AREsp 2939243 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a parte agravante não impugnou de forma específica e concreta a aplicação da Súmula 7/STJ feita pelo tribunal a quo, limitando-se a razões genéricas, o que, conforme jurisprudência e a Súmula 182/STJ, impede o conhecimento do agravo relativo à inadmissão do recurso especial.
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- Parties
- Recorrente: BAIN BARBOSA PIRES PEREIRA; Órgão Julgador De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Reexame De Provas, Violência Doméstica
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Parties
BAIN BARBOSA PIRES PEREIRA
Recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA
Órgão Julgador De Origem
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 7/STJ e vedação ao reexame de provas no recurso especial
- 2 Necessidade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
- 3 Admissibilidade do agravo previsto no art. 1.042 do CPC
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a parte agravante não impugnou de forma específica e concreta a aplicação da Súmula 7/STJ feita pelo tribunal a quo, limitando-se a razões genéricas, o que, conforme jurisprudência e a Súmula 182/STJ, impede o conhecimento do agravo relativo à inadmissão do recurso especial.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por BAIN BARBOSA PIRES PEREIRA com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RORAIMA, assim ementado (fls. 55 - 69): "DIREITO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. LESÃO CORPORAL, AMEAÇA E DANO EMOCIONAL EM CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (ART. 129, §13, 147 E 147-B, TODOS DO CÓDIGO PENAL, NA FORMA DO ARTIGO 7º, INCISOS I E II, DA LEI 11.340/06). (1) ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATERIALIDADE E AUTORIA SUFICIENTEMENTE COMPROVADAS PELO ACERVO PROBATÓRIO. APELANTE QUE, APÓS VISUALIZAR MENSAGENS NO CELULAR DA OFENDIDA, ARREMESSOU O APARELHO EM SEU ROSTO, AMEAÇOU-A DE MORTE E DESFERIU-LHE SOCOS. FATOS CORROBORADOS PELO LAUDO DE EXAME DE CORPO DE DELITO. DEPOIMENTO DA VÍTIMA SUFICIENTE PARA APONTAR O RÉU COMO AUTOR DOS CRIMES. ADOÇÃO DO PROTOCOLO AO JULGAMENTO SOB A ÓTICA DA PERSPECTIVA DE GÊNERO (RESOLUÇÃO 492/2023 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA). CONDENAÇÃO MANTIDA. (2) DOSIMETRIA. PENA-BASE FIXADA ACIMA DO MÍNIMO LEGAL. AVALIAÇÃO NEGATIVA DO VETOR CONDUTA SOCIAL. VÍTIMA AFIRMOU QUE O ACUSADO COMETEU OUTROS EPISÓDIOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. PRECEDENTES. (2.1). PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DO CONCURSO FORMAL PRÓPRIO. IMPROCEDÊNCIA. RÉU QUE, MEDIANTE MAIS DE UMA AÇÃO, PRATICOU TRÊS CRIMES DISTINTOS NAS MESMAS CONDIÇÕES DE TEMPO E LUGAR. CONCURSO MATERIAL CARACTERIZADO (ART. 69 DO CÓDIGO PENAL). (3) FIXAÇÃO DO REGIME ABERTO. INVIABILIDADE. RECORRENTE CONDENADO À PENA DE 4 (QUATRO) ANOS, 1 (UM) MÊS E 13 (TREZE) DIAS DE RECLUSÃO. APLICAÇÃO DO ART. 33, § 2º, "B", DO CÓDIGO PENAL. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. (4) RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO, EM CONSONÂNCIA COM O PARECER DA PROCURADORIA DE JUSTIÇA." Em suas razões, a parte recorrente aponta violação dos arts. 386, inciso VII, 619, ambos do Código de Processo Penal, e do art. 59 do Código Penal, argumentando, em síntese, que (i) não há prova concreta de materialidade e autoria, sendo insuficiente a palavra isolada da vítima para embasar condenação e (ii) o acórdão, ao deixar de analisar os argumentos declinados pelo recorrente, incorreu em negativa de prestação jurisdicional. Com contrarrazões (fls. 101 - 115), o recurso especial foi inadmitido (fls. 119 - 121), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não conhecimento do recurso (fls. 318 - 321). É o relatório. Decido. O recurso não deve ser conhecido. A decisão de inadmissibilidade baseou-se na incidência da Súmula 7/STJ; no agravo do art. 1.042 do CPC, todavia, a parte agravante não infirmou adequadamente o referido fundamento. Afinal, sobre a aplicação da Súmula 7/STJ, a parte agravante trouxe apenas razões genéricas de inconformismo (aduzindo que não seria necessário reexaminar as provas dos autos), o que não satisfaz a exigência de impugnação específica para viabilizar o conhecimento do agravo. Isso porque, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Nesse sentido: " .. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 1.789.363/SP, relator Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021.) " .. 1. A falta de impugnação específica dos fundamentos utilizados na decisão ora agravada atrai a incidência do enunciado sumular n. 182 desta Corte Superior. Como tem reiteradamente decidido esta Corte, os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas ou à insistência no mérito da controvérsia. .. 11. Agravo regimental não conhecido". (AgRg no RHC n. 128.660/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 24/8/2020.) Ademais, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA