AREsp 2394385 - ACORDAO
O agravante não infirmou de forma clara e específica o fundamento da decisão de inadmissibilidade relativo à Súmula 7 do STJ, incorrendo em violação ao dever de impugnação específica exigido pelo art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015; por isso, o agravo interno foi desprovido. Não se...
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- Parties
- Agravante: MUNICIPIO DO RIO DE JANEIRO; Agravado: FERNANDO RIBEIRO MACEDO - ESPÓLIO; Agravado: ADRIANA DEL RIO DO NASCIMENTO PALMEIRA - INVENTARIANTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Ag Int No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Nego provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação, Impugnação Específica, Súmula 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Multa Processual (art. 1.021, §4º, Cpc/2015)
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Parties
MUNICIPIO DO RIO DE JANEIRO
Agravante
FERNANDO RIBEIRO MACEDO - ESPÓLIO
Agravado
ADRIANA DEL RIO DO NASCIMENTO PALMEIRA - INVENTARIANTE
Agravado
Procedural Posture
Ag Int No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 Necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que não conhece do recurso especial
- 2 Incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ no juízo de admissibilidade
- 3 Aplicabilidade da multa prevista no art. 1.021, §4º, do CPC/2015
Ratio Decidendi
O agravante não infirmou de forma clara e específica o fundamento da decisão de inadmissibilidade relativo à Súmula 7 do STJ, incorrendo em violação ao dever de impugnação específica exigido pelo art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015; por isso, o agravo interno foi desprovido. Não se aplicou a multa do art. 1.021, §4º, do CPC/2015, por não estar demonstrada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, sendo o julgamento unânime.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Deixar de aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): Trata-se de agravo interno manejado pelo MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO para desafiar decisão, proferida às e-STJ fls. 382/384, que não conheceu do agravo em recurso especial, pois o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão agravada, abstendo-se de atacar a incidência das Súmulas 7 e 83 do STJ. Sustenta a parte agravante, às e-STJ fls. 390/410, em suma, que, ao contrário do consignado, infirmou os referidos fundamentos nos trechos do agravo em recurso especial indicados. Requer, assim, seja conhecido e provido o recurso. Impugnação às e-STJ fls. 414/420, em que se pleiteia a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4.º, do CPC/2015. É o relatório. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2.394.385 - RJ (2023/0213025-9) RELATOR : MINISTRO GURGEL DE FARIA AGRAVANTE : MUNICIPIO DE RIO DE JANEIRO ADVOGADO : NIDIA CALDAS FARIAS LOPES - RJ115816 AGRAVADO : FERNANDO RIBEIRO MACEDO - ESPÓLIO AGRAVADO : ADRIANA DEL RIO DO NASCIMENTO PALMEIRA - INVENTARIANTE ADVOGADO : MARCOS PIMENTEL CRUZ - RJ135726 EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO GURGEL DE FARIA (Relator): Inicialmente, constata-se que nas razões do agravo em recurso especial a parte infirmou a aplicação da Súmula 83 do STJ ao buscar demonstrar a não subsunção dos julgados citados na decisão de inadmissibilidade ao caso concreto (e-STJ fls. 352/353). Todavia, no que tange à incidência da Súmula 7 do STJ, a parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, proferido em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, no sentido de que a parte deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles, de acordo com o disposto nos arts. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e 932, III, do CPC/2015. Com efeito, nas razões do agravo em recurso especial, o agravante não infirmou de forma clara e específica esse fundamento, em evidente desrespeito ao princípio da dialeticidade. No caso, além de discorrer sobre a tese recursal, limitou-se a alegar o seguinte (e-STJ fls. 342/349): Para a verificação do descumprimento da legislação federal, no caso em comento, não é necessário o reexame de provas, nem mesmo análise fática. Em verdade, o Município objetiva apenas que a legislação federal seja corretamente aplicada, em especial no que se refere à intimação da Fazenda Pública e à coisa julgada. No que tange à coisa a julgada, os fatos já estão delineados, uma vez que no julgamento da rejeição da exceção de pré-executividade da Execução Fiscal 0148456-40.2007.8.19.0001, não houve interposição de recurso, o que fez surgir a figura do trânsito em julgado. Portanto, nessa toada, ao avaliar a apelação ora interposta, a Vigésima Segunda Câmara Cível violou a coisa julgada operada na decisão que rejeitou a objeção de executividade e atestou a legitimidade da parte, incorrendo em violação ao direito federal, haja vista que, feriu o que preceitua nos artigos 502, 507 e 508 do Código de Processo Civil. .. No que tange à intimação da Fazenda, para fins de verificar a ocorrência de prescrição trata-se de evidente matéria de direito. A Fazenda Pública possui a prerrogativa de intimação pessoal e, portanto, apenas pode se manifestar após regular remessa dos autos promovida pelo cartório, na forma do disposto no artigo 25, da LEF. .. Constata-se que, no presente caso, a demora na evolução do processo executivo decorreu de circunstâncias alheias à vontade e não submetidas ao controle da ora Recorrente. Não se pode classificar como inerte o comportamento do Município, já que, no curso da execução fiscal, quaisquer circunstâncias que exijam a atuação do Exequente devem ser-lhe informadas na forma do art. 25 da Lei 6.830/1980. Só após a sua regular intimação para agir é que poderia se caracterizar a inércia. Outra não foi a posição adotada pelo i. Membro do parquet estadual em seu parecer final anexado aos autos (fls. 402 e ss.), cujo trecho cumpre transcrever: "(..)". .. No mais, ainda assim, vale ressaltar que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça permite a apreciação de matéria fática, desde que não importe no revolvimento do conjunto probatório apresentado. Em outros termos, a revaloração das provas é permitida, ao contrário do reexame. Nesse sentido: "(..)". Ocorre que não se mostra suficiente a mera alegação de que não é necessário o revolvimento fático-probatório, ainda que haja menção à tese recursal defendida. Em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, o que não ocorreu. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 1.030, I, "b", DO CPC/2015. NÃO CABIMENTO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. FUNGIBILIDADE RECURSAL. INAPLICABILIDADE. FUNDAMENTO DE INADMISSIBILIDADE NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA. .. 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça considera necessária a impugnação dos fundamentos da decisão denegatória da subida do recurso especial para que se conheça do respectivo agravo. 4. Inadmitido o apelo nobre com base na Súmula 7/STJ, não basta a simples assertiva genérica de que se cuida de revaloração da prova, ainda que feita breve menção à tese sustentada. O cotejo com as premissas fáticas de que partiu o aresto faz-se imprescindível, o que não ocorreu na espécie. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.829.565/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5/10/2021, DJe de 22/10/2021) Grifo acrescido . Sendo assim, mostra-se inafastável o desprovimento do presente agravo interno. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS. ART. 932, III, DO CPC/2015 E ART 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO RISTJ. PRECEDENTES. MATÉRIA DECIDIDA PELA CORTE ESPECIAL. EARESP Nº 746.775/PR. IMPUGNAÇÃO TARDIA EM SEDE DE AGRAVO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial alegando, dentre outros motivos, que não seria possível a interposição do recurso para alegar ofensa à Súmula nº 85/STJ, por não estar referida espécie compreendida na expressão lei federal, constante nas alínea "a", "b", ou "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. Nas razões do agravo em recurso especial, os agravantes não impugnaram de forma específica referido fundamento. 2. Verifica-se, pois, que os agravantes deixaram de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso, razão pela qual o agravo em recurso especial não pode ser conhecido, a teor do art. 932, III, do CPC/2015, bem como do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ. Precedentes. 3. A Corte Especial deste Tribunal Superior, ao julgar o EAREsp nº 746.775/PR, cujo julgamento foi concluído na sessão realizada em 19/09/2108, ratificou referido entendimento e estabeleceu a necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, sob pena de não conhecimento do agravo. 4. A tentativa de suprir falha de impugnação, através do agravo interno, de fundamento do juízo negativo de admissibilidade não impugnado nas razões do agravo em recurso especial, constitui verdadeira inovação recursal inviável em razão da ocorrência da preclusão consumativa. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1335756/MS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2018, DJe 13/11/2018) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. MULTA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO À TOTALIDADE DOS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO QUE NÃO ADMITE, NA ORIGEM, O RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 182/STJ. INCIDÊNCIA. 1. É inviável o agravo que deixa de atacar, de modo específico, os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial. Incidência da Súmula 182 do STJ. 2. A Corte Especial do STJ, na assentada de 19/9/2018, consolidou o entendimento de que incumbe ao agravante infirmar, especificamente, a totalidade do conteúdo da decisão que não admitiu o processamento do recurso especial, sob pena de incidir o óbice contido na Súmula 182/STJ. Dessarte, não se admite a impugnação parcial do julgado (EAREsp 701.404/SC e EAREsp 831.326/SP, DJe de 30/11/2018). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.930.439/RJ, relator Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 29/11/2021, DJe de 2/12/2021.) No tocante ao pleito da parte agravada, tenho que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise, razão pela qual deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.