AREsp 1896655 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, conforme exige o art. 932, III, do NCPC (art. 544, § 4º, I, do CPC/73), em especial quanto à incidência da Súmula nº 7 do STJ e à vedação de o STJ conhecer de alegada violação de...
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- Parties
- Agravada: JÉSSICA BORGES LEMES (JÉSSICA); Agravante: RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIÁRIA 363 - SPE LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pela Terceira Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Súmula Nº 7 Do STJ, Art. 932, III, NCPC
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Parties
JÉSSICA BORGES LEMES (JÉSSICA)
Agravada
RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIÁRIA 363 - SPE LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgado Pela Terceira Turma
Legal Issues
- 1 Aplicação do NCPC a recursos interpostos com fundamento no CPC/2015
- 2 Exigência de impugnação específica aos fundamentos da decisão denegatória de admissibilidade de recurso especial
- 3 Incidência da Súmula nº 7 do STJ como óbice à admissibilidade
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, conforme exige o art. 932, III, do NCPC (art. 544, § 4º, I, do CPC/73), em especial quanto à incidência da Súmula nº 7 do STJ e à vedação de o STJ conhecer de alegada violação de dispositivos constitucionais.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
- Mantida decisão que não conheceu do agravo em recurso especial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Ricardo Villas Bôas Cueva e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDEDO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (que não cabe recurso especial contra violação de dispositivos constitucionais eincidência da Súmula nº 7 do STJ). 3.Agravo interno não provido.
RELATÓRIO JÉSSICA BORGES LEMES (JÉSSICA) ajuizou ação de resilição contratual contra RODOBENS INCORPORADORA IMOBILIÁRIA 363 - SPE LTDA. (RODOBENS) decorrente de contrato de compromisso de compra e venda de imóvel firmado entre as partes. Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente para determinar o pagamento de indenização, apenas e tão somente, do valor correspondente às acessões realizada no imóvel, a ser apurado no momento oportuno, por perícia, quando da liquidação da sentença. Na ocasião,RODOBENS foi condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, estes fixados em 10% sobre o valor total devido (e-STJ, fls. 208/212). A apelação interposta por RODOBENS não foi provida peloTribunal de Justiça de São Paulo, nos termos do acórdão relatado pelo Des. MÁRIO A. SILVEIRA,assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL - Interposição contra sentença que julgou parcialmente procedente ação de restituição de parcelas pagas e benfeitorias feitas no imóvel em construção. Alienação fiduciária de imóvel.Consumidor que se sujeita aos termos da Lei nº 9.514/97. Indenização por acessões.Hipótese que não se confunde com a realização de benfeitorias. Direito de indenização advindo dos artigos 1.248, V e 1.255, ambos do Código Civil. Honorários advocatícios majorados nos termos do artigo 85, parágrafo 11, do Código de Processo Civil. Sentença mantida apelação não provida(e-STJ, fl. 262). Os embargos de declaração opostos por RODOBENS foram rejeitados (e-STJ, fls. 282/286). Inconformada, RODOBENSinterpôs recurso especial com fulcro no art. 105, III, a e c, da CF, apontando violação doart. 27, § 4º, da Lei nº 9.514/97, ao sustentar a (1) impossibilidade de devolução de acessões;(2) violação do princípio pacta sunt servanda; e (3)demonstrou o dissídio jurisprudencial. O apelo nobre não foi admitido pelo TJSP em virtude da a) impossibilidade de manejo de recurso especialcontra violação de dispositivos constitucionais; b)) não demonstração da alegada vulneração aos dispositivos arrolados;c)incidência daSúmulanº7do STJ; e d) ausência de comprovação do dissídio jurisprudencial(e-STJ, fls. 333/336). Seguiu-se o agravo em recurso especial interposto por RODOBENSque, em decisão monocrática da relatoria do Ministro Presidente do STJ, não foi conhecido, com amparo no art. 21-E, V, c/c 253, parágrafo único, I, do RISTJ, porque não foi atacadoespecificamente ofundamentoda decisão agravadaquanto aincidência da Súmula nº 7do STJ (e-STJ, fls. 366/368). Nas razões do presente agravo interno, RODOBENSsustentou que impugnou todos os fundamentos, inclusivea incidência da Súmula nº 7do STJ. Não foi apresentada impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDEDO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (que não cabe recurso especial contra violação de dispositivos constitucionais eincidência da Súmula nº 7 do STJ). 3.Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Da análise do presente inconformismo se verifica que o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra todos osfundamentos da decisão que inadmitiu o apelo nobre, pois RODOBENS, na ocasião, não refutou, de forma arrazoada, o não cabimento de recurso especial contra violação de dispositivos constitucionais; e a incidência da Súmula nº 7do STJ. E isso não fez porque se limitoua repisar as razões do recurso especial, bem como alegar que(1) houve a violação dos dispositivos apontados no recurso especial; (2) foram preenchidos todos os requisitos de admissibilidade; e (3) a divergência foi devidamente comprovada. Cumpre registrar que, na hipótese em que se pretende impugnar, no agravo em recurso especial,a incidência da Súmula nº 7do STJ, deve o agravante não apenas mencionar que referido enunciado deve ser afastado, mas também demonstrar que a solução da controvérsia independe do reexame dos elementos de convicção dos autos, soberanamente avaliados pelas instâncias ordinárias, não sendo suficiente a impugnação genérica ou a reiteração das razões expostas no recurso especial. Ademais, na hipótese em que se pretende impugnar, no agravo em recurso especial, o fundamento de que não cabe o apelo nobre contra violação de dispositivos constitucionais, deve o agravante comprovar que não é cabível sua contrariedade, argumentando haver necessidade de apreciação apenas de temas relativos à legislação infraconstitucional. Isso porque refoge à competência do Superior Tribunal de Justiça analisar suposta contrariedade a normas constitucionais, sob pena de invasão de competência do STF. Desse modo, observa-se que o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente os óbices anteriormente mencionados, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. Conforme já decidiu o STJ: .. à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge. (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 26/11/2008 - sem destaque no original) Por isso, o agravo em recurso especial não se mostrou viável, uma vez que apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/1973), devendo ser mantida a decisão agravada. Nesse sentido, seguem os precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 2. Consoante o entendimento da Segunda Seção do STJ, nas hipóteses de não conhecimento ou de improvimento dos recursos interpostos na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é cabível o arbitramento dos honorários advocatícios recursais, ante a incidência da norma do art. 85, § 11, do referido diploma processual. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.620.321/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 30/3/2020, DJe 6/4/2020) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.JUROS REMUNERATÓRIOS. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. .. 4. Nos termos dos artigos 932, inciso III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, do artigo 259 do Regimento Interno do STJ e da Súmula 182/STJ, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 5. Tese mencionada no agravo interno, mas não ventilada no recurso especial, não merece conhecimento por configurar inovação argumentativa. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.643.618/DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 23/3/2020, DJe 26/3/2020) Assim, como RODOBENS não demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, já que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.