AREsp 2879883 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, conhecendo em parte do recurso especial, negou-se provimento, por entender que não houve ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC e que a alegação de coisa julgada não se sustentou diante do entendimento do Tribunal de origem de que o acordo não abrangia as verbas objeto da lide; eventual reforma...
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- Parties
- Agravante: VALE S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgado
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e não provido.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Coisa Julgada, Arts. 489 E 1.022 Do CPC, Súmula 5/stj, Súmula 7/stj
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Parties
VALE S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgado
Legal Issues
- 1 Ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 2 Alegada coisa julgada e quitação de valores em acordos extrajudiciais
- 3 Alegada violação dos arts. 503 e 485, V, do CPC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, conhecendo em parte do recurso especial, negou-se provimento, por entender que não houve ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC e que a alegação de coisa julgada não se sustentou diante do entendimento do Tribunal de origem de que o acordo não abrangia as verbas objeto da lide; eventual reforma demandaria reexame de prova e cláusulas contratuais, obstado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e não provido.
Orders
- Conheço do agravo; conheço em parte do recurso especial e nego provimento.
- Majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por VALE S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que o agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 975-983): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE REJEITOS DA MINA CÓRREGO DO FEIJÃO, EM BRUMADINHO. AUXÍLIO EMERGENCIAL. REQUISITOS DO TAP DEMONSTRADOS. INDENIZAÇÃO DEVIDA A CONTAR DA DATA DA INTERRUPÇÃO. - O Termo de Acordo Preliminar no qual a ré se comprometeu a pagar indenização emergencial aos atingidos pelo rompimento da barragem deve ser interpretado restritivamente, a fim de que apenas as hipóteses expressamente previstas sejam contempladas. - Havendo nos autos documentos elencados no TAP que comprovam a residência do autor no local e na época do rompimento, é devido o pagamento da verba emergencial a contar da data em que foi indevidamente interrompida. - Recurso provido. Opostos embargos de declaração, o Tribunal de origem os rejeitou (fls 1.022-1.034). No recurso especial, alega preliminarmente, ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, pois, apesar da oposição de embargos de declaração, o Tribunal de origem não teria se manifestado sobre pontos essenciais ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, que o acórdão contrariou as disposições contidas nos arts. 503, 485, V, do CPC, sustentando que a matéria estaria acobertada pela coisa julgada em razão da quitação de todos os valores devidos, conforme os termos dos acordos extrajudiciais celebrados entre as partes envolvidas. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 1.054-1.060). Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 1.064-1.065), o que ensejou a interposição de agravo em recurso especial. Não foi apresentada contraminuta do agravo. É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Inicialmente, não há falar em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem, ao negar provimento à apelação, deixou claro que o acordo celebrado entre as partes não abrangia as verbas objeto da presente lide, afastando-se a tese de coisa julgada, senão vejamos (fls. 977-979): .. A apelada VALE S/A suscita preliminar de coisa julgada ao argumento de que houve a perda do objeto em razão da extinção/solução definitiva do pagamento do auxílio emergencial e do Termo de Ajuste Preliminar. Sem razão. Consoante se infere da inicial, a pretensão do autor remonta ao período em que o pagamento do auxílio emergencial estava sob a responsabilidade da VALE/SA, buscando o recebimento retroativo da benesse. Embora a mineradora insista na preliminar de coisa julgada em todos os processos que versam sobre o pagamento do auxílio emergencial, a jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de sua inocorrência nos casos envolvendo a mesma matéria. Nesse sentindo, ilustra o julgado que ora transcrevo prolatado pela 18ª Câmara Cível do TJMG, preventa para julgamento dos casos da tragédia da Vale, em Brumadinho, confira-se: .. Ademais, ressalto que o eventual término das prestações do auxílio emergencial firmado no Termo de Acordo Preliminar (TAP) apenas implicaria o encerramento dos pagamentos, remanescendo a obrigação em relação às parcelas vencidas durante o período de vigência do acordo, não havendo, assim, perda de objeto. Por fim, para reforçar a responsabilidade da VALE pelas parcelas referentes ao período em que vigente o TAP, a própria Fundação Getúlio Vargas, em seu sítio eletrônico destinado ao Programa de Transferência de Renda (PTR), informa que os valores retroativos só serão pagos através do fundo por ela gerido a partir de novembro de 2021, data em que efetivamente instituído o programa, o que, por óbvio, afasta a possibilidade de pagamento dos valores pretendidos na presente ação, veja: .. No mesmo sentido, em notícia intitulada "FGV IRÁ RECADASTRAR QUEM TEVE PAGAMENTO BLOQUEADO", esclareceu que "aqueles que tiverem a inclusão no PRT aprovada terão direito ao pagamento retroativo do benefício a contar de novembro de 2021, quando o programa foi implantado". (Disponível em: ). Ante o exposto, REJEITO a preliminar suscitada. .. Observa-se, portanto, que a lide foi solucionada em conformidade ao que foi apresentado em juízo. Verifica-se que o acórdão recorrido possui fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. A propósito, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. UTILIDADE PÚBLICA. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ARTIGO 1022, II, DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO TOTAL DA MATÉRIA EM REEXAME NECESSÁRIO. SÚMULA 325/STJ. NECESSIDADE DE ALUGAR IMÓVEL LINDEIRO PARA ALTERAR ACESSO A LOJA. INDENIZAÇÃO AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO. SÚMULA 7/ STJ. 1. Os arts. 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil não foram ofendidos. A pretexto de apontar a existência de erros materiais, omissão e premissas erradas, a parte agravante quer modificar as conclusões adotadas pelo aresto vergastado a partir das informações detalhadas do laudo pericial. .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.974.188/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 4/11/2022.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. DANO MORAL. SUSPENSÃO DO FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE ÁGUA . DEMORA INJUSTIFICADA NO RESTABELECIMENTO DO SERVIÇO. ARTS. 489, § 1º, E 1022, II, DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. DEVER DE INDENIZAR. REQUISITOS PARA A RESPONSABILIZAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA. ACÓRDÃO ANCORADO NO SUBSTRATO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. VALOR DA INDENIZAÇÃO. EXCESSO NÃO CARACTERIZADO. 1. Cuida-se de ação de procedimento ordinário ajuizada em desfavor de SAMAR - Soluções Ambientais de Araçatuba, com o fim de obter indenização pelos danos morais que alega ter sofrido com suspensão do serviço de água na residência da autora. 2. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos. .. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.118.594/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 25/11/2022 - grifo nosso.) Também não merece conhecimento o apelo nobre quanto à suscitada ofensa aos arts. 503, 485, V, do CPC, em especial quanto à ocorrência ou não do instituto da coisa julgada, pois eventual reforma do acórdão recorrido demandaria nova incursão no acervo fático-probatório e em cláusulas contratuais, esbarrando-se no óbice das Súmula n. 5/STJ e 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. ACORDO EXTRAJUDICIAL. HOMOLOGAÇÃO. OFENSA AO ART. 884 DO CÓDIGO CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. OMISSÃO. NÃO INTERPOSIÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015. ENUNCIADO 211 DA SÚMULA DO STJ. CLÁUSULA PENAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. COISA JULGADA. REVISÃO. INVIABILIDADE. REEXAME CONTRATUAL E FÁTICO-PROBATÓRIO. ENUNCIADOS 5 E 7 DA SÚMULA DO STJ. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO. NÃO IMPUGNAÇÃO. INCIDÊNCIA DO VERBETE 283 DA SÚMULA/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. Não tendo havido o prequestionamento do tema posto em debate nas razões do recurso especial e não tendo sido apontada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil/2015, incidente o enunciado 211 da Súmula do STJ. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar conteúdo contratual (Súmula 5/STJ), bem como matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. As razões elencadas pelo Tribunal de origem não foram devidamente impugnadas. Incidência do enunciado 283 da Súmula/STF. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.950.874/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 9/5/2022, DJe de 12/5/2022.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e negar provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 15% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intime-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC NÃO CONFIGURADA. COISA JULGADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5/STJ E 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E NÃO PROVIDO.