AREsp 2684146 - DECISAO
Não conheço do agravo em recurso especial porque a parte agravante não atacou especificamente os fundamentos da decisão agravada e não rebateu a incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, sendo a decisão de inadmissibilidade incindível e, portanto, impugnável apenas em sua integralidade, conforme art. 932 do CPC/2015 e...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Impugnação Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial (inadmissibilidade)
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Dissídio Jurisprudencial, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Agravo Nos Próprios Autos, Honorários Advocatícios
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Impugnação Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 Incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ que prejudica análise do dissídio jurisprudencial
- 2 Existência de dissídio jurisprudencial quanto à interpretação do art. 884, caput, do Código Civil
- 3 Obrigatoriedade de impugnação específica e integral dos fundamentos da decisão agravada (art. 932, III, CPC/2015)
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo em recurso especial porque a parte agravante não atacou especificamente os fundamentos da decisão agravada e não rebateu a incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, sendo a decisão de inadmissibilidade incindível e, portanto, impugnável apenas em sua integralidade, conforme art. 932 do CPC/2015 e o entendimento no EAREsp 746.775/PR.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial.
Orders
- Majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial por incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 229/232). Em suas razões (e-STJ fls. 240/248), a parte agravante alega que (e-STJ fl. 244): .. a razão pela qual a Ilma. Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul entendeu ser inadmissível o Recurso Especial pelo imbróglio supostamente necessitar de análise fática. Ocorre que, ao revés do alegado, a Recorrente requer a modulação de interpretação diversa do mesmo artigo por divertes Tribunais de mesma competência - caso clássico de dissídio jurisprudencial. .. Conforme dito, o mérito do recurso atina-se ao dissídio jurisprudencial - e não à matéria fática do caso - entre a interpretação dada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul ao art. 884, caput , do Código Civil, e a interpretação dada ao mesmo dispositivo pelos Tribunais dos Estados de Minas Gerais e do Espirito Santo. Defende a existência de dissídio jurisprudencial sobre o tema. Contraminuta apresentada (e-STJ fl. 254). É o relatório. Decido. O agravo que deixa de impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada não é passível de conhecimento em virtude de expressa previsão legal (art. 932, III, do CPC/2015) e da incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. No caso dos autos, a parte agravante não rebateu a incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. O entendimento desta Corte, firmado no julgamento dos EAREsp n. 746.775/PR, é de que a decisão de inadmissibilidade do especial é incindível, devendo, portanto, ser impugnada em sua integralidade. Eis a ementa do referido acórdão: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp 746.775/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 19/09/2018, DJe 30/11/2018.) Ademais, mesmo no que se refere ao dissídio jurisprudencial, referidos óbices foram aplicados. Confira-se o seguinte trecho da decisão que inadmitiu o especial (e-STJ fl. 231): Outrossim, sem êxito a alegada divergência interpretativa, pois "A incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido" (AgInt no AREsp n. 2.441.269/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024). Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 20% (vinte por cento) o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, bem como eventual concessão dos benefícios da justiça gratuita. Publique-se e intimem-se. EMENTA