AREsp 2920675 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque as razões do recurso especial não demonstraram de forma clara e particularizada quais dispositivos de lei federal teriam sido violados, caracterizando deficiência de fundamentação e incidindo o óbice da Súmula n. 284/STF, o que impede o conhecimento do recurso especial.
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- Parties
- Agravante: ADILSON SILVA LTDA.; Agravante: JOSE ADILSON DA SILVA; Agravante: SIMONICA MARIA DE OLIVEIRA E SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (julgamento Na Terceira Turma)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Fundamentação Do Recurso
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Parties
ADILSON SILVA LTDA.
Agravante
JOSE ADILSON DA SILVA
Agravante
SIMONICA MARIA DE OLIVEIRA E SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada (julgamento Na Terceira Turma)
Legal Issues
- 1 Ausência de indicação de dispositivo legal violado
- 2 Aplicação da Súmula 284/STF
- 3 Deficiência de fundamentação do recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque as razões do recurso especial não demonstraram de forma clara e particularizada quais dispositivos de lei federal teriam sido violados, caracterizando deficiência de fundamentação e incidindo o óbice da Súmula n. 284/STF, o que impede o conhecimento do recurso especial.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão da Presidência do STJ que não conheceu do recurso especial com fundamento na Súmula n. 284/STF
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/09/2025 a 15/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro, Daniela Teixeira e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA N. 284/STF . A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por ADILSON SILVA LTDA., JOSE ADILSON DA SILVA e SIMONICA MARIA DE OLIVEIRA E SILVA contra decisão monocrática da presidência do STJ que não conheceu do recurso especial em razão da Súmula n. 284/STF (fls. 325-326). O recurso especial inadmitido foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, c ontra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO assim ementado (fl. 166): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. DECISÃO FUNDAMENTADA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. EXCESSO DE EXECUÇÃO NÃO VERIFICADO. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICO DE JULGADO NO STJ. 1. CABE AO MAGISTRADO APRECIAR A NECESSIDADE DE SUA PRODUÇÃO, OU INDEFERIR AQUELAS CONSIDERADAS INÚTEIS OU PROTELATÓRIAS. 2. O JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE SEM A PRODUÇÃO DA PROVA PLEITEADA PELA PARTE, CONSIDERADA DESNECESSÁRIA PELO JUÍZO, DESDE QUE DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO, NÃO CONFIGURA O CERCEAMENTO DE DEFESA. 3. NO QUE CONCERNE A LEGALIDADE DAS TAXAS COBRADAS PELO APELADO, O MAGISTRADO DE ORIGEM ESCLARECEU QUE A ABUSIVIDADE DEVE TER COMO PARÂMETRO AS TESES FIRMADAS 110 JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL Nº 1.578.553/SP. DESTA FORMA, A ABUSIVIDADE É VERIFICADA QUANDO SERVIÇO COBRADO OU INDENIZADO NÃO TEM ESPECIFICAÇÃO DO TRABALHO A SER EFETIVAMENTE PRESTADO, SENDO POSSÍVEL, AINDA, O CONTROLE DA ONEROSIDADE EXCESSIVA 110 CASO CONCRETO. 4. APELO IMPROVIDO. Nas razões do agravo interno, os agravantes alegam que "comprovaram que o RESP 1578553/SP, utilizado para fundamentar a sentença, não é aplicável ao caso concreto, visto que os AGRAVADOS estão sendo cobrados pela "tarifa de análise de viabilidade econômico-financeira"; "tarifa de registro de garantia"; "tarifa de estruturação de negócios"; e "tarifa de elaboração de aditivo", e o referido dispositivo, em realidade, trata de "tarifa de avaliação do bem dado em garantia" e "tarifa em relação às despesas com o registro do contrato"" (fl. 335). Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, pela submissão do presente agravo à apreciação da Turma. A parte agravada apresentou contrarrazões (fls. 352-357). É, no essencial, o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA N. 284/STF . A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): A irresignação não prospera. A decisão agravada está fundamentada na deficiência das razões recursais, motivo pelo qual foi aplicada a Súmula n. 284/STF para obstar o conhecimento do recurso especial. A despeito de os recorrentes afirmarem que foram devidamente indicados e correlacionados os dispositivos legais infringidos pelo acórdão do Tribunal local, constata-se, da leitura das razões do especial, a simples menção genérica de artigos de lei, o que indica a ausência de técnica própria do recurso especial, que exige a indicação clara e precisa dos artigos de legislação federal supostamente violados, por ser um recurso de fundamentação vinculada, providência não adotada na hipótese em análise, dando azo à aplicação do óbice corretamente aplicado na decisão ora agravada. Ressalte-se que a mera menção ao tema em debate, sem que se aponte com precisão a contrariedade ou a negativa de vigência pelo julgado recorrido, não preenche o requisito formal de admissibilidade recursal. As razões do recurso especial devem exprimir, com transparência e objetividade, os motivos pelos quais o recorrente visa à reforma do julgado, de modo que a "simples menção de normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa no corpo das razões recursais, não supre a exigência de fundamentação adequada do recurso especial, pois dificulta a compreensão da controvérsia. Incidência da Súmula 284/STF". (EDcl no AgRg no AREsp n. 402.314/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 22/9/2015). Diante da deficiência na fundamentação, o conhecimento do recurso especial encontra óbice na Súmula n. 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, cito : 3. Com efeito, a via estreita do Recurso Especial exige demonstração inequívoca da ofensa ao dispositivo inquinado como violado, bem como sua particularização, a fim de possibilitar exame em conjunto com o decidido nos autos, sendo certo que a falta de indicação dos dispositivos infraconstitucionais tidos como violados caracteriza deficiência de fundamentação, em conformidade com o Enunciado Sumular 284 do STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.650.251/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Tuma, DJe 9.9.2020. 4. O Recurso Especial interposto pela alínea "c" do permissivo constitucional deve indicar o dispositivo de lei federal a que foi dada interpretação divergente pelos acórdãos recorrido e paradigma, sob pena de deficiência em sua fundamentação. Incide na espécie também a Súmula 284 do STF. (AgInt no AREsp n. 1.963.297/MS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 24/6/2022.) 2. A falta de particularização do dispositivo de lei federal que tenha sido violado consubstancia deficiência bastante a inviabilizar a abertura da instância especial. Incidência da Súmula n. 284/STF. (AgInt no AREsp n. 2.008.000/DF, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 29/4/2022.) 2. Não há como afastar a incidência analógica do óbice da Súmula 284/STF, uma vez que, nas razões do recurso especial, o recorrente não indicou de modo explícito e particularizado quais seriam os dispositivos de lei violados que amparariam as teses de responsabilidade solidária da 2ª ré e de ocorrência do dano moral. (AgInt no AREsp n. 1.956.043/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 2/3/2022.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.