AREsp 2578320 - DECISAO
Não conhecer do agravo em recurso especial porque a agravante deixou de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, incidindo o art. 932 do CPC/2015 e a Súmula n. 182 do STJ; a decisão que não admite recurso especial é unitária e deve ser impugnada em sua integralidade.
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE PERNAMBUCO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo (art. 932 Cpc/2015)
- Outcome
- Agravo em Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Contratação Temporária, Piso Nacional Do Magistério, Súmula 182/stj, Ônus Da Prova (art. 383, II Cpc/15)
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Parties
ESTADO DE PERNAMBUCO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo (art. 932 Cpc/2015)
Legal Issues
- 1 Se o agravo impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada
- 2 Aplicabilidade do Piso Nacional do Magistério a servidores temporários (mérito, tratado no acórdão do TJPE)
- 3 Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932 do CPC/2015 sobre agravo que não ataca fundamentação
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo em recurso especial porque a agravante deixou de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, incidindo o art. 932 do CPC/2015 e a Súmula n. 182 do STJ; a decisão que não admite recurso especial é unitária e deve ser impugnada em sua integralidade.
Court Disposition
Agravo em Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial
- Majorar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado (art. 85, § 11, CPC)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ESTADO DE PERNAMBUCO contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA daquela Unidade Federativa, que inadmitiu recurso especial apresentado em face de acórdão prolatado na Apelação n. 0001134-44.2021.8.17.2470, assim ementado: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA POR EXCEPCIONAL INTERESSE PÚBLICO. OBSERVÂNCIA AO ART. 37, IX, DA CRFB/88. CONTRATO VÁLIDO. DIFERENÇA REMUNERATORIA PARA ATENDIMENTO DO PISO NACIONAL DOMAGISTÉRIO COM OS DEVIDOS REFLEXOS. CABIMENTO. NECESSÁRIA OBSERVÂNCIA DA LEI FEDERAL Nº 11.738/2008. AUSÊNCIA DE VULNERAÇÃO À SÚMULA VINCULANTE Nº 37 DO STF. ATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO DO AUTOR. ÔNUS DA PROVA PERTENCENTE AO RÉU. ART. 383, II DO CPC/15. RECURSO PROVIDO. 1. A contratação por prazo determinado, prevista no art. 37, IX, da Constituição Federal, constitui forma excepcional de admissão de agentes públicos pela Administração para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público. 2. Consoante a tese firmada pelo STF, em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (Tema nº 612): "para que se considere válida a contratação temporária de servidores públicos, é preciso que: a) os casos excepcionais estejam previstos em lei; b) o prazo de contratação seja predeterminado; c) a necessidade seja temporária; d) o interesse público seja excepcional; e) a contratação seja indispensável, sendo vedada para os serviços ordinários permanentes do Estado que estejam sob o espectro das contingências normais da Administração". (STF -RE 658026, Relator(a): Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 09/04/2014, Acórdão Eletrônico Repercussão Geral -Public 31-10-2014). 3. Recentemente, revisitando a temática da contratação temporária, também em regime de repercussão geral (Tema nº 551), o Pretório Excelso entendeu que: " Servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, salvo ()) expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário, ou (I)) comprovado desvirtuamento da contratação temporária pela Administração Pública, em razão de sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações". (STF -RE 1066677, Relator(a): Min. Marco Aurélio, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2020, Public. 01-07-2020). 4. Nesse cenário, se não houver de se falar em nulidade do contrato temporário no caso concreto, apenas é possível cogitar-se a concessão de férias remuneradas acrescidas do terço constitucional e a gratificação natalina ao servidor contratado se houver previsão legal e/ou contratual nesse sentido. 5. Contratado validamente para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF), na função de Professor, a parte autora faz jus à percepção de remuneração em conformidade com o Piso Nacional do Magistério previsto na Lei Federal nº 11.738/2008, em valor proporcional a jornada laborada de 200 horas, com os devidos reflexos nas férias, acrescidas do terço constitucional, e na gratificação natalina, vez que a referida legislação não traz qualquer distinção entre os servidores efetivos e os contratados por tempo determinado para fins de aplicação do piso da categoria. 6. A legislação do Estado de Pernambuco expressamente estende aos contratados temporariamente o direito a férias e à gratificação natalina, consoante se infere do artigo 10 da Lei Estadual nº 14547/2011, com redação dada pela Lei nº 14.885/2012. 7. lnexiste, na hipótese, qualquer vulneração à Súmula Vinculante nº 37, do Supremo Tribunal Federal, porquanto a sentença de sobreposição limita-se a compelir o Ente Estatal a observar as disposições constantes na legislação de regência (Lei Federal nº 11.738/2008). 8. Competia ao réu, a teor do disposto no art. 383, II do CPC/15, demonstrar oportunamente o efetivo e integral pagamento dos valores devidos, o que, in casu, não ocorreu. 9. Descabe exigir do autor prova negativa, ou seja, de que não teria percebido as verbas pleiteadas. 10. Os juros moratórios e a correção monetária incidentes sobre a condenação devem observar os parâmetros estabelecidos nos Enunciados Administrativos n 08, 11, 15 e 20 da Seção de Direito Público do TJPE SDP/TJPE, aplicando-se, todavia, a partir do dia 09.12.2021, a taxa SELIC, que abarca, a um só tempo, os juros de mora e a correção monetária, nos moldes do art. 3" da Emenda Constitucional nº 113/2021. 11. Apelação provida. O ESTADO DE PERNAMBUCO opôs embargos de declaração, que foram rejeitados pela Corte de origem (fls. 134-142). Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal de 1988, alegando violação do disposto no art. 2º e 5º, da Lei n. 11.738/2008, pugnando pela inaplicabilidade da referida norma, visto se tratar de servidor temporário, inexistindo legislação estadual que equipare tal categoria aos professores efetivos, de forma que não deve ser aplicado o mencionado piso salarial. O apelo nobre foi inadmitido no Tribunal a quo, o que ensejou a interposição do presente Agravo em Recurso Especial (fls. 222-228). O Ministério Público Federal apresentou parecer opinando pelo não conhecimento do agravo, visto que o recurso não impugnou o fundamento do não cabimento de Recurso Especial em virtude de se tratar de matéria constitucional (fls. 266-272). É o relatório. Decido. A Corte de origem não admitiu o apelo nobre pelos seguintes fundamentos: a) inadequação da via do recurso especial, porque se trata de discussão de matéria constitucional; e b) deficiência na fundamentação recu rsal, visto que o Recorrente não desenvolveu, de maneira objetiva, os argumentos aptos a demonstrar especificamente a suposta contrariedade a dispositivos de lei federal. Todavia, a parte Agravante, nas razões do agravo em recurso especial, não impugnou, de maneira específica, a fundamentação atinente ao ponto "a", deixando de se manifestar acerca do capítulo da decisão recorrida que discorreu sobre a necessidade de adentrar em discussão de caráter constitucional. Por conseguinte, aplicam-se, à hipótese dos autos, o art. 932, inciso III, do CPC/2015 e a Súmula n. 182 do STJ, in verbis: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ilustrativamente: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Por fim, esclareço que a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o provimento judicial que não admite o recurso especial não é constituído por capítulos autônomos, mas, sim, por dispositivo único. Dessa forma, nas hipóteses tais como a presente, nas quais a parte agravante não se insurge de maneira adequada contra qualquer um dos fundamentos que alicerçam a inadmissibilidade, é inviável conhecer do agravo em recurso especial na integralidade. A propósito, a ementa do mencionado julgado: .. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Em atenção ao disposto no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já arbitrado (fl. 70), respeitados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, bem como eventual concessão da gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. MINUTA DE AGRAVO QUE NÃO INFIRMA ESPECIFICAMENTE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.