AREsp 2383313 - ACORDAO
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e destacada, o fundamento da decisão agravada, descumprindo o ônus da dialeticidade previsto no art. 1.021, §1º, do CPC/2015, de modo que se aplica a Súmula 182/STJ; além disso, a decisão agravada havia invocado a Súmula...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DE ANTAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento Em Sessão Virtual (07/05/2024 a 13/05/2024)
- Outcome
- Agravo interno não conhecido.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica De Fundamentos, Súmula 182/stj, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios
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Parties
MUNICIPIO DE ANTAS
Agravante
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento Em Sessão Virtual (07/05/2024 a 13/05/2024)
Legal Issues
- 1 Impugnação específica ao fundamento da decisão agravada
- 2 Aplicabilidade da Súmula 182/STJ ao agravo interno
- 3 Aplicabilidade da Súmula 284/STF por ausência de indicação de dispositivos federais
Ratio Decidendi
O agravo interno não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e destacada, o fundamento da decisão agravada, descumprindo o ônus da dialeticidade previsto no art. 1.021, §1º, do CPC/2015, de modo que se aplica a Súmula 182/STJ; além disso, a decisão agravada havia invocado a Súmula 284/STF em razão da deficiência de fundamentação do recurso especial.
Court Disposition
Agravo interno não conhecido.
Orders
- Agravo interno não conhecido.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 07/05/2024 a 13/05/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Caso no qual a decisão agravada conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especial, em razão do óbice contido na Súmula n. 284/STF. Contudo, nas razões do agravo interno, o agravante não impugnou, de forma específica, o fundamento da decisão agravada. 3. A falta de impugnação específica do fundamento da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo interno, nos termos do art. 1021, §1º, do CPC/2015. Incidência da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Agravo interno não conhecido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão de f. 701-702 proferida pela Presidência desta Corte, a qual conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especia l. A decisão agravada teve por fundamento a incidência da Súmula 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. O agravante alega "no presente caso, nota-se que a decisão monocrática não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pela julgadora, uma vez que no presente caso não se discute qualquer dos pressupostos fáticos envolvidos na questão, mas sim o direito e a contrariedade às disposições contidas no Código de Processo Civil, no que tange à questão processual e ao ônus e valoração da prova. Como se vê, a controvérsia gira em torno da comprovação do exercício para além de sua jornada semanal de trabalho" (f. 709). Prossegue sustentando que "a decisão combatida pretende fazer crer que a Parte Agravante não delimitou os dispositivos de Lei Federal maculados, incorrendo no óbice da súmula 284 do STF. Ocorre que, não merece ser mantida a referida decisão. Inicialmente, merece ser rechaçada a decisão referida porquanto a primeira tese levantada pelo Recurso Especial é relativa à divergência jurisprudencial. Como bem demonstrado no Recurso indigitado, diversos julgados proferidos por esta Corte Superior podem servir de paradigma para o cotejamento jurisprudencial no presente caso, tendo em vista tratar-se de matéria e corrente sedimentada" (f. 709). Defende, ainda, que, "da análise da decisão vergastada tem-se que a Ilustre Ministra Relatora não só deixou de conhecer o recurso do Recorrente, como também, determinou a majoração dos honorários sucumbenciais. Ocorre que o recurso foi interposto unilateralmente pelo Município Agravante, não podendo este ser prejudicado no exercício do acesso ao duplo grau de jurisdição" (f. 722). Sem impugnação. Às f. 735-740, parecer do MPF, em que se manifesta pelo improvimento do agravo interno. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AO FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. Caso no qual a decisão agravada conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especial, em razão do óbice contido na Súmula n. 284/STF. Contudo, nas razões do agravo interno, o agravante não impugnou, de forma específica, o fundamento da decisão agravada. 3. A falta de impugnação específica do fundamento da decisão agravada inviabiliza o conhecimento do agravo interno, nos termos do art. 1021, §1º, do CPC/2015. Incidência da Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Agravo interno não conhecido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. A Presidência desta Corte Superior conheceu do agravo, para não conhecer do recurso especial, com supedâneo na Súmula n. 284/STF, tendo por base a seguinte fundamentação (f. 701-702): .. Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 02 e n. 03, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. Mediante análise do recurso de MUNICIPIO DE ANTAS, verifica-se que incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais federais que teriam sido violados ou quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Também, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Entretanto, o agravante não impugnou, especificamente, o fundamento da decisão agravada, visto que se limitou a arguir, genericamente, o seguinte (fl.708-709): .. Trata-se no presente caso de decisão proferida monocraticamente em sede de Agravo contra decisão que inadmitiu recurso especial, na qual esta Ilustre Eminente Ministra Relatora não conheceu do recurso interposto. .. Pois bem, no presente caso, nota-se que a decisão monocrática não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pela julgadora, uma vez que no presente caso não se discute qualquer dos pressupostos fáticos envolvidos na questão, mas sim o direito e a contrariedade às disposições contidas no Código de Processo Civil, no que tange à questão processual e ao ônus e valoração da prova. Como se vê, a controvérsia gira em torno da comprovação do exercício para além de sua jornada semanal de trabalho. Outrossim, superando a questão acima, o Tribunal a quo, com todo respeito, fundamentou sua decisão sem analisar corretamente a matéria alegada, notadamente sobre a ausência de comprovação do efetivo labor extraordinário, seja por ausência de documentos probatórios, seja por não possuir fundamentos jurídicos validos para ensejar o provimento dos pedidos feitos, e por este motivo o presente recurso merece prosperar.5. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL Em síntese a decisão combatida pretende fazer crer que a Parte Agravante não delimitou os dispositivos de Lei Federal maculados, incorrendo no óbice da súmula 284 do STF. Ocorre que, não merece ser mantida a referida decisão. Inicialmente, merece ser rechaçada a decisão referida porquanto a primeira tese levantada pelo Recurso Especial é relativa à divergência jurisprudencial. Como bem demonstrado no Recurso indigitado, diversos julgados proferidos por esta Corte Superior podem servir de paradigma para o cotejamento jurisprudencial no presente caso, tendo em vista tratar-se de matéria e corrente sedimentada. .. Como visto, no que diz respeito à Súmula 284/STF, a deficiência na argumentação recursal foi considerada em vista de que, na análise das razões recursais, não se delimitou o dispositivo legal objeto de violação e/ou de interpretação divergente entre tribunais. Com efeito, para impugnar tal entendimento, cabia à parte agravante transcrever, especificamente, os trechos correspondentes do seu arrazoado, no sentido de efetivamente comprovar que seu recurso especial foi fundamentado de forma correta, o que não restou demonstrado. Assim, aplica-se ao caso o disposto no art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, ante o descumprimento do ônus da dialeticidade, de forma que incide à hipótese a Súmula 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO AGRAVADA. FUNDAMENTOS. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. GRATUIDADE JUDICIÁRIA. INDEFERIMENTO. RECOLHIMENTO DO PREPARO. PEDIDO. INCOMPATIBILIDADE. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015 e da Súmula 182 do STJ, o agravante deve infirmar, nas razões do agravo interno, os fundamentos da decisão impugnada, sob pena de não ser conhecido o seu recurso. 2. Hipótese em que os recorrentes não se desincumbiram do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, os motivos da decisão ora agravada. 3. O regular recolhimento do preparo do recurso especial é ato incompatível com o pedido de gratuidade de justiça. Precedentes. 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 2.318.133/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 17/11/2023.) (Grifei). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. APLICAÇÃO. AGRAVO INTERNO NÃO CONHECIDO. 1. A decisão ora recorrida deu provimento ao recurso especial da parte contrária aplicando entendimento consolidado nesta Corte Superior acerca da possibilidade de alegação, a qualquer momento, de matéria de ordem pública, neste caso, a impenhorabilidade de bem de família. 2. Neste recurso, a parte agravante não rebate as razões expostas na decisão que visa a impugnar, limitando-se a afirmar a impossibilidade de conhecimento do recurso especial, não se referindo ao tema de mérito. 3. Aplicável ao caso em questão a Súmula 182 do STJ, segundo a qual "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". 4. Agravo interno não conhecido. (AgInt no AREsp n. 1.560.781/SE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023.) (Grifei). Por fim, é de se registrar que, consoante jurisprudência desta Corte, a majoração dos honorários advocatícios sucumbenciais, nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, por se tratar de matéria de ordem pública, pode ser realizada de ofício pelo juiz, independentemente de requerimento das partes, não se verificando reformatio in pejus (v.g.: REsp n. 1.811.792/SP, relatora Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 5/5/2022). Ante o exposto, não conheço do agravo interno. É como voto.