 2/9/2024). Por sua vez, quanto ao impedimento decorrente da aplicação da Súmula n. 83 do STJ, "é necessário que a parte comprove que o entendimento desta Corte Superior destoa da conclusão a que chegou o Tribunal de origem ou que o caso dos autos seria distinto daqueles veiculados nos precedentes mediante distinguishing, o que não ocorreu na hipótese" (AgRg no AgRg no AREsp n. 2.278.302/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 26/9/2023, DJe de 3/10/2023). No caso, aliás, a jurisprudência mencionada pelo agravante é diversa daquela utilizada na origem para a incidência da Súmula n. 83 do STJ. Como se constata, a efetiva impugnação dos fundamentos que levaram o Tribunal de origem a inadmitir o recurso especial exigia o expresso e efetivo enfrentamento de cada um dos respectivos fundamentos, sem o que não se pode cogitar do desacerto da decisão agravada. Aplica-se, em consequência, a conclusão prevista na Súmula n. 182 do STJ, que estabelece ser "inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". A propósito: AgRg no AREsp n. 2.706.517/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 23/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.564.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 22/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.126.667/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 15/10/2024, DJe de 18/10/2024; AgRg no AREsp n. 2.262.869/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/6/2024, DJe de 25/6/2024. Por fim, registro que, n os termos do art. 932, III, do CPC, incumbe monocraticamente ao relator "não conhecer de recurso .. que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida", hipótese amparada também pelo art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO SUFICIENTE. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.