AREsp 2982769 - ACORDAO
Agravo interno desprovido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de prelibação do Tribunal de origem, tendo deixado de rebater o óbice da Súmula 284 do STF; aplica-se o art. 932, III, do CPC/2015 e o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE JOINVILLE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025)
- Outcome
- negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Agravo Em Recurso Especial, Juízo De Prelibação Negativo, Impugnação Específica Dos Fundamentos, Súmula 284 Do STF, Súmula 283 Do STF, Art. 932, III, Cpc/2015, Art. 253, Parágrafo Único, I, Do RISTJ
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Parties
MUNICÍPIO DE JOINVILLE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025)
Legal Issues
- 1 Necessidade de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de prelibação para conhecimento do agravo em recurso especial
- 2 Aplicação da Súmula 284 do STF quando as razões recursais estão dissociadas do acórdão recorrido
- 3 Inadmissibilidade do agravo interno que não combate expressamente todos os fundamentos adotados pela decisão a quo
Ratio Decidendi
Agravo interno desprovido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão de prelibação do Tribunal de origem, tendo deixado de rebater o óbice da Súmula 284 do STF; aplica-se o art. 932, III, do CPC/2015 e o art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ.
Court Disposition
negou provimento ao agravo interno
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
- Não é aplicada a multa do §4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/11/2025 a 10/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar, especificamente, os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por MUNICÍPIO DE JOINVILLE contra decisão da Presidência desta Corte Superior na qual não se conheceu do agravo em recurso especial que não impugna todos os fundamentos da decisão de prelibação do Tribunal catarinense (Súmula 284 do STF - razões do recurso especial estão dissociadas do acórdão impugnado). A parte agravante alega, em síntese, que impugnou, em específico, cada fundamento da decisão de prelibação, transcrevendo partes do seu agravo em recurso especial em que entende que a decisão da origem foi contestada. Impugnação pelo não provimento do agravo interno. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar, especificamente, os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que o recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Os argumentos ora ventilados não convencem. Conforme já assentado na decisão agravada, não deve ser conhecido o agravo que não ataque, especificamente, todos os fundamentos da decisão agravada, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ. Confira-se o teor dos dispositivos citados: Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; (Grifos acrescidos) Art. 253. O agravo interposto de decisão que não admitiu o recurso especial obedecerá, no Tribunal de origem, às normas da legislação processual vigente. (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) Parágrafo único. Distribuído o agravo e ouvido, se necessário, o Ministério Público no prazo de cinco dias, o relator poderá: (Redação dada pela Emenda Regimental n. 16, de 2014) I - não conhecer do agravo inadmissível, prejudicado ou daquele que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida; (Redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016) A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência em Agravo em Recurso Especial 701404/SC, 746775/PR e 831.326/SP, decidiu pela necessidade de o agravante combater, expressamente, todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, autônomos ou não, para justificar a inadmissão do recurso especial, sob pena de seu recurso não ser conhecido. Da análise dos autos, verifica-se que a decisão agravada inadmitiu o Recurso Especial, considerando: ausência de prequestionamento, Súmula 283 do STF e razões recursais dissociadas do acórdão recorrido - Súmula 284 do STF. Entretanto, compulsando as razões do agravo em recurso especial, verifica-se que a parte agravante deixou de rebater, categoricamente, o óbice da Súmula 284 do STF aplicado ao recurso, por encontrarem-se as razões recursais dissociadas do acórdão recorrido. Na hipótese, o acórdão da origem que aprecia o agravo de instrumento não conheceu do recurso na parte relativa à intempestividade dos embargos à execução, em face de ter sido interposto contra ato sem conteúdo decisório. O recurso especial vem discutindo a intempestividade dos embargos à execução fiscal ao argumento de ser matéria de ordem pública. Inadmitido o apelo nobre na origem pela ausência de correlação das razões recursais com o que fora decidido no acórdão, não é suficiente a sua impugnação a alegação de que há, no recurso especial, "tópico específico para indicar a divergência existente entre o acórdão recorrido prolatado pelo TJ/SC e a decisão paradigma proveniente do STJ, pelo qual é possível estabelecer um critério justo objetivo acerca da intempestividade dos Embargos que impedem seu conhecimento, ainda que verse sobre matéria de ordem pública". Cumpre ressaltar que o Tribunal de origem, ao realizar o juízo de admissibilidade do apelo nobre, deve analisar os pressupostos específicos e constitucionais concernentes ao mérito da controvérsia, não havendo que se falar em usurpação da competência do STJ. Nesse sentido: AgRg no AREsp 173359/AM, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, julgado em 17/3/2015, DJe 24/3/2015, e AgInt no AREsp 933 131/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, Segunda Turma, julgado em 25/10/2016, DJe 27/10/2016. Após nova análise processual, provocada pela interposição do agravo interno, observo que a decisão combatida deve ser mantida. Por fim, embora não merecedor de acolhimento, o agravo interno, no caso, não se revela manifestamente inadmissível ou improcedente, razão pela qual não deve ser aplicada a multa do § 4º do art. 1.021 do CPC/2015. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.