AREsp 2712568 - DECISAO
O acórdão do STJ apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF; o agravante não impugnou de forma específica todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial (incidindo a Súmula 182/STJ), tampouco demonstrou precedentes ou argumentos aptos a afastar as Súmulas 83 e 7; como o STJ...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Do Cpc)
- Outcome
- Negado seguimento ao recurso extraordinário (art. 1.030, I, a, do CPC).
- Legal Topics
- Admissibilidade De Recursos, Fundamentação Judicial, Súmula 7/stj, Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Tema 339 STF, Tema 181 STF, Repercussão Geral, Negativa De Seguimento
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento (art. 1.030, I, A, Do Cpc)
Legal Issues
- 1 Suficiência da fundamentação do acórdão (art. 93, IX, CF)
- 2 Impugnação específica exigida para agravo em recurso especial (art. 932, III, CPC)
- 3 Incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ como óbices à admissão do recurso especial
Ratio Decidendi
O acórdão do STJ apresentou fundamentação suficiente nos termos do Tema 339 do STF; o agravante não impugnou de forma específica todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial (incidindo a Súmula 182/STJ), tampouco demonstrou precedentes ou argumentos aptos a afastar as Súmulas 83 e 7; como o STJ não apreciou o mérito, faltou repercussão geral ao recurso extraordinário conforme o Tema 181 do STF, motivo pelo qual o seguimento do recurso extraordinário foi negado com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
Negado seguimento ao recurso extraordinário (art. 1.030, I, a, do CPC).
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Publique-se.
Full Case Text
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DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve a decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial, em razão do óbice da Súmula n. 182 do STJ. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fl. 1.000): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. ART. 932, III, DO CPC. SÚMULA Nº 182/STJ. MANUTENÇÃO. 1. Incumbe ao agravante infirmar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissão do apelo nobre, demonstrando o seu desacerto, de modo a justificar o cabimento do recurso especial interposto, sob pena de não ser conhecido o agravo (art. 932, III, do CPC). 2. Quando o recurso especial não é admitido com fundamento na Súmula nº 83/STJ, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida, demonstrando-se que outro é o entendimento jurisprudencial desta Corte, o que não ocorreu no caso. 3. Em relação à Súmula nº 7/STJ, não basta a parte sustentar genericamente que a matéria seria apenas jurídica, sem explicitar, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Precedente. 4. Agravo interno não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.039-1.045). A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 93, IX, e 105, III, a, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta que, apesar da oposição dos embargos declaratórios, o acórdão recorrido seria genérico e teria se limitado a reproduzir as razões da decisão agravada, deixando de se manifestar sobre as teses defensivas que seriam capazes de alterar a conclusão adotada. Afirma que a matéria tratada no recurso especial seria de ordem pública e todos os fundamentos da decisão que o inadmitiu teriam sido especificamente impugnados. Aduz a inaplicabilidade das Súmulas n. 7 e 83 do STJ no caso e faz considerações acerca do mérito da controvérsia originária. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.002-1.006): É assente o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que: "(..) o agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para sua negativa, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2015 e art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ" (AgInt no AREsp 936.883/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 27/9/2016, DJe 7/10/2016). A propósito, o julgamento dos EAREsp nº 746.775/PR, rel. p/ acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, em 19/9/2018, assim ementados: .. Como visto, a Corte Especial, interpretando a Súmula nº 182/STJ, decidiu que ela incide para não conhecer de todo o recurso nas hipóteses em que os recorrentes atacam apenas parte da decisão recorrida, ainda que a parte controvertida seja capítulo autônomo em relação à parte não impugnada. Assim, para o conhecimento do agravo em recurso especial, revela-se necessária a impugnação específica de todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o apelo nobre, sejam eles autônomos ou não, sendo vedada a impugnação parcial. Confira-se: .. No caso em apreço, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial contém capítulo único em que rechaça a apontada violação dos arts. 487, II, do Código de Processo Civil e 206, § 3º, V, do Código Civil, em razão da incidência das Súmulas nºs 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 629-636). A agravante, nas razões do agravo em recurso especial, relata os antecedentes da lide (fls. 654-659), sustenta que não há como revolver a matéria fática "que não foi objeto de apreciação pela Corte de origem" (e-STJ fl. 661), aponta omissão no aresto estadual, reitera as argumentações de violação dos artigos de lei federal (fls. 660-670) e, ao final, apresenta impugnação genérica às Súmulas nº 7 e 83/STJ, nos seguintes termos: "E frise-se, com todas as vênias ao entendimento exarado pela decisão guerreada, os óbices das Súmulas 07 e 83 não incidem no caso em apreço, seja porque não se pode revolver aquilo que, antes, não fora volvido, principalmente quando se observa que o recurso da parte é fundamentalmente alicerçado na negativa de prestação jurisdicional, seja ainda mais porque inobserva a orientação deste c. STJ quanto ao tema vergastado." (e-STJ fl. 670). Constata-se que não foram impugnadas de modo específico os óbices apontados na decisão de inadmissão do apelo nobre, sendo que nem sequer há indicação de omissão do aresto estadual nas razões do recurso especial, tão insistentemente trazida nas razões do agravo em recurso especial, demonstrando tratar-se de argumento insuficiente à reforma do julgado. Registra-se que, quando o recurso especial não é admitido com fundamento na Súmula nº 83/STJ, a impugnação deve indicar precedentes contemporâneos ou supervenientes aos mencionados na decisão combatida, demonstrando-se que outro é o entendimento jurisprudencial desta Corte, o que não ocorreu no caso. Nesse sentido: .. Por outro lado, para a impugnação da incidência da Súmula nº 7/STJ, cabe ao recorrente demonstrar especificamente como a análise da ofensa aos dispositivos legais indicados no apelo nobre não enseja a reapreciação de matéria fática, o que não se observa na presente hipótese. Ou seja, "compete à parte agravante demonstrar de que forma a violação aos artigos suscitada nas razões recursais não depende de reanálise do conjunto fático-probatório - deixando claro, por exemplo, que todos os fatos estão devidamente consignados no acórdão recorrido (Decisão monocrática no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 944.910-GO, RELATOR: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES)." (AgInt no AREsp nº 1.474.472/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 22/10/2019, DJe de 28/10/2019). A propósito: .. Nesse cenário, em obediência às regras processuais, incide o disposto no § 1º do art. 1.021 do Código de Processo Civil. Imperioso mencionar, ainda, que o óbice previsto no dispositivo legal em epígrafe já estava contido na Súmula nº 182/STJ. Do mesmo modo, foi devidamente motivada a rejeição dos embargos de declaração, nos seguintes termos (fls. 1.041-1.044): Verifica-se que o acórdão embargado não padece de nenhum dos vícios ensejadores dos declaratórios enumerados no art. 1.022 do Código de Processo Civil: obscuridade, contradição, omissão ou erro material. A controvérsia foi devidamente solucionada com a utilização do direito cabível à hipótese, havendo expresso posicionamento a respeito da manutenção da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação da aplicação das Súmulas nºs 7 e 83/STJ ao apelo nobre, com indicação dos motivos pelos quais não se considerou combatido tais óbices. O acórdão embargado assim dirimiu a questão: .. Observa-se que não há falar em existência de omissão ou deficiência de fundamentação apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido a questão em sentido contrário à pretensão da parte. A propósito: .. Nesse contexto, ausentes quaisquer dos vícios ensejadores dos aclaratórios, afigura-se patente o intuito infringente da presente irresignação, que objetiva não suprimir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou sanar erro material, mas, sim, reformar o julgado por via inadequada. Anota-se, por outro lado, ser incabível a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC, pois não se verifica, neste momento, o caráter protelatório do recurso nem a prática de ato atentatório à dignidade da justiça, tornando desnecessária sua aplicação. De fato, ocorreu a apresentação de recurso legalmente previsto no ordenamento jurídico, sem abuso do direito de recorrer, o que não demonstra afronta ou descaso com o Poder Judiciário. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.