AREsp 2662948 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque as razões apresentadas não atacaram especificamente e em sua totalidade os fundamentos da decisão agravada, em violação ao princípio da dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/15, e por terem sido apenas alegadas genericamente a inaplicabilidade das Súmulas 284/STF e 7/STJ;...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BANCO BMG S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Decisão De Admissibilidade (não Conhecimento Do Agravo)
- Outcome
- Não conheço do agravo
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
BANCO BMG S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042, Cpc/15) / Decisão De Admissibilidade (não Conhecimento Do Agravo)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial
- 2 incidência das Súmulas 284/STF e 7/STJ
- 3 impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada (art. 932, III, CPC/15)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque as razões apresentadas não atacaram especificamente e em sua totalidade os fundamentos da decisão agravada, em violação ao princípio da dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/15, e por terem sido apenas alegadas genericamente a inaplicabilidade das Súmulas 284/STF e 7/STJ; consequente majoração dos honorários em 10% nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Não conheço do agravo
Orders
- Não conhecer do agravo
- Majorar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem (art. 85, §11, CPC), observado o art. 98, §3º, do CPC, se for o caso
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042, CPC/15), interposto por BANCO BMG S.A., em face de decisão que não admitiu o recurso especial do ora insurgente. No referido julgado, o Tribunal local negou seguimento ao reclamo, com fundamento na ausência de demonstração da alegada vulneração aos dispositivos arrolados (arts. 37 e 52 do CDC e 16 da Lei 7.347/1985), aplicando a Súmula 284/STF, bem como na incidência do óbice da Súmula 7/STJ. Interposto o presente agravo (fls. 1989-2003, e-STJ), no qual a parte agravante alega não ser caso de aplicação dos óbices sumulares, sustentando que demonstrou adequadamente a violação aos dispositivos legais e que não almeja reexame de provas. Remetidos os autos a esta Corte Superior, a Procuradoria-Geral da República exarou parecer pelo não provimento do agravo. É o relatório. Decido. A irresignação não merece prosperar. 1. As razões de agravo violam o princípio da dialeticidade. Infere-se das razões do agravo que a insurgência da parte recorrente quanto ao juízo de admissibilidade realizado na origem não refutou adequadamente todos os fundamentos da decisão agravada. No presente agravo, o insurgente limitou-se a alegar genericamente a inaplicabilidade das Súmulas 284/STF e 7/STJ, sem explicitar de forma específica de que maneira o recurso especial estaria devidamente fundamentado ou como a pretensão não demandaria reexame fático-probatório. Com efeito, a falta de ataque específico a todos os fundamentos da decisão agravada atrai, por analogia, o óbice contido na Súmula 182 desta Corte, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC 73 que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". O agravo em recurso especial que não afasta os fundamentos que levaram a não admissão do recurso não deve ser conhecido, nos termos do artigo 932, III, do CPC/15, que assim dispõe: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; É dever da parte agravante, à luz do princípio da dialeticidade, demonstrar o desacerto da decisão impugnada, atacando especificamente e em sua totalidade o seu conteúdo, nos termos do art. 932, III, do NCPC, o que não ocorreu na espécie, uma vez que as razões apresentadas contra a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não impugnam adequadamente os fundamentos do decisum. Consoante jurisprudência desta Corte, "à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge" (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 26/11/2008). Quanto ao óbice da Súmula 284/STF, o agravante limitou-se a sustentar genericamente que demonstrou a violação aos dispositivos legais e que o Tribunal local não poderia adentrar ao exame do mérito do recurso especial, sem, contudo, especificar de que forma o recurso especial teria sido adequadamente fundamentado e como estaria correlacionada a razão de insurgência com os dispositivos apontados como violados. Nesse sentido, o E. Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que "a simples alusão a dispositivos, desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal, não se mostra suficiente para o conhecimento do recurso especial" (Agravo em Recurso Especial 1871253/DF, Relator Ministro Marco Buzzi, in DJe de 09.08.2022). No que tange à Súmula 7/STJ, o insurgente não logrou demonstrar que a pretensão veiculada no recurso especial prescindia do reexame das premissas fático-probatórias delineadas pelo Tribunal a quo, não fazendo cotejo analítico entre os fatos admitidos no acórdão e suas razões de insurgência. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO COMBATIDA. ART. 932, III, DO CPC/2015. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE NÃO ATENDIDO. O agravo em recurso especial, interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial, que não impugna, especificamente, os fundamentos por ela utilizados não deve ser conhecido. É dever da parte agravante, à luz do princípio da dialeticidade, demonstrar o desacerto da decisão impugnada, atacando especificamente e em sua totalidade o seu conteúdo, nos termos do art. 932, III, do NCPC, o que não ocorreu na espécie, uma vez que as razões apresentadas contra a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não impugna os fundamentos do decisum. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 830.527/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 15/05/2017) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus do qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficientes alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. Para afastar o fundamento da decisão agravada de incidência do óbice da Súmula n. 5/STJ, não basta apenas deduzir alegação genérica de inaplicabilidade do referido óbice ou que a tese defensiva não demanda análise de cláusula contratual. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.103.654/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 5/9/2022.) Inafastável, portanto, o teor da Súmula 182/STJ. 2. Do exposto, não conheço do agravo. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA