AREsp 329861 - DECISAO
O agravo de instrumento não é o recurso cabível para impugnar decisão que inadmitiu recurso especial nas circunstâncias apontadas, configurando erro grosseiro, e, além disso, o agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182/STJ; assim, o agravo não reúne...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: HERVITAN CRISTIAN CARULLA; Agravante: ROBERTO MAGALHÃES PINTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade
- Outcome
- Não conheço do agravo de instrumento.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Agravo De Instrumento, Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
HERVITAN CRISTIAN CARULLA
Agravante
ROBERTO MAGALHÃES PINTO
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão Sobre Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Cabimento do agravo de instrumento contra decisão que inadmite o processamento do recurso especial
- 2 Incidência da Súmula 7/STJ quanto à impossibilidade de revolvimento fático-probatório
- 3 Obrigatoriedade de impugnação específica e pormenorizada dos fundamentos da decisão agravada (Súmula 182/STJ)
Ratio Decidendi
O agravo de instrumento não é o recurso cabível para impugnar decisão que inadmitiu recurso especial nas circunstâncias apontadas, configurando erro grosseiro, e, além disso, o agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, incidindo a Súmula 182/STJ; assim, o agravo não reúne condições de admissibilidade e não é conhecido.
Court Disposition
Não conheço do agravo de instrumento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de instrumento interposto por HERVITAN CRISTIAN CARULLA contra decisão proferida pela Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso que não admitiu o recurso especial defensivo anteriormente manejado. Aproveito o bem lançado relatório do representante do Ministério Público Federal (e-STJ fls. 2.212/2.213): Cuidam os autos em epígrafe de 02 (dois) Agravos em Recurso Especial interpostos em favor de HERVITAN CRISTIAN CARULLA e ROBERTO MAGALHÃES PINTO em face de decisão proferida pela Vice- Presidência do Eg. Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, que inadmitiu os respectivos reclamos com base no enunciado 7 da Sumula deste 5W. Quando ao recurso de Roberto Magalhaes Pinto, fundamentou o decisum, ainda, na ausência de prequestionamento e de demonstração de dissídio jurisprudencial. (f Is. 2029/2033 e 2038/2042). Sustentam os Agravantes que estão presentes todos os pressupostos de admissibilidade dos Recursos Especiais (fls. 2064/2093 e fls. 2148/2155). Contraminutas às fls. 2168/2171 e fIs. 2185/2189. O Ministério Público Federal manifestou-se pela manutenção da decisão agravada (e-STJ fls. 2.212/2.216). É o relatório. Decido. O agravo não reúne condições de admissibilidade. Inicialmente, o agravo de instrumento não é o recurso cabível contra de decisão que não admite o processamento do recurso especial. A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que ""a interposição de agravo de instrumento contra decisão do Tribunal de segunda instância que inadmite o processamento do recurso especial, após o período de vacatio legis de 90 (noventa) dias da Lei n. 12.322/2010, publicada em 10/09/2010, a qual instituiu o agravo nos próprios autos, configura erro grosseiro e, por via de consequência, não comporta a aplicação do princípio da fungibilidade recursal" (AgRg no Ag 1430707/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 8/10/2013, DJe 16/10/2013)"" - AgRg no AREsp n. 1.629.207/SP, relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 19/5/2020, DJe 29/5/2020. Sem embargo, ainda que fosse possível ultrapassar o óbice acima referido, frise-se que o recurso especial foi inadmitido pelo Tribunal de origem ante a incidência dos seguintes óbices: Súmula n. 7/STJ, quanto à alegada ofensa ao art. 59 do CP; e Súmula n. 7/STJ, quanto à alegação de contrariedade aos arts. 155, 563, 564, todos do CPP. No entanto, nas razões do agravo em recurso especial, o agravante deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada, reiterando os termos do recurso especial. Como tem reiteradamente decidido esta Corte, os recursos devem impugnar específica e pormenorizadamente todos os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Destarte, é de rigor a aplicação do óbice previsto na Súmula n. 182/STJ: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." Ilustrativamente: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA E PORMENORIZADA A UM DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. ART. 163, I, DO CP, C/C AS DISPOSIÇÕES DA LEI N. 11.340/2006. CONDENAÇÃO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. SÚMULA 284/STF. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. DESCABIMENTO. AUTORIA COMPROVADA. PALAVRA DA VÍTIMA CORROBORADA POR LAUDO PERICIAL. MODIFICAÇÃO DAS PREMISSAS FÁTICAS E PROBATÓRIAS. SÚMULA 7/STJ. 1. Incide a Súmula 182 do STJ quando a parte agravante não impugna especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 2. A argumentação recursal em torno de normas infraconstitucionais não pode ser meramente genérica, sem o desenvolvimento de teses efetivamente vinculadas a elas e sem a demonstração objetiva de como o acórdão recorrido as teria violado. Incidência da Súmula 284/STF. 3. Diante do que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante do crime de dano qualificado, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido. (AgRg no AREsp n. 1.944.529/TO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 25/4/2022, grifei.) Ante o exposto, não conheço do agravo de instrumento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA