AREsp 2653025 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de prelibação proferida pelo Tribunal de origem, tendo apresentado argumentos genéricos incapazes de demonstrar a possibilidade de conhecimento do recurso especial sem o reexame de fatos e provas,...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE JUNDIAI/SP; Agravado: Presidência deste Superior Tribunal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (primeira Turma, Sessão Virtual)
- Outcome
- negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação Negativo, Impugnação Específica, Súmula 7/stj, Admissibilidade De Recurso
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Parties
MUNICÍPIO DE JUNDIAI/SP
Agravante
Presidência deste Superior Tribunal
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (primeira Turma, Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 Possibilidade de conhecimento do recurso sem reexame de fatos diante do óbice da Súmula 7/STJ
- 3 Aplicação dos arts. 932, III, do CPC/2015 e 253, parágrafo único, I, do RISTJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de prelibação proferida pelo Tribunal de origem, tendo apresentado argumentos genéricos incapazes de demonstrar a possibilidade de conhecimento do recurso especial sem o reexame de fatos e provas, especialmente diante do óbice da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negado provimento ao agravo interno.
- Mantida a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 08/10/2024 a 14/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por MUNICÍPIO DE JUNDIAI/SP contra decisão da Presidência deste Superior Tribunal que não conheceu do agravo em recurso especial que deixou de impugnar especificadamente os fundamentos da decisão de prelibação. O agravante alega, em síntese, a impugnação específica do art. 1.022 do CPC e da súmula 07 do STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Os argumentos ora ventilados não convencem. Nos termos do art. 932, inciso III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Conforme já assentado pela Corte Especial do STJ, a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, não admitiu o recurso especial. Como consignado na decisão agravada, a decisão de prelibação proferida pelo Tribunal fluminense foi no sentido de aplicar-se ao conhecimento do recurso especial a ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC, a ausência de afronta a dispositivo legal e o óbice da Súmula 7/STJ. No que interessa ao presente agravo interno, quanto à ausência de impugnação do óbice da Súmula 7 do STJ, em seu agravo em recurso especial o recorrente apenas afirma, genericamente, que "a compreensão do ponto controvertido relativo à violação do art. 496, §3, II do CPC/2015 pode ser obtida através do simples cotejo das decisões recorridas e das razões recursais", aduzindo ainda que "eventual menção a certos pontos da lide está limitada às premissas constantes do próprio decisum recorrido, de modo que passam a ser considerados como questões inequívocas e não possuem o condão de pleitear a reapreciação do conjunto fático e probatório carreado ao longo da demanda (especialmente, repita-se, mas apenas estampar os vícios interpretativos que levaram a r. decisão guerreada a efetivamente contrariar os dispositivos de Lei Federal e conferir interpretação diversa daquela carreada pela Jurisprudência majoritária inclusive do E. STJ" (sic). Destaco, por oportuno, não ser suficiente a apresentação de razões genéricas sobre o óbice apontado pela decisão de inadmissibilidade, sendo exigível do agravante o efetivo ataque aos seus fundamentos. Em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame de fatos e provas, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do revolvimento fático-probatório. Ademais, não houve nenhuma tentativa de impugnação expressa do óbice da ausência de vício de integração. Cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do apelo nobre, deve analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que se falar em usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.107.891/PR, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt no AREsp n. 2.164.815/RS, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022; e AgInt no AREsp n. 2.098.383/BA, Relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022. Após nova análise processual, provocada pela interposição do agravo interno, observo que a decisão combatida deve ser mantida. Por fim, embora não merecedor de acolhimento, o agravo interno, no caso, não se revela manifestamente inadmissível ou improcedente, razão pela qual não deve ser aplicada a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.