AREsp 2780021 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o agravo em recurso especial não impugnou especificamente o fundamento da decisão agravada (deficiência do cotejo analítico), requisito necessário para conhecimento do recurso nos termos do art. 932, III, do CPC e do Regimento Interno do STJ; a mera transcrição de precedentes...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BONASA ALIMENTOS S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Interno Negado Provimento
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Cotejo Analítico, Súmulas 5, 7 E 211/stj, Impugnação Específica De Fundamentos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BONASA ALIMENTOS S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão: Agravo Interno Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Deficiência de cotejo analítico como óbice à admissão do recurso especial
- 3 Aplicação do artigo 932, III, do Código de Processo Civil
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o agravo em recurso especial não impugnou especificamente o fundamento da decisão agravada (deficiência do cotejo analítico), requisito necessário para conhecimento do recurso nos termos do art. 932, III, do CPC e do Regimento Interno do STJ; a mera transcrição de precedentes sem cotejo analítico é insuficiente.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 29/04/2025 a 05/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO. NÃO CONHECIMENTO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ARTIGO 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 1. Não pode ser conhecido o agravo em recurso especial que não infirma especificamente os fundamentos da decisão atacada, atraindo o disposto no artigo 932, III, do CPC. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por BONASA ALIMENTOS S.A. contra a decisão proferida pela Presidência do Superior Tribunal de Justiça (e-STJ fls. 1.103/1.104) que não conheceu do agravo em recurso especial em virtude da falta de impugnação do fundamento da decisão agravada, qual seja, deficiência de cotejo analítico. Em suas razões , a recorrente alega que "(..) todos os precedentes citados ao REsp foram devidamente reprisados ao agravo, em parágrafos específicos" (e-STJ fl. 1113) e defende que não há falar em ausência de impugnação. A parte contrária não apresentou contrarrazões (e-STJ fl. 1.120) É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO. NÃO CONHECIMENTO. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ARTIGO 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 1. Não pode ser conhecido o agravo em recurso especial que não infirma especificamente os fundamentos da decisão atacada, atraindo o disposto no artigo 932, III, do CPC. 2. Agravo interno não provido. VOTO A irresignação não merece prosperar. Na decisão que inadmitiu o recurso especial (e-STJ fls. 1.044/1.048), o tribunal de origem entendeu que são aplicáveis as Súmulas nºs 5, 7 e 211/STJ e que está deficiente o cotejo analítico. Nas razões do agravo em recurso especial (e-STJ fls. 1.058/1.068), a recorrente se limitou a defender a inaplicabilidade das Súmulas nºs 5 , 7 e 211/STJ. Todavia, não impugnou especificamente a deficiência do cotejo analítico. Ressalta-se que a impugnação ao referido óbice exige da parte "(..) a comprovação de que realizou oportunamente o espelhamento entre os julgados supostamente divergentes, apontando as semelhanças entre as situações de fato e a existência de diferentes interpretações jurídicas acerca do mesmo dispositivo legal" (AgRg no AREsp 2.779.409/SP, Relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 4/2/2025, DJEN de 10/2/2025), o que não foi realizado nos presentes autos. Dessa forma, c onstata-se que a agravante, de fato, não refutou um dos fundamentos da decisão de admissibilidade proferida pelo tribunal local. Com efeito, cabe à parte recorrente, nas razões do seu agravo em recurso especial, impugnar objetivament e todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento, na forma dos artigos 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil. Registra-se que , por oportuno, não basta a simples transcrição de ementas e de parte dos votos sem que seja realizado o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENDOSSO-MANDATO. AÇÃO DECLARATÓRIA E INDENIZATÓRIA. PROTESTO INDEVIDO DE DUPLICATA. CONCLUSÃO DO ACÓRDÃO NO SENTIDO DE QUE A ENDOSSATÁRIA EXTRAPOLOU PODERES DE MERA MANDATÁRIA. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO. RESPONSABILIDADE. DANOS MORAIS. QUANTUM RAZOÁVEL. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA QUE DEMANDA O REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A revisão da conclusão adotada pelo Tribunal de origem - no sentido da inexigibilidade da duplicata por ter sido sacada de forma fraudulenta e da responsabilização da endossatária pelos danos morais causados à agravada por não ter-se certificado quanto à higidez da cártula - decorreu da análise de premissas fáticas, de modo que a revisão das convicções alcançadas, demandaria verdadeiro revolvimento do conjunto fático-probatório acostado aos autos, o que encontra óbice na Súmula n. 7/STJ. 2. A jurisprudência desta Corte propugna que a revisão do quantum arbitrado para a indenização por danos morais encontra óbice na Súmula n. 7/STJ, somente sendo possível superar tal impedimento nos casos de valor irrisório ou exorbitante. No presente caso, em que a indenização pelos danos morais foi arbitrada em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), não se verifica a exorbitância que justificaria a sua revisão, devendo ser aplicada a Súmula n. 7/STJ a obstaculizar o conhecimento do recurso. 3. Não se revela cognoscível a irresignação deduzida por meio da alínea c do permissivo constitucional, quando a parte agravante não demonstra a divergência nos moldes exigidos pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. É assente nesta Corte Superior que a mera transcrição de ementas e excertos, desprovida da realização do necessário cotejo analítico entre os arestos confrontados, mostra-se insuficiente para comprovar a divergência jurisprudencial ensejadora da abertura da via especial com esteio na alínea c do permissivo constitucional. 4. O mero não conhecimento ou a improcedência de recurso interno não enseja a automática condenação à multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, devendo ser analisado caso a caso. 5. Agravo interno improvido" (AgInt no AREsp 2.333.134/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.