AREsp 2595371 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não impugnou de forma específica e adequada todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, em especial o fundamento de ausência de afronta a dispositivo legal, nos termos do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932,...
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- Parties
- Agravante: TRANSPORTES RODOVIARIOS IRMÃOS RODRIGUES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação Negativo, Impugnação Específica, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7 Do STJ, Multa Por Agravamento (art. 1.021, §4º, Cpc/2015)
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Parties
TRANSPORTES RODOVIARIOS IRMÃOS RODRIGUES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Necessidade de impugnação específica e individualizada dos fundamentos adotados pela Corte de origem para a inadmissão do recurso especial
- 2 Se a ausência de tópico específico nas razões do recurso afasta a exigência de impugnação específica
- 3 Se o juízo de admissibilidade do tribunal de origem constitui usurpação da competência do STJ
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o agravante não impugnou de forma específica e adequada todos os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, em especial o fundamento de ausência de afronta a dispositivo legal, nos termos do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e art. 932, III, do CPC/2015.
Court Disposition
negou provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno interposto por TRANSPORTES RODOVIARIOS IRMÃOS RODRIGUES LTDA.
- Não aplicar a multa prevista no §4º do art. 1.021 do CPC/2015
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 08/10/2024 a 14/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto pela TRANSPORTES RODOVIARIOS IRMÃOS RODRIGUES LTDA. para desafiar decisão, proferida às e-STJ fls. 435/436, em que a Presidência desta Corte Superior não conheceu do agravo em recurso especial, visto que não impugnado especificamente um dos fundamentos da decisão agravada, notadamente a ausência de afronta a dispositivo legal. A parte agravante sustenta que abordou a questão da ausência de afronta à dispositivo legal em vários pontos do recurso, com destaque ao relacionado à usurpação da competência desta Corte Superior de Justiça. Acrescenta que é desnecessário discutir o tema em tópico específico, em razão de inexistir uma forma predeterminada para a elaboração das razões recursais, e o Superior Tribunal de Justiça não deve se ater a formalismos. Requer, ao final, a reconsideração da decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, seja submetido o presente agravo interno à apreciação da Turma. Decorrido o prazo legal sem impugnação (e-STJ fl. 454). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Tenho que o inconformismo sob exame não merece prosperar. A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, proferido em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, no sentido de que a parte deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles, nos termos do disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e no art. 932, III, do CPC/2015. In casu, o juízo de prelibação negativo proferido pelo Tribunal de origem, ao inadmitir o recurso especial, consignou: ausência de afronta a dispositivo legal, incidência da Súmula 7 do STJ e deficiência de cotejo analítico. Nas razões do agravo em recurso especial, a parte agravante deixou de impugnar específica e adequadamente o fundamento de ausência de afronta a dispositivo legal, em evidente desrespeito ao princípio da dialeticidade. Ocorre que, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita, nas razões do agravo em recurso especial, de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão de inadmissão, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto. Cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do apelo nobre, deve analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que se falar em usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.107.891/PR, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022; AgInt no AREsp 2.164.815/RS, Relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022; e AgInt no AREsp 2.098.383/BA, Relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 17/8/2022. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.