AREsp 2552853 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não impugnou de modo específico e concreto todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, violando o princípio da dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, o que atrai a incidência da Súmula...
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- Parties
- Agravante: SABARÁLCOOL S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Inadmissão De Recurso, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
SABARÁLCOOL S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Inadmissão / Não Conhecimento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se o agravo em recurso especial pode ser conhecido diante da ausência de impugnação específica dos fundamentos que fundamentaram a inadmissão no Tribunal de origem
- 2 Se incide óbice da Súmula 7/STJ por suposta necessidade de reexame de provas
- 3 Aplicabilidade da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC/2015 diante da falta de dialeticidade
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque a agravante não impugnou de modo específico e concreto todos os fundamentos utilizados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial, violando o princípio da dialeticidade previsto no art. 932, III, do CPC/2015, o que atrai a incidência da Súmula 182/STJ; ademais, não demonstrou de forma suficiente que a matéria seria decidida sem revolvimento de provas, superando o óbice da Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SABARÁLCOOL S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, que inadmitiu recurso especial dirigido em oposição ao acórdão prolatado no Agravo Interno n. 0010752-44.2022.8.16.0000. É o relatório. Decido. O agravo em recurso especial não pode ser conhecido. A Corte a quo não admitiu o apelo nobre, pois: a) não restou combatido fundamento do acórdão recorrido suficiente para sua manutenção, incidindo o óbice da Súmula n. 283/STF; e b) haveria a necessidade de analisar fatos e provas para a apreciação das teses expostas nas razões do Recurso Especial, incidindo o óbice do Enunciado n. 7 da Súmula do STJ. Todavia, em relação ao óbice da Súmula n. 7/STJ, não impugnou de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a afirmar o que segue (fls. 158-160): Consoante denota-se da decisão ora agravada, o nobre Vice-presidente do Tribunal a quo, houve por bem em indeferir o seguimento do Recurso Especial sob o fundamento de que o mesmo encontra óbice a súmula 7 STJ, in verbis: Súmula nº. 7. "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Data vênia, equivocada a decisão agravada, vez que a apreciação das razões motivadoras do Recurso Especial independe de reexame do conjunto probatório. O próprio acórdão e decisão denegatória reconhecem que o argumento central do Agravo de Instrumento da parte é o reconhecimento da dissolução irregular, Na espécie, a questão a ser dirimida é exclusivamente de direito, a saber, a: à legitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso contra decisão de redirecionamento, a fim de defender direito próprio, relativo à regularidade de sua administração. O que não encontra óbice a súmula 7, sendo passível de análise: .. Portanto, superada a súmula, que poderia obstar o recebimento do recurso, temos que o mérito deve ser analisado, e consoante restará demonstrado, o entendimento recorrido revertido. Assim, a parte agravante não se desincumbiu do ônus de demonstrar, de maneira efetiva e concreta, a forma pela qual, independentemente de aprofundado reexame dos elementos probantes, seria exequível examinar as teses recursais, o que configura desobediência ao princípio da dialeticidade (art. 932, inciso III, CPC/2015). Limitou-se a tecer argumentos de que sua irresignação teria natureza de direito , se m especificar quais seriam as premissas de fato do decisum recorrido, tampouco deixando claro as razões pelas quais prescinde de revolvimento de sua análise. Apesar de afirmar que o acórdão reconhece qual seria o argumento central do agravo de instrumento, não traz em sua fundamentação qualquer premissa fática supostamente adotada pelo acórdão recorrido. A propósito: .. 5. A impugnação da Súmula n. 7/STJ pressupõe estrutura argumentativa específica, indicando-se as premissas fáticas admitidas como verdadeiras pelo Tribunal de origem, a qualificação jurídica que lhe foi conferida e a apreciação jurídica que lhe deveria ter sido efetivamente atribuída. O recurso daí proveniente deveria se esmerar em demonstrar efetivamente que a referida súmula não se aplica ao caso concreto, e não simplesmente reiterar o recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.790.197/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 1º/7/2021.) Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.795.402/SP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 3/4/2023, DJe de 13/4/2023.) .. 4. Em nova análise do agravo interposto, tem-se que a parte agravante efetivamente não rebateu todos os fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial. 5. Inadmitido o recurso especial com base na Súmula 7 do STJ, não basta a assertiva genérica de que é desnecessária a análise de prova, ainda que seja feita breve menção à tese sustentada. É imprescindível o cotejo entre o acórdão combatido e a argumentação trazida no recurso especial que pudesse justificar o afastamento do citado óbice processual. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.770.082/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF-5ª Região), Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Nesse panorama, verifico que deixou de ser observada a dialeticidade recursal (art. 932, inciso III, do CPC/2015). Por conseguinte, o agravo em recurso especial carece do indispensável pressuposto de admissibilidade atinente à impugnação adequada e concreta de todos os fundamentos empregados pela Corte local para não admitir o recurso especial, a atrair a incidência da Súmula n. 182 do STJ. Nesse sentido: .. 5. Constitui ônus da parte agravante a refutação específica de todos os fundamentos da decisão agravada, à luz do princípio da dialeticidade, o que não ocorreu no caso dos autos. Incidência da Súmula 182/STJ e do art. 932, III, do CPC. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.141.230/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/12/2022, DJe de 19/12/2022.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932 do CPC/2015, NÃO CONHEÇO do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INADMISSÃO DO APELO NOBRE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IM PUGNAÇÃO CONCRETA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.