REsp 2093557 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque: (i) a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 foi apresentada de forma genérica e sem demonstrar a omissão específica e sua relevância para novo julgamento (incidência da Súmula 284/STF); (ii) eventual exame do art. 97 do CTN configuraria tema constitucional de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (ag. Interno Negado Provimento)
- Outcome
- Agravo interno não provido (negar provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Art. 97 Do CTN, Competência Do STF (art. 102, Iii), Interpretação De Norma Infralegal (in SRF 327/2007; Decreto 6.759/2009), Súmulas 283 E 284/stf, Base De Cálculo Do Valor Aduaneiro
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Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (ag. Interno Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 formulada de modo genérico
- 2 Possibilidade de exame do art. 97 do CTN em recurso especial
- 3 Revisão de interpretação de normas infralegais (IN SRF 327/2007; Decreto 6.759/2009) por meio de recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque: (i) a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 foi apresentada de forma genérica e sem demonstrar a omissão específica e sua relevância para novo julgamento (incidência da Súmula 284/STF); (ii) eventual exame do art. 97 do CTN configuraria tema constitucional de competência do STF, vedado ao STJ; (iii) a controvérsia foi decidida pela Corte de origem com base em normas infralegais (IN SRF 327/2007 e Decreto 6.759/2009), cuja interpretação não é examinável em recurso especial; e (iv) o recorrente não impugnou fundamento do acórdão suficiente para mantê-lo (Súmula 283/STF), razão pela qual o agravo interno não merece provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negar provimento ao agravo interno)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/08/2024 a 26/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ART. 97 DO CTN. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. APRECIAÇÃO DO TEMA PELA CORTE DE ORIGEM COM ESTEIO EM NORMA INFRALEGAL. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO CONTIDO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem demonstrar qual questão de direito não foi abordada no acórdão proferido em sede de embargos de declaração e a sua efetiva relevância para fins de novo julgamento pela Corte de origem. Incide à hipótese a Súmula 284/STF. 3. O art. 97 do CTN é a reprodução do princípio da legalidade tributária, revelando-se incabível o exame de eventual ofensa a tal dispositivo, sob pena de usurpação da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, do permissivo constitucional 4. Apesar de o recorrente ter indicado violação de norma infraconstitucional, a argumentação do decisum está embasada na análise e interpretação da IN/SRF 327/2007 e do Decreto 6.759/2009, normas de caráter infralegais cujas violações não podem ser aferidas por meio de recurso especial. 5. A ausência de impugnação a fundamento que, por si só, respalda o resultado do julgamento proferido pela Corte de origem impede a admissão do recurso especial. Incide ao caso a Súmula 283/STF. 6. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de agravo interno interposto contra decisão, assim ementada (fl. 1883): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTERPRETAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. NÃO CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. O agravante alega, em síntese: (fls. 1894/1897) " Ocorre que, ao contrário do que entendeu o nobre ministro, a agravante demonstrou de forma clara nas suas razões referida violação, decorrente, sobretudo, da existência de omissão no acórdão recorrido, ao não discorrer o Tribunal acerca de fundamentos legais suscitados pela agravante (especialmente quanto ao art. 97 do CTN e § 1º do art. 2º da LINDB), inclusive após a oposição de embargos declaratórios com tal fim, de modo que restou inconteste a negativa de vigência ao inc. II do art. 1.022 c/c o inc. IV do § 1º do art. 489, ambos do CPC/2015. .. Assim, considerando-se que o Recurso Especial se fundamenta na violação dos dispositivos de lei federal mencionados, violados pelo Tribunal de origem ao entender pela legalidade do disposto no art. 4º, inc. III, da IN SRF n. 327/2007 e no art. 77, incs. I e III, do Decreto n. 6.759/2009, inexiste óbice ao conhecimento do reclamo. .. A decisão, contudo, mostra-se equivocada, na medida em que a) a pretensão recursal possui evidente caráter infraconstitucional, estando consubstanciada na violação dos dispositivos infraconstitucionais suscitados; além de b) não se restringir o recurso à violação ao art. 97 do CTN, citado na decisão, conforme se demonstrará neste agravo." Sem impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ART. 97 DO CTN. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. APRECIAÇÃO DO TEMA PELA CORTE DE ORIGEM COM ESTEIO EM NORMA INFRALEGAL. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO CONTIDO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 283/STF. 1. Tendo o recurso sido interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. 2. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao artigo 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem demonstrar qual questão de direito não foi abordada no acórdão proferido em sede de embargos de declaração e a sua efetiva relevância para fins de novo julgamento pela Corte de origem. Incide à hipótese a Súmula 284/STF. 3. O art. 97 do CTN é a reprodução do princípio da legalidade tributária, revelando-se incabível o exame de eventual ofensa a tal dispositivo, sob pena de usurpação da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, do permissivo constitucional 4. Apesar de o recorrente ter indicado violação de norma infraconstitucional, a argumentação do decisum está embasada na análise e interpretação da IN/SRF 327/2007 e do Decreto 6.759/2009, normas de caráter infralegais cujas violações não podem ser aferidas por meio de recurso especial. 5. A ausência de impugnação a fundamento que, por si só, respalda o resultado do julgamento proferido pela Corte de origem impede a admissão do recurso especial. Incide ao caso a Súmula 283/STF. 6. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Dito isso, observa-se que o presente recurso não merece prosperar, tendo em vista que dos argumentos apresentados no agravo interno não se vislumbram razões para reformar a decisão agravada. De início, não se conhece da suposta afronta ao artigo 1.022 do CPC/2015, pois o recorrente se limitou a afirmar de forma genérica a ofensa ao referido normativo sem demonstrar qual questão de direito não foi abordada no acórdão proferido em sede de embargos de declaração e a sua efetiva relevância para fins de novo julgamento pela Corte de origem. Incide à hipótese a Súmula 284/STF. Quanto à alegada violação ao artigo 97 do CTN, é assente a jurisprudência desta Corte no sentido de que não pode ser examinada eventual ofensa do referido dispositivo legal em sede de Recurso Especial, sob pena de violação à competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, do permissivo constitucional. Precedentes do STJ. (AgInt no AREsp n. 1.660.530/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 30/6/2023.) Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CPC/2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. DEDUÇÃO DE MATERIAIS PRODUZIDOS NO LOCAL DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OU ADQUIRIDOS DE TERCEIROS DA BASE DE CÁLCULO DO ISSQN. ILEGITIMIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 97 DO CTN. REPRODUÇÃO DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO COMBATIDO. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS. SÚMULAS N. 283 E 284 DO STF. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugna do. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015 para o agravo interno. II - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III - Prevalece no Primeira Seção deste Tribunal Superior o entendimento segundo o qual a dedutibilidade da base de cálculo do ISSQN não abrange os materiais que são produzidos no local da prestação de serviços ou adquiridos de terceiros e empregados na construção civil. IV - O art. 97 do CTN é a reprodução do princípio da legalidade tributária, revelando-se incabível o exame de eventual ofensa a tal dispositivo, sob pena de usurpação da competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, do permissivo constitucional V - A jurisprudência desta Corte considera deficiente a fundamentação quando a parte deixa de impugnar fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, apresentando razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados pela Corte de origem. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.130.399/MG, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 26/6/2024.) Na espécie, verifica-se que a ora recorrente impetrou mandado de segurança objetivando a declaração de inconstitucionalidade do art. 4º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n. 327/2007 e do art. 77 do Decreto n. 6.759/2009, para fins de se reconhecer o direito de não incluir o valor relativo ao (i) transporte até o local da importação; (ii) carregamento, descarregamento e manuseio associado ao transporte; e (iii) seguro da mercadoria importada, na base de cálculo do valor aduaneiro para fins de cálculo do II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação. Ocorre que a Corte de origem assentou compreensão segundo a qual o direito à não inclusão de tais valores, na base de cálculo do valor aduaneiro para fins de cálculo do II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação, é inviável porque o Decreto 6.759/2009 (incs. I e III do art. 77) e a IN SRF 327/2007 não amparam a tutela jurisdicional. Nesse sentido, destaca-se do julgamento dos aclaratórios: (fls. 1751/1752) "O Regulamento Aduaneiro prevê que a base de cálculo do impostoé, quando a alíquota for ad valorem, o valor aduaneiro apurado segundo asnormas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT1994 (inc. I do art. 75 do D 6.759/2009). O valor aduaneiro é integrado pelo frete e custo do seguro na forma do art. 77 do D 6.759/2009: .. O D 6.759/2009 (incs. I e III do art. 77) e a IN SRF 327/2007 (inc. III do art. 4º) observaram os limites impostos pela Constituição e pelo AVA-GATT. Os valores relativos às operações de frete e de seguro internacional se incluem no cômputo do valor aduaneiro, base de cálculo do imposto de importação, do IPI, do PIS-importação e da COFINS-Importação (TRF4, Segunda Turma, AC 50026505520214047208, 14dez.2022; TRF4, Primeira Turma, AC 50030706020214047208, 17mar.2022; TRF4, SegundaTurma, AC 50037277020194047208, 24fev.2022; TRF4, Primeira Turma, AC50078959320204047204, 19maio2021)." Desse modo, mantém-se o não conhecimento do recurso especial por ter o acórdão recorrido resolvido a controvérsia com fundamento no Decreto 6.759/2009 (incs. I e III do art. 77) e na IN SRF 327/2007, cujas violações não podem ser aferidas por meio de recurso especial. Por fim, observa-se que o Tribunal de origem concluiu que a IN/SRF 327/2007 e o Decreto 6.759/2009, ao contrário do que alegou a recorrente, não teriam inovado no ordenamento jurídico, mas apenas reproduzido a norma do art. 2º do Decreto 92.930/1986, que teria sido recepcionado com força de lei ordinária. No entanto, o recorrente não impugnou a referida fundamentação nas razões do recurso especial que, por si só, assegura o resultado do julgamento ocorrido na Corte de origem e torna inadmissível o recurso que não a impugnou. Desse modo, mantém-se o não conhecimento do recurso especial com fundamento na Súmula 283/STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.