AREsp 1773430 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficientemente os fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial (falta de refutação quanto à inexistência de interesse recursal e à incidência da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do Enunciado...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: VITORIANO SILVA SANTOS MURRIETA JUNIOR; Recorrido: BANCO DO BRASIL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
- Outcome
- Agravo não conhecido.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica Dos Fundamentos, Enunciado Administrativo 3/stj, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Interesse Recursal, Prescrição
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Parties
VITORIANO SILVA SANTOS MURRIETA JUNIOR
Agravante/recorrente
BANCO DO BRASIL
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Exigência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 2 Incidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ quanto aos requisitos de admissibilidade do CPC/2015
- 3 Aplicabilidade da Súmula 7/STJ como obstáculo ao recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e suficientemente os fundamentos da decisão que não admitiu o recurso especial (falta de refutação quanto à inexistência de interesse recursal e à incidência da Súmula 7/STJ), nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do Enunciado Administrativo n.3/STJ, com aplicação, por analogia, da Súmula 182/STJ.
Court Disposition
Agravo não conhecido.
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de decisão que não admitiu recurso especial de VITORIANO SILVA SANTOS MURRIETA JUNIOR fundado nasalíneas "a" e "c" do permissivo constitucional interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, assim ementado: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. INDENIZATÓRIA. COMPETÊNCIA JUSTIÇA ESTADUAL. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PRESCRIÇÃO. DECRETO 20.910/1932. INAPLICABILIDADE. REGRA GERAL. ARTIGO 205 CÓDIGO CIVIL. TEORIA DA ACTIO NATA. TERMO INICIAL. CÓDIGO DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INVIABILIDADE. DESCONTOS NA CONTA PASEP. REGULARIDADE. DANO MATERIAL INEXISTENTE. 1. Compete à Justiça Estadual processar e julgar os feitos cíveis relativos ao PASEP, cujo gestor é o Banco do Brasil (STJ, Conflito de Competência 161.590/PE). 2. O Banco do Brasil possui legitimidade para compor o polo passivo da demanda em que se discute a existência de saldo a menor na conta vinculada ao PASEP, porquanto ostenta a função de administrador dos recursos. 3. Sendo o Banco do Brasil sociedade de economia mista, não se aplica a regra de prazo prescricional insculpida no Decreto 20.910/1932. 4. Aplica-se o prazo prescricional de dez anos, previsto no art. 205 do Código Civil, às ações em que se discutem os alegados desfalques na conta PASEP, em razão da inexistência de norma específica. O termo inicial da contagem do prazo nasce quando o titular do direito violado conhece do fato e de seus efeitos, como preleciona a teoria da actio nata. Não ultrapassado o prazo de dez anos entre a data em que os autores conheceram do fato (saque) e a data do ajuizamento da ação, rejeita-se a prejudicial de prescrição. 5. Tratando-se de demanda acerca de suposta falha na prestação de serviços pela instituição financeira, de rigor a incidência do Código de Defesa do Consumidor. 6. Descabida a inversão do ônus da prova quando não vislumbrada a hipossuficiência do consumidor. 7. Não comprova o direito do autor planilhas de cálculo com índices destoantes dos determinados pelo Conselho Diretor do Fundo PIS-PASEP. 8. Não demonstrado pelo autor o fato constitutivo de seu direito, a teor do que dispõe o art. 373, I do CPC, de rigor a improcedência do pedido. 9. Deu-se provimento ao apelo para julgar improcedente o pedido autoral. No recurso especial, a parte recorrente alega, além do dissídio jurisprudencial,violação dos arts. 5º da Lei Complementar n. 08/1970, 186 e 927 do Código Civil, aduzindo que".. é inequívoca a relação entre o que pleiteado pela parte Autora, que é a restituição de valores alegadamente subtraídos de sua conta do PASEP, e a função de administrador desse montante, atribuída por meio do Art. 5º, da Lei Complementar 08/1970 e art. 10, do Decreto 4.751/2003, ao Recorrido, razão pela qual o Bando do Brasil é parte legítima do polo passivo da demanda. No caso vertente, os benefícios PASEP deixaram de ser corrigidos e remunerados com juros, sem qualquer justificativa fática ou jurídica, de forma que se impõe ao Banco do Brasil a sua culpa ou dolo, na forma dos arts. 186 e 927, do Código Civil, sendo certo que incumbe ao Recorrido a administração do fundo, nos termos do art. 5º da Lei Complementar 08/1970." (fl. 337 e-STJ) Sobreveio juízo negativo de admissibilidade fundada na: (a) inexistência de interesse recursal; e (b) incidência daSúmula7/STJ. Houve contrarrazões. Insurge a parte agravante contra essa decisão, afirmando que, ao contrário do que supõe o juízo de admissibilidade, o recurso especial reúne condições de ser processado. Foi ofertada contraminuta. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Não conheço do agravo, por ausência de refutação da motivação utilizada no juízo de admissibilidade. Da análise da petição de agravo de fls. 359/365e-STJ, verifica-se que a agravante replica as argumentações aventadas nas razões recursais,não impugnandode forma específicaofundamentoda decisão agravada relacionada à incidência ao interesse recursal, vinculada à suposta violação doart 5º da LeiComplementar n. 08/1970, bem como da incidência da Súmula 7/STJ, relacionada à suposta violação dos arts. 186 e 927 do Código Civil. Dessa forma, não é possível conhecer do presente agravo, pois carece de fundamentação, atraindo as consequências previstas no art. 932, III, do CPC/2015, segundo o qual não se conhecerá do agravo que não tenha atacado específica e suficientemente todos os fundamentos da decisão agravada. A jurisprudência do STJ é assente no sentido de que a impugnação à fundamentação contida na decisão agravada deve ser específica e suficientemente fundamentada, não se admitindo impugnação genérica. In verbis: Art. 932. Incumbe ao relator: I - dirigir e ordenar o processo no tribunal, inclusive em relação à produção de prova, bem como, quando for o caso, homologar autocomposição das partes; II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência originária do tribunal; III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; Ressalte-se, também, que o caso atrai a aplicação, por analogia, da Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do artigo 545 do Código de Processo Civil que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO NÃO CONHECIDO.