AREsp 1694393 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte recorrente não impugnou especificamente o óbice apontado pela Presidência quanto à incidência das Súmulas 7 e 211 do STJ e das Súmulas 282 e 356 do STF, incorrendo na hipótese prevista no art. 932, III, do CPC/2015 e na interpretação consolidada pela Súmula...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (quarta Turma)
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmulas Do STJ E STF
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Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (quarta Turma)
Legal Issues
- 1 Preenchimento do ônus de impugnação específica dos fundamentos da decisão que não admite recurso especial
- 2 Aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e da Súmula 182/STJ por analogia
- 3 Incidência de súmulas impeditivas (Súmulas 7 e 211 do STJ e 282 e 356 do STF) como óbice à admissibilidade do recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a parte recorrente não impugnou especificamente o óbice apontado pela Presidência quanto à incidência das Súmulas 7 e 211 do STJ e das Súmulas 282 e 356 do STF, incorrendo na hipótese prevista no art. 932, III, do CPC/2015 e na interpretação consolidada pela Súmula 182/STJ de que é necessária a impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI: Trata-se de agravo interno interposto contra decisão por meio da qual a Presidência desta Corte não conheceu do recurso especial, em vista da aplicação das Súmulas 7 e 211 do STJ, e 356 do STF. Em suas razões, a parte recorrente alega que a decisão agravada "se reporta expressamente ao v. acórdão proferido em agravo interno que negou o pedido de efeito suspensivo ao agravo de instrumento interposto pelos ora agravantes, contra a r. decisão de primeiro grau que homologou o laudo pericial e deu prosseguimento à ação de execução " (e-STJ, fl. 760). Afirma que: "a r. decisão monocrática, quando se propõe a impugnar os termos do agravo em recurso especial, não o fez de forma detida, entendendo se tratar o recurso de agravo em recurso especial contra o v. acórdão que negou o efeito suspensivo ao agravo de instrumento, quando é manifesto que o recurso especial e respectivo agravo foram interpostos contra o v. acórdão que analisou o mérito e negou provimento ao agravo de instrumento" (e-STJ, fl. 761). A parte agravada apresentou impugnação (e-STJ, fls. 767 - 771), ponderando pela aplicação das Súmulas 282 e 356 do STF, e 7 do STJ à hipótese. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO POR ANALOGIA. ENTENDIMENTO DA CORTE ESPECIAL. 1. Nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil/2015, não se conhece de agravo cujas razões não impugnam especificamente o fundamento da decisão agravada. Aplicação, por analogia, do enunciado n. 182 da Súmula do STJ. 2. Em atenção ao princípio da dialeticidade, cumpre à parte recorrente o ônus de evidenciar, nas razões do agravo em recurso especial, o desacerto da decisão recorrida. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI (Relatora): Observo que os argumentos desenvolvidos pela agravante não comportam acolhimento. Da análise das razões despendidas no agravo em recuso especial (e-STJ, fls. 759 - 762), saliento que, a parte recorrente não impugnou especificamente o óbice consistente na incidência das Súmulas 7 e 211 do STJ e 282/STF, aplicado pela decisão de admissibilidade do recurso especial proferida pela Presidência desta Corte superior, limitando-se a aduzir, de forma genérica, que a respectiva decisão analisou o recurso de forma equivocada, o que não prospera. A propósito, a Corte Especial do STJ, em julgamento recente, manteve o entendimento de que o recorrente deve impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ (Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 746.775/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, julgamento em 19.9.2018, DJe 30/11/2018). Nesse precedente, o Colegiado, por maioria, negou provimento aos embargos de divergência e manteve a decisão da Segunda Turma do STJ, que não conheceu do agravo, por aplicação da Súmula 182/STJ, já que o agravante não atacou todos os pontos da decisão que não admitiu o recurso especial. Conforme o voto vencedor, tanto no CPC de 1973 quanto no de 2015 há regra que remete às disposições mais recentes do Regimento Interno do STJ, no sentido da obrigatoriedade da impugnação de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial. Para o Ministro relator, não há possibilidade de impugnação parcial da decisão que deixa de admitir recurso especial, já que tal decisão é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade. A não obediência a essa regra implicaria o exame indevido de questões (já atingidas pela preclusão consumativa, decorrente da inércia da parte agravante em contestar no momento oportuno), pois o conhecimento do agravo obriga o STJ a conhecer de todos os fundamentos do recurso especial. O mencionado julgado ficou assim ementado: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/9/2018, DJe 30/11/2018) Em face do exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.