AREsp 2741526 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a alteração do decidido quanto à inaplicabilidade da teoria do adimplemento substancial exigiria reexame de fatos e provas e interpretação de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; assim, nos termos do art....
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ARIOVALDO NUNES MARIANO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Não Conhecendo Do Recurso Especial (art. 932, Iii, Cpc)
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Adimplemento Substancial, Exceção Do Contrato Não Cumprido, Obrigação De Fazer, Reexame De Fatos E Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ARIOVALDO NUNES MARIANO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Não Conhecendo Do Recurso Especial (art. 932, Iii, Cpc)
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade do reexame de fatos e provas em recurso especial
- 2 Aplicabilidade da teoria do adimplemento substancial ao contrato de compra e venda imobiliária
- 3 Aplicação da exceção do contrato não cumprido
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a alteração do decidido quanto à inaplicabilidade da teoria do adimplemento substancial exigiria reexame de fatos e provas e interpretação de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; assim, nos termos do art. 932, III, do CPC, o recurso especial não foi conhecido, sendo majorados os honorários recursais para 15% sobre o valor atualizado da causa.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
Orders
- Não conheço do recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC.
- Majoro os honorários de sucumbência recursal para 15% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por ARIOVALDO NUNES MARIANO, contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado, exclusivamente, na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 04/09/2024. Concluso ao gabinete em: 11/11/2024. Ação: de obrigação de fazer, ajuizada pelo agravante, em face da agravada, devido ao descumprimento de contrato de compra e venda de imóvel celebrado entre as partes, na qual pleiteia seja a agravada compelida a outorgar a escritura pública do negócio jurídico descrito na inicial. Sentença: julgou improcedente o pedido. Acórdão: negou provimento à apelação interposta pelo agravante, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INOVAÇÃO RECURSAL EM PARTE DOS PEDIDOS RECURSAIS. OUTORGA DE ESCRITURA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. IMPOSSIBILIDADE. EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO. INAPLICABILIDADE. ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. NÃO APLICAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. 1. É cediço que o artigo 1.013, do Código de Processo Civil, consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, segundo o qual o recurso de apelação transfere para a instância superior apenas o conhecimento da matéria discutida e impugnada nos autos. Dessa fora, constatada a inovação em um dos pedidos realizados em sede recursal, o conhecimento em parte da apelação é medida impositiva. 2. Sabe-se que a exceção do contrato não cumprido, é vinculada às noções de equidade e boa fé e, neste caso concreto, a análise da execução contratual pela ótica da equidade da boa fé afasta a possibilidade de aplicação deste direito, porque o apelante deixou de proceder ao pagamento do valor remanescente do contrato sem que houvesse um justo impedimento para fazê- lo, atribuindo o motivo a terceiros estranhos à lide. Logo, aquele que não satisfez a própria obrigação, não pode exigir o implemento da obrigação do outro. 3. Para a configuração do adimplemento substancial do contrato, além das circunstâncias específicas de cada caso concreto, é necessário que o inadimplemento tenha significância diminuta relativamente às parcelas contratuais regularmente cumpridas no âmbito global do contrato. Assim, é certo que não se trata de uma proteção a quem, por livre e espontânea vontade, deixa de cumprir as obrigações firmadas, como ocorreu no caso em comento. O instituto do adimplemento substancial não pode ser estimulado a ponto de inverter a ordem lógico- jurídica que considera o integral e regular cumprimento do contrato o meio esperado de extinção das obrigações. 4. Dessarte, não tendo o apelante cumprido com sua parte do avençado - pagamento integral do imóvel -, não há como exigir o cumprimento e resolução do contrato por parte da apelada - outorga da escritura de compra e venda do imóvel -, devendo, portanto, ser mantida a sentença vergastada. 5. Em razão do desprovimento do apelo, a verba honorária, em grau recursal, deverá ser majorada para 12% (doze por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil. APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA EM PARTE, E NESSA PARTE, DESPROVIDA. (e-STJ Fl. 431) Recurso especial: alega violação dos arts. 113, 421 e 422 do CC. Pleiteia seja aplicada a teoria do adimplemento substancial à espécie, sob o fundamento de que "A pretensão recursal objetiva a aplicação da teoria do adimplemento substancial ao contrato de compra e venda imobiliária que envolveu as partes e seja determinado à recorrida que outorgue escritura pública para o devido registro, sobretudo porque a sua pretensão de receber o pagamento está prescrita." (e-STJ Fl. 448) RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Do reexame de fatos e provas e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à inaplicabilidade da teoria do adimplemento substancial à hipótese dos autos, exige o reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.378.456/MA, Quarta Turma, DJEN de 17/2/2025 e AgRg no AREsp n. 155.885/MS, Terceira Turma, DJe de 24/8/2012. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados anteriormente para 15% sobre o valor atualizado da causa. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO. 1. Ação de obrigação de fazer. 2. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 3. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido, com majoração de honorários.