AREsp 2598891 - DECISAO
O agravo não é conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e completa todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em particular não afastou a incidência do óbice da Súmula 7/STJ; não se verifica usurpação de competência do Tribunal a quo, de modo que, com base no art....
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- Parties
- Agravante: CHRISTIANE MACHADO CRUZ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (art. 1042 Do Cpc/2015) / Admissibilidade
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 123/stj, Impugnação Específica Dos Fundamentos (art. 932, III, Cpc/2015), Usurpação De Competência, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
CHRISTIANE MACHADO CRUZ
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (art. 1042 Do Cpc/2015) / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de demonstração de violação de dispositivos legais
- 2 incidência do óbice da Súmula 7/STJ
- 3 alegada usurpação de competência pelo tribunal a quo
Ratio Decidendi
O agravo não é conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e completa todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, em particular não afastou a incidência do óbice da Súmula 7/STJ; não se verifica usurpação de competência do Tribunal a quo, de modo que, com base no art. 932, III, do CPC/2015 e na jurisprudência consolidada, o agravo deve ser rejeitado.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecimento do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por CHRISTIANE MACHADO CRUZ, contra decisão de inadmissibilidade de recurso especial (fls. 137-140 e-STJ). No referido julgado, o Tribunal local negou seguimento ao reclamo, ante: a) ausência de demonstração de vulneração dos dispositivos legais; b) não demonstração de similitude entre os arestos apontados como divergentes; c) incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Interposto o presente agravo (fls. 143-168 e-STJ), por meio do qual a insurgente busca dar seguimento ao apelo extremo, além de aduzir usurpação de competência deste STJ pelo Tribunal a quo. É o relatório. Decide-se. A pretensão recursal não merece prosperar. 1. De início, cumpre alertar que o juízo de admissibilidade na origem precisa ser devidamente fundamentado e isto não invade a competência desta Corte Superior para análise do mérito até mesmo porque a referida análise inicial do Tribunal de segundo grau não impede novo juízo de admissão por este Órgão, nos termos da Súmula 123/STJ. Neste sentido: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA JULGADA PROCEDENTE. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 123/STJ. NÃO CABIMENTO DA INSURGÊNCIA POR SUPOSTA VIOLAÇÃO A TEXTO SUMULAR. NORMATIVO QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. SÚMULA 518/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. VULNERAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. REVISÃO DAS CONCLUSÕES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. É cediço o entendimento desta Corte Superior acerca da possibilidade de incursão no mérito da lide pelo Tribunal local quando necessária à análise dos pressupostos constitucionais de admissibilidade do recurso especial, nos moldes preconizados na Súmula n. 123/STJ, sem que isso configure usurpação de competência. .. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.001.384/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 20/6/2022, DJe de 23/6/2022.) E mais: AgInt no AREsp n. 1.935.361/AM, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 12/5/2023; AgInt no AREsp n. 2.125.389/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 10/3/2023. Portanto, não houve a alegada usurpação de competência. 2. A decisão de admissibilidade negou seguimento ao recurso especial em virtude da ausência de demonstração de vulneração dos dispositivos legais, não demonstração de similitude entre os arestos apontados como divergentes e incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Em suas razões de agravo em recurso especial (fls. 143-168 e-STJ), a parte, em síntese, argumentou, além da usurpação de competência, pela ocorrência de violação aos dispositivos legais e adequada demonstração de dissídio jurisprudencial, bem como impugnou de modo genérico a incidência da Súmula 7/STJ. Dessa forma, não cuidou de impugnar, especificadamente, todos os fundamentos da decisão de admissibilidade. O agravo em recurso especial que deixa de afastar os fundamentos que levaram à inadmissão do recurso, nesse caso, em especial, o óbice da Súmula 7/STJ, não deve ser conhecido, nos termos do artigo 932, III, do CPC/15, que assim dispõe in verbis: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É dever da parte agravante (à luz do princípio da dialeticidade) demonstrar o desacerto do magistrado ao fundamentar a decisão impugnada, atacando especificamente o seu conteúdo, em sua totalidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/15, o que não ocorreu na espécie, uma vez que as razões apresentadas contra a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não impugnam todos os fundamentos do julgado, em especial a aplicação do óbice da Súmula 7/STJ. A propósito, é o precedente da Corte Especial: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. (..) 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018) grifou-se No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO, ANTE A AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. (..) 1. Consoante expressa previsão contida nos artigos 932, III, do CPC/15 e 253, I, do RISTJ e em razão do princípio da dialeticidade, deve o agravante demonstrar, de modo fundamentado, o desacerto da decisão que inadmitiu o apelo extremo. 1.1. São insuficientes ao cumprimento do dever de dialeticidade recursal as alegações genéricas de inconformismo, devendo a parte autora, de forma clara, objetiva e concreta, demonstrar o desacerto da decisão impugnada. Precedente: AgInt no AREsp 1490629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 25/08/2021. 1.2. In casu, no agravo do art. 1.042 do CPC, a parte não refutou o óbice da Súmula 7/STJ, aplicado na decisão de admissibilidade, atraindo a incidência da Súmula 182 do STJ. (..) (AgInt no AREsp n. 2.052.468/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 23/6/2022, DJe de 30/6/2022.) Corroborando este entendimento: AgInt no AREsp n. 1.999.549/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 4/4/2022, DJe de 6/4/2022. No presente caso, a parte limitou-se a afirmar que seria desnecessário o revolvimento do acervo fático-probatório, contudo deixou de demonstrar como o contexto delineado pelo Tribunal a quo ensejaria a aplicação da tese jurídica defendida, conforme se verifica do seguinte trecho de suas razões (fl. 160 e-STJ): (..) Contudo, não se faz necessário o exame fático-probatório do caso em discussão para que se conclua pela possibilidade e necessidade da adoção das medidas denominadas atípicas, isto pois, a Agravante suscita questões de direito, não incorrendo em ofensa ao previsto na súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. Desta forma, não poderá o recurso ser inadmitido pautando-se neste argumento, sendo possível compreender que a invocação da súmula supracitada é utilizada com o intuito de filtrar aos recursos direcionados a instância superior. Sendo assim, caberá ao Superior Tribunal de Justiça a análise do pleito e as ofensas aos dispositivos normativos federais, para conhecimento e provimento do recurso, observado a possibilidade de deferimento de expedição de ofício ao Banco Central para disponibilização do CCS. Isto pois, a discussão do presente recurso se restringe à análise da violação à lei, para saber se, diante da situação existente, o v. acórdão fere lei federal, devendo, pois, ser reformado, pelas razões de direito que restarão mais bem pormenorizadas abaixo. (..) Registre-se, assim, que, com relação à Súmula 7/STJ, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias". 3. Do exposto, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a Súmula 568/STJ, não se conhece do agravo em recurso especial. Por fim, não havendo fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias ordinárias, inaplicável a majoração prevista no art. 85, § 11, do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA