AREsp 3203352 - DECISAO
Conheci do agravo por estar tempestivo e formalmente em ordem, conheci também do recurso especial e neguei-lhe provimento por entender inexistente omissão no acórdão recorrido: o Tribunal de origem enfrentou e rebateu os argumentos relevantes, não configurando negativa de prestação jurisdicional, sendo, ademais,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo / Juízo De Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço o agravo para conhecer do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recurso Especial, Art. 1.022 Do CPC Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Fundamentação Judicial (art. 489, §1º, IV, Do Cpc), Súmula N. 7/stj Vedação Ao Revolvimento Do Acervo Fático Probatório, Repetição Do Indébito Em Dobro (art. 42, Parágrafo Único, Do Cdc), Honorários Advocatícios (art. 85, § 11
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Procedural Posture
Agravo / Juízo De Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação ao art. 1.022, II, do CPC (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Obrigação de enfrentar todos os argumentos relevantes segundo art. 489, §1º, IV, do CPC
- 3 Limitação imposta pela Súmula n. 7/STJ ao exame de matéria fático-probatória
Ratio Decidendi
Conheci do agravo por estar tempestivo e formalmente em ordem, conheci também do recurso especial e neguei-lhe provimento por entender inexistente omissão no acórdão recorrido: o Tribunal de origem enfrentou e rebateu os argumentos relevantes, não configurando negativa de prestação jurisdicional, sendo, ademais, matéria de mérito que demandaria revolvimento fático-probatório vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço o agravo para conhecer do recurso especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço o agravo para conhecer do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 2% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§...
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial na origem com fundamento no(s) óbice(s) da(s) ausência de violação do art. 1.022 do CPC e Súmula n. 7 do STJ. Segundo a parte agravante, o recurso preenche os requisitos necessários ao conhecimento e provimento. Intimada nos termos do art. 1.042, § 3º, do Código de Processo Civil (CPC), a parte agravada afirmou a inexistência de requisitos ou elementos aptos a promover a alteração do julgado impugnado. É o relatório. DECIDO. O agravo é tempestivo, nos termos do art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil, encontra-se formalmente em ordem e impugnou específica e suficientemente os óbices invocados pela decisão de inadmissibilidade na origem, razão pela qual passo ao exame do recurso especial, que foi interposto com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a", da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado (fls. 515): "APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO QUE A AUTORA NÃO RECONHECE. SENTENÇA PROCEDENTE. IRRESIGNAÇÃO DAS PARTES. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PARTE RÉ DEVIDAMENTE CONFIGURADA. DEVOLUÇÃO EM DOBRO DOS VALORES DESCONTADOS INDEVIDAMENTE. ART. 42 DO CDC. DANOS MORAIS. INOCORRÊNCIA. RECURSO DO AUTOR DEPROVIDO. DADO PARCIAL PROVIMENTO AO APELO DO RÉU" A parte recorrente alega violação ao(s) seguinte(s) dispositivo(s) legai(s): 1.022, inciso II, do CPC, alegando negativa de prestação jurisdicional. (fls. 577-586) Pois bem. No que tange a alegação de afronta aos artigos 1.022 do Código de Processo Civil, a ofensa ao art. 1.022, II, do Código de Processo Civil se caracteriza quando o órgão julgador, provocado por meio de embargos de declaração, deixa de suprir omissão sobre ponto relevante da controvérsia, cuja análise é indispensável à adequada prestação jurisdicional. De igual modo, o art. 489, §1º, IV, do CPC impõe um dever de fundamentação qualificada, estabelecendo que não se considera fundamentada a decisão judicial que não enfrenta todos os argumentos deduzidos pelas partes capazes, em tese, de infirmar a conclusão adotada. Esses dispositivos visam assegurar que o pronunciamento judicial seja efetivamente resolutivo, transparente e coerente, permitindo o controle pelas instâncias superiores e garantindo a observância ao devido processo legal substancial. Certo é que "Afasta-se a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, pois não se constatam omissão, obscuridade ou contradição nos acórdãos recorridos capazes de torná-los nulos. O colegiado originário apreciou a demanda de forma clara e precisa, deixando bem delineados os fundamentos dos julgados. " (AgInt no AREsp n. 2.441.987/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 17/2/2025, DJEN de 20/2/2025.) Efetivamente, compulsados os autos, colhe-se que a Corte de origem analisou e rebateu, um a um, os argumentos levantados, sendo certo que a ausência de menção a um outro argumento invocado pela defesa não macula o comando decisório se, bem fundamentado, apresenta razões capazes de se sustentar por si. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem assim consignou acerca da devolução em dobro dos valores indevidamente descontados (fls. 525-527): Quanto ao valor disponibilizado na conta do autor, como bem salientado pela nobre sentenciante: "Verifica-se, no Pdf.359, que o valor disponibilizado em favor do requerente sequer permaneceu em sua conta, evidenciando a ocorrência de falha na prestação dos serviços, com grande possibilidade de fraude, imputando responsabilidade ao réu, eis que ele é o responsável pela concessão do crédito, devendo zelar pela segurança dos clientes e pela clareza na prestação de seus serviços, competindo ao banco buscar a máxima eficiência e idoneidade verificando com minucia os documentos utilizados nas diversas modalidades de contratação de seus serviços. .. A Lei Consumerista é clara ao determinar a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente nas relações de consumo, já que previsto no parágrafo único, do artigo 42, do CDC, in verbis: "Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça. Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável." - negritei .. Assim, com razão a nobre sentenciante. A promoção de descontos em benefício previdenciário (ou a sua continuidade), a título de prestações de mútuo e sem a autorização do consumidor, viola a boa-fé objetiva e, na forma do art. 42, parágrafo único, do CDC, enseja a repetição do indébito em dobro. Assim, "Não procede a arguição de ofensa ao 1.022 do CPC, quando o Tribunal Estadual se pronuncia, de forma motivada e suficiente, sobre os pontos relevantes e necessários ao deslinde da controvérsia." (AgInt no REsp n. 1.899.000/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023.) Ressalte-se que não se pode confundir decisão desfavorável aos interesses da parte com negativa de prestação jurisdicional, tampouco fundamentação concisa com ausência de fundamentação. Nesse sentido, destaca-se o seguinte precedente: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. MULTA DIÁRIA. REVISÃO DA NECESSIDADE E DO VALOR FIXADO DEMANDA O REVOLVIMENTO DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. 1. "Não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022). (AgInt no AREsp n. 2.746.371/PE, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 17/3/2025, DJEN de 20/3/2025.) Portanto, constatada a pronúncia expressa e suficiente acerca dos temas indicados como omissos, a questão do direito aplicado é matéria relativa ao mérito recursal, não se podendo cogitar, no presente feito, em prestação jurisdicional defeituosa. Ante o exposto, conheço o agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 2% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA