AREsp 2913343 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo por entender que não houve violação do art. 489 do CPC, pois o acórdão recorrido enfrentou de forma clara e suficiente as questões suscitadas (presença do preposto, juntada de três orçamentos, opção pelo menor valor e ausência de previsão para comprovação da realização das reformas), e...
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- Parties
- Preposto Do Locatário: Leonardo Carvalho da Silva
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Negou provimento ao agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Cerceamento De Defesa, Locação E Despejo, Prova Documental, Honorários Advocatícios
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Parties
Leonardo Carvalho da Silva
Preposto Do Locatário
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação ao art. 489, §1º, IV, do CPC (negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Incidência da Súmula n. 7 do STJ - vedação ao reexame do conjunto fático-probatório
- 3 Alegação de cerceamento de defesa em razão de vistoria unilateral e posterior ocupação do imóvel
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo por entender que não houve violação do art. 489 do CPC, pois o acórdão recorrido enfrentou de forma clara e suficiente as questões suscitadas (presença do preposto, juntada de três orçamentos, opção pelo menor valor e ausência de previsão para comprovação da realização das reformas), e porque o reexame da matéria implicaria reanálise do conjunto fático-probatório vedada pela Súmula 7 do STJ; aplicou-se também a Súmula 284/STF quanto à deficiente fundamentação recursal.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoram-se os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da inexistência de violação de lei federal e da incidência da Súmula n. 7 do STJ (fls. 581-584). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 496): APELAÇÃO. LOCAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO C/C COBRANÇA DE ALUGUÉIS. CERTIDÃO DO MANDADO DE VERIFICAÇÃO E IMISSÃO NA POSSE. PRESENÇA DO PREPOSTO DA PARTE APELANTE. VISTORIA FINAL REALIZADA NO MESMO DIA. PROVA DOCUMENTAL JUNTADA, REVELA-SE ADEQUADA A VERSÃO AUTORAL. JUNTADOS TRÊS ORÇAMENTOS. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE REFORMA. SENTENÇA MANTIDA. APELAÇÃO DESPROVIDA. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 516-518). Nas razões do recurso especial (fls. 532-538), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente alegou violação do art. 489, § 1º, IV, do CPC, por negativa de prestação jurisdicional, destacando que, "em vez de promover uma avaliação bilateral, uma produção antecipada de provas ou mesmo uma perícia judicial, a parte Autora e ora Recorrida contentou-se em levar um vistoriador de sua confiança para produzir uma prova unilateral. Não fosse o bastante, não aguardou o deslinde do feito para viabilizar a apuração das alegações dos supostos reparos que seriam necessários no imóvel e não tardou em alugar o bem para terceiros, impossibilitando por completo a ampla defesa e o contraditório da parte Ré" (fl. 537). Afirmou que "nem sequer foi possível à parte Requerida e ora Recorrente apurar a real necessidade da realização de reparos no imóvel em razão do tempo transcorrido e ante a ocupação do imóvel por outros moradores, que já efetuaram alterações no apartamento. A parte Recorrida foi imprudente com o objeto do feito, eis que procedeu inovação no estado de fato de bem sob litígio, afastando a viabilidade da produção de prova pericial pela parte Recorrente" (fl. 537). No agravo (fls. 611-624), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (fls. 642-643). É o relatório. Decido. Inexiste afronta ao art. 489 do CPC quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. De fato, em relação à tese, o Tribunal de origem assim se manifestou (fl. 517): Para que haja o ressarcimento de eventuais danos materiais ocorridos durante a locação do imóvel, cumpria à parte apelada comprovar que tais danos foram causados durante a locação, o que somente seria possível através da vistoria de saída, para a qual o locatário teria de ser cientificado para acompanhá-la, querendo. Porém, neste caso, restou comprovada a presença do Sr. Leonardo Carvalho da Silva, preposto do locatário. A parte apelada realizou a juntada de três orçamentos referentes aos reparos necessários. Sendo cobrado na o valor referente ao menor orçamento, não havendo qualquer irregularidade nos documentos apresentados. Restou mencionado ainda, não haver que se falar em necessidade de comprovar a realização das reformas, diante da ausência de previsão legal e contratual. Dessa forma, da prova documental juntada, revelou-se adequada a versão autoral, sendo desnecessário o enfrentamento das alegações dos supostos reparos que seriam necessários no imóvel. Desse modo, não assiste razão à parte, visto que o Tribunal a quo decidiu a matéria controvertida nos autos, ainda que contrariamente a seus interesses, não incorrendo em nenhum dos vícios previstos no art. 489 do CPC. Além disso, eventual insurgência quanto à ocorrência de cerceamento de defesa não pode ser sustentada apenas com base no art. 489 do CPC, o qual não regula a matéria. Incidente, portanto, a Súmula n. 284/STF, por deficiência na fundamentação recursal. Além disso, dissentir das conclusões do acórdão impugnado implicaria reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em recurso especial, à vista d o disposto na Súmula n. 7 do STJ. Ante o e xposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intime m-se. EMENTA