AREsp 2833474 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque a agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial (incidência da Súmula 284 do STF), em conformidade com o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, com o art. 932, III, do CPC e com a...
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- Parties
- Agravante: TSA HOLDING LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (06/08/2025 a 12/08/2025)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação Negativo, Impugnação Específica, Súmula 284 Do STF, Tema 122 Do STJ
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Parties
TSA HOLDING LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Em Sessão Virtual (06/08/2025 a 12/08/2025)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que não admite recurso especial
- 2 Incidência da Súmula 284 do STF como óbice ao conhecimento do recurso especial
- 3 Questão sobre responsabilização do compromissário comprador pelos débitos de IPTU (alegação da agravante)
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque a agravante não impugnou de forma clara e específica todos os fundamentos adotados pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial (incidência da Súmula 284 do STF), em conformidade com o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, com o art. 932, III, do CPC e com a jurisprudência consolidada do STJ que exige impugnação integral dos fundamentos da decisão de inadmissão.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Deixar de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2025 a 12/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por TSA HOLDING LTDA. contra decisão proferida pelo Presidente desta Corte Superior, constante às e-STJ fls. 437/438, em que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica do fundamento de inadmissão do apelo raro adotado na decisão a quo, correspondente nos termos da Súmula 284 do STF. Nas suas razões, a parte agravante aduz ter fundamentado adequadamente o agravo em recurso especial, indicando os dispositivos de lei federal violados e sua aplicação no presente caso. Em seguida, repisa considerações pertinentes ao mérito do recurso especial, dizendo, em suma, que (e-STJ fl. 448): O lançamento tributário deve ser feito sempre contra a pessoa que provoca a concreção do fato gerador do IPTU, no caso específico, o compromissário comprador e possuidor do imóvel, visto ser contratual e legalmente responsável pelo pagamento do dito imposto, incidente sobre imóvel, do qual detém e usufrui, com exclusividade, a posse legítima e definitiva. Sem contrarrazões. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que a recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O inconformismo sob exame não merece prosperar. A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, proferido em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, no sentido de que a parte deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles, nos termos do disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC. Da análise dos autos, verifico que a decisão a quo assentou como óbice ao conhecimento do recurso especial a incidência da Súmula 284 do STF, porque, "ao que se infere, não existe tema hábil a ensejar o pronunciamento da Corte Superior, eis que os argumentos expendidos estão totalmente dissociados do que foi decidido por este Tribunal. Incidente a Súmula 284 do Col. Supremo Tribunal Federal, adotada pela Corte Superior" (e-STJ fl. 287). Apesar disso, no agravo em recurso especial, a parte não realizou qualquer esforço no sentido de demonstrar que as razões do apelo nobre tinham pertinência com o decidido pelo Colegiado local. Ao invés disso, limitou-se a tecer considerações sobre o mérito do recurso inadmitido, afirmando a necessidade de mitigação da orientação estabelecida no Tema 122 do STJ, para defender que o promissário comprador deve ser responsabilizado pelos débitos de IPTU, por ser ele quem detém a posse do imóvel. Não demonstrou, contudo, que essa foi a matéria examinada na instância inferior, deixando com isso incólume o motivo para a inadmissão do apelo nobre na origem. A decisão agravada, portanto, espelha a orientação da Corte Especial, que, por ocasião do julgamento dos EAREsps n. 701.404/SC, 746.775/SC e 831.326/SC (relator para acórdão o Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 30/11/2018), definiu a necessidade de a parte agravante, no agravo de que trata o art. 1.042 do CPC (antigo art. 544 do CPC de 1973), impugnar todos os fundamentos, autônomos ou não, da decisão que não admitiu o recurso especial na origem. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM ARESP. RECURSO CONTRA A DECISÃO DA ILUSTRE PRESIDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO, FRENTE À CONSTATADA NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DE FATO, A NÃO SUBMISSÃO A ABALO DE TODOS OS ALICERCES LÓGICOS DA DECISÃO RECORRIDA IMPLICA INCOGNOSCIBILIDADE DA PRETENSÃO. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR DESPROVIDO. 1. Não se conhece do Agravo em Recurso Especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida (AgInt no AREsp 1.282.707/RS, Rel. Min. ANTONIO CARLOS FERREIRA, DJe 11.02.2021; AgRg no AREsp 1.751.057/DF, Rel. Min. LAURITA VAZ, DJe 17.02.2021; AgInt no REsp 1.690.982/RJ, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, DJe 18.12.2020). 2. Crucial registrar que a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça sedimentou a compreensão de que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade (AgRg no AREsp 1.784.300/PR, Rel. Min. LAURITA VAZ, DJe 11.03.2021). 3. Agravo Interno do particular desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.795.439/SC, relator Ministro Manoel Erhardt, Desembargador Convocado do TRF-5ª Região, Primeira Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 30/4/2021.) Assim, é de rigor o desprovimento do presente agravo interno. Deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.