AREsp 2478307 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o recurso especial padeceu de deficiência de fundamentação por não indicar com precisão o dispositivo federal supostamente violado e, ademais, a modificação pretendida demandaria reexame de prova factual, vedado pelo enunciado n.7 da Súmula do STJ; igualmente, não há...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada Da Segunda Turma Sobre Agravo Interno E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo interno improvido; mantida decisão que não conheceu do recurso especial e mantida sentença de improcedência.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 7/stj (reexame De Provas), Responsabilidade Por Atos Omissivos, Danos Morais, Culpa Exclusiva Da Vítima, Responsabilidade Objetiva (cdc Art.14)
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Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada Da Segunda Turma Sobre Agravo Interno E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Deficiência de fundamentação do recurso especial por falta de indicação do dispositivo federal violado
- 2 Necessidade de prequestionamento para conhecimento de matérias pelo art.1.025 do CPC/2015
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório pelo enunciado n.7 da Súmula do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o recurso especial padeceu de deficiência de fundamentação por não indicar com precisão o dispositivo federal supostamente violado e, ademais, a modificação pretendida demandaria reexame de prova factual, vedado pelo enunciado n.7 da Súmula do STJ; igualmente, não há prequestionamento dos dispositivos invocados, e, no mérito analisado pela Corte de origem, houve conclusão pela ausência de ato ilícito e culpa exclusiva da vítima, afastando o dever de indenizar.
Court Disposition
Agravo interno improvido; mantida decisão que não conheceu do recurso especial e mantida sentença de improcedência.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. NA ORIGEM. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO. VÍTIMA ELETROCUTADA ENQUANTO COLHIA ABACATES EM ÁRVORE COM FIOS DE ALTA TENSÃO. PRETENSÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. IMPOSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE DA REQUERIDA POR ATOS OMISSIVOS QUE É SUBJETIVA. IMPRESCINDIBILIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA. PRECEDENTE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO.. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO RECURSO. AGRAVO INTERNO. ANÁLISE DAS ALEGAÇÕES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO AINDA QUE POR OUTROS FUNDAMENTOS. I - Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial diante da incidência de óbices ao seu conhecimento. Na petição de agravo interno, a parte agravante repisa as alegações que foram objeto de análise na decisão recorrida. II - Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação, a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." III - Ainda que superado o óbice, a Corte de origem analisou a controvérsia principal dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Os demais dispositivos legais mencionados pela parte recorrente, na petição de recurso especial, não foram objeto de análise na Corte de origem, tampouco o conteúdo foi objeto no acórdão proferido na Corte de origem. Assim, não é possível o conhecimento do recurso especial diante da falta de prequestionamento da matéria. Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) V - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso diante da incidência de óbices ao conhecimento. O recurso especial foi interposto contra acórdão com a seguinte ementa, que bem resume a discussão trazida a esta Corte: RESPONSABILIDADE CIVIL. Indenização. Vítima eletrocutada enquanto colhia abacates em árvore com fios de alta tensão. Pretensão de reparação de danos morais. Impossibilidade. Responsabilidade da requerida por atos omissivos que é subjetiva. Imprescindibilidade da comprovação da culpa. Ausência de ato ilícito. Culpa exclusiva da vítima. Precedente. Sentença mantida. Recurso improvido. Na petição de agravo interno, a parte agravante repisa as alegações que foram objeto de análise na decisão recorrida. Confira-se: Neste diapasão, a decisão que não conheceu do Agravo do Recurso Especial, decisão proferida monocraticamente pelo Ministro Francisco Falcão, não pode ser valorado como objeto do enunciado da Súmula 07 do STJ, pois, o debate trazido à baila não importa reexame de matéria fático-probatória, ao revés, unicamente matéria de direito, não incorrendo, portanto, na regra ajustada no enunciado da Súmula 07,desta Corte Superior -STJ, até porque o gotejo fático em nada se confunde com a necessidade de reavaliação das provas ou de nova valoração dos elementos de convicção probatória, mas, sim, de julgamento da tese jurídica apresentada. No caso em questão, todos os elementos fáticos e probatórios estão delimitados no acórdão recorrido e nos paradigmas, cabendo apenas o enquadramento jurídico pertinente, conforme as razões do Recurso Especial, o que não configura violação ao enunciado da Súmula nº 07 do Superior Tribunal de Justiça, mas, sim, adequação a jurisprudência e legislação processual aplicável ao caso. Busca-se, portanto, o reconhecimento do direito da Agravante em todos os seus termos objetivos consistentes na afronta a Lei Federal com base no argumento de que o Código de Defesa do Consumidor estabelece a responsabilidade objetiva dos prestadores de serviço, dispensando, portanto, a comprovação de culpa, conforme previsto no artigo 14 do CDC, sobretudo diante da conduta ilegal e arbitrária da Agravada. Não obstante, a tese jurídica centrou-se no argumento de que a manutenção do v. acórdão também violou o Código Civil, em seus artigos 186 e 927, parágrafo único, e o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 14. Por isso, não há que se falar que o arresto de origem encontra fundamento na jurisprudência desta Corte de Justiça. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. NA ORIGEM. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO. VÍTIMA ELETROCUTADA ENQUANTO COLHIA ABACATES EM ÁRVORE COM FIOS DE ALTA TENSÃO. PRETENSÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS. IMPOSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE DA REQUERIDA POR ATOS OMISSIVOS QUE É SUBJETIVA. IMPRESCINDIBILIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO. CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA. PRECEDENTE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO.. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO RECURSO. AGRAVO INTERNO. ANÁLISE DAS ALEGAÇÕES. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO AINDA QUE POR OUTROS FUNDAMENTOS. I - Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial diante da incidência de óbices ao seu conhecimento. Na petição de agravo interno, a parte agravante repisa as alegações que foram objeto de análise na decisão recorrida. II - Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação, a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." III - Ainda que superado o óbice, a Corte de origem analisou a controvérsia principal dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Os demais dispositivos legais mencionados pela parte recorrente, na petição de recurso especial, não foram objeto de análise na Corte de origem, tampouco o conteúdo foi objeto no acórdão proferido na Corte de origem. Assim, não é possível o conhecimento do recurso especial diante da falta de prequestionamento da matéria. Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) V - Agravo interno improvido. VOTO A Corte de origem se manifestou quanto à matéria de fundo utilizando-se dos seguintes fundamentos: Verifica-se, portanto, o acidente decorreu de conduta exclusiva da vítima, que se colocou em situação de risco, inexistindo qualquer indício de que a apelada tenha se eximido de seu dever legal na espécie. Destarte, inexiste dever de indenizar na espécie, vez que não houve ato ilícito que possa ser imputado à apelante, tampouco nexo causal entre sua atuação e o óbito do tio da autora. Assim, é o caso de manter a sentença que julgou improcedente a ação. Ressalte-se que não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Por outro lado, evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente não indica qual dispositivo de lei federal teria sido violado, bem como não desenvolve argumentação, a fim de demonstrar em que consiste a ofensa aos dispositivos tidos por violados. A via estreita do recurso especial exige a demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo mencionado nas razões do recurso, bem como a sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais, tidos como violados, caracteriza deficiência de fundamentação, fazendo incidir, por analogia, o disposto no enunciado n. 284 da Súmula do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Ainda que superado o óbice, a Corte de origem analisou a controvérsia principal dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Os demais dispositivos legais mencionados pela parte recorrente, na petição de recurso especial, não foram objeto de análise na Corte de origem, tampouco o conteúdo foi objeto no acórdão proferido na Corte de origem. Assim, não é possível o conhecimento do recurso especial diante da falta de prequestionamento da matéria. Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.