AREsp 2767848 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada que inadmitiu o recurso especial (fundamentação baseada, entre outros, na aplicação da Súmula 7/STJ e nas Súmulas 283 e 284/STF). Na ausência de impugnação específica, aplica-se a Súmula...
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- Parties
- Agravante: BRUNO VINICIUS THOMAZ DE CARVALHO; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Admissibilidade Recursal, Impugnação Específica Dos Fundamentos, Súmula 7/stj, Súmulas 283 E 284/stf, Súmula 182/stj, Reexame De Provas
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Parties
BRUNO VINICIUS THOMAZ DE CARVALHO
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se houve impugnação específica dos fundamentos que motivaram a inadmissão do recurso especial
- 2 Aplicabilidade da Súmula 7/STJ ao caso
- 3 Incidência das Súmulas 283 e 284 do STF e consequência da Súmula 182/STJ
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar de forma específica e concreta os fundamentos da decisão agravada que inadmitiu o recurso especial (fundamentação baseada, entre outros, na aplicação da Súmula 7/STJ e nas Súmulas 283 e 284/STF). Na ausência de impugnação específica, aplica-se a Súmula 182/STJ e impede-se o conhecimento do agravo, razão pela qual, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, o agravo não foi conhecido.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por BRUNO VINICIUS THOMAZ DE CARVALHO, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim ementado (fls. 579-596): "LATROCÍNIO E ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO, EM CONCURSO FORMAL. RÉUS QUE, PREVIAMENTE CONLUIADOS, VÃO AO LOCAL DOS FATOS NO VEÍCULO "FIAT/PALIO" E, APÓS AVISTAREM AS VÍTIMAS DESEMBARCAREM DO CARRO, RYAN E MATHEUS DESCEM, ENQUANTO BRUNO PERMANECE NO VEÍCULO DANDO COBERTURA À AÇÃO DELITIVA E COMO GARANTIDOR DA FUGA. OFENDIDO PAULO QUE TENTA REAGIR, OCASIÃO EM QUE RYAN EFETUA UM DISPARO, ATINGINDO-O FATALMENTE. ACUSADOS QUE FOGEM EM DIREÇÃO AO CARRO SEM EFETUAREM A SUBTRAÇÃO. DENUNCIADO BRUNO QUE, APÓS OS COMPARSAS ENTRAREM NO CARRO, TOMA RUMO IGNORADO. INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL BEM CONDUZIDA E DETALHADA QUE CONSEGUE APURAR AS AUTORIAS DOS CRIMES. PROVA HÁBIL À CONDENAÇÃO. PALAVRAS DOS POLICIAIS CIVIS UNÍSSONAS E QUE ESTÃO EM SINTONIA COM O DEPOIMENTO DA VÍTIMA SOBREVIVENTE E COM O RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO. NEGATIVAS DOS RÉUS ISOLADAS NOS AUTOS E QUE NÃO CONVENCEM. CONDENAÇÕES BEM DECRETADAS, COM A NOTA DE QUE INVIÁVEL O RECONHECIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA DE BRUNO, EIS QUE SUA CONDUTA FOI DECISIVA PARA A AÇÃO DELITIVA. CAUSAS DE AUMENTO DO ROUBO TENTADO BEM RECONHECIDAS. PENAS BEM DOSADAS, NÃO HAVENDO BIS IN IDEM NA PRIMEIRA E SEGUNDA FASES DA DOSIMETRIA DE BRUNO, EIS QUE SE TRATA DE CONDENAÇÕES DISTINTAS. REGIME FECHADO NECESSÁRIO. APELOS IMPROVIDOS". Os embargos de declaração foram rejeitados. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação dos arts. 386, VII, do CPP e 29 do CP. Aduz para tanto, em síntese, que: (I) não haveria prova suficiente a sustentar a condenação, por não se saber se foi o acusado quem efetivamente realizou os disparos de arma de fogo; e (II) mesmo que o réu estivesse no carro no momento do crime, isso não permitiria sua responsabilização por latrocínio, pois "os investigadores policiais deveriam ter apurado qual a suposta intenção dele na prática do crime" (fl. 610). Com contrarrazões (fls. 629-633), o recurso especial foi inadmitido na origem (fls. 636-638), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (fls. 672-675). É o relatório. Decido. A decisão que inadmitiu o recurso especial na origem pautou-se na incidência das Súmulas 7/STJ, 283/STF e 284/STF; no agravo, todavia, a parte ora agravante não combateu especificamente nenhum desses fundamentos da decisão agravada. Sobre a aplicação da Súmula 7/STJ, a parte agravante trouxe apenas razões genéricas de inconformismo (aduzindo que não seria necessário reexaminar as provas dos autos), o que não satisfaz a exigência de impugnação específica para viabilizar o conhecimento do agravo. Isso porque, para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local. Nesse sentido: " .. 1. Nas razões do agravo em recurso especial, não foram rebatidos, de modo específico e concreto, os fundamentos da decisão agravada relativos à aplicação das Súmulas n. 7 e 83, ambas do Superior Tribunal de Justiça, atraindo, à espécie, a incidência da Súmula n. 182 do Superior Tribunal de Justiça. 2. No tocante à incidência da Súmula n. 7/STJ, a Agravante limitou-se a sustentar, genericamente, que as pretensões elencadas no apelo nobre envolvem mero debate jurídico, não demandando, assim, reexame de provas, sem explicitar, contudo, à luz da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame de provas. Assim, não houve a observância da dialeticidade recursal, motivo pelo qual careceu de pressuposto de admissibilidade, qual seja, a impugnação efetiva e concreta aos fundamentos utilizados para inadmitir o recurso especial, no caso, a incidência da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido". (AgRg no AREsp n. 1.789.363/SP, relator Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 2/2/2021, DJe de 17/2/2021.) " .. 1. A falta de impugnação específica dos fundamentos utilizados na decisão ora agravada atrai a incidência do enunciado sumular n. 182 desta Corte Superior. Como tem reiteradamente decidido esta Corte, os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas ou à insistência no mérito da controvérsia. .. 11. Agravo regimental não conhecido". (AgRg no RHC n. 128.660/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/8/2020, DJe de 24/8/2020.) Sobre as Súmulas 283 e 284/STF, o agravante apenas silenciou, o que inclusive já seria motivo bastante para não conhecer do agravo. Afinal, a Corte Especial do STJ manteve o entendimento da necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, sob pena de incidência da Súmula 182/STJ. Eis a ementa do aresto paradigma: "PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos". (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ Acórdão Ministro Luís Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 19/9/2018, DJe de 30/11/2018.) Por conseguinte, a Súmula 182/STJ impede que se passe ao mérito do agravo do art. 1.042 do CPC, o qual não supera o juízo de admissibilidade. Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA