REsp 2179947 - ACORDAO
O recurso não foi conhecido porque a recorrente fez alegação genérica de violação de lei federal sem indicar, clara e precisamente, qual dispositivo teria sido violado, caracterizando deficiência recursal e atraindo a Súmula 284/STF.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GARBIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 April 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Alegação Genérica De Violação De Lei Federal, Deficiência Recursal, Súmula 284/stf, Recurso Especial
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Parties
GARBIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Alegação genérica de violação de lei federal
- 2 Aplicação da Súmula 284/STF por deficiência recursal
- 3 Não conhecimento do recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso não foi conhecido porque a recorrente fez alegação genérica de violação de lei federal sem indicar, clara e precisamente, qual dispositivo teria sido violado, caracterizando deficiência recursal e atraindo a Súmula 284/STF.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido.
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/04/2025 a 07/04/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA RECURSAL. SÚMULA 284/STF. 1. Mencionar diversos dispositivos de lei federal nas razões do recurso especial sem indicar, clara e precisamente, qual ou quais, teriam sido violados, denota deficiência recursal, apta a atrair o óbice da Súmula 284/STF. Julgados iterativos do STJ. 2. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto por GARBIN EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 212): Compromisso de compra e venda de imóvel. Ação de rescisão contratual cumulada com pedido de devolução de valores. Contrato celebrado após as alterações introduzidas pela Lei 13.786/18 à Lei 6.766/79, aplicando-se as suas disposições e os percentuais de retenção e os limites nele previstos. Precedentes desta Col. Câmara e E. Corte. Nos termos do art. 32-A da referida lei, tendo a rescisão contratual se dado por iniciativa dos compradores, o montante devido por cláusula penal e despesas administrativas, inclusive arras ou sinal, limitado a um desconto de 10% (dez por cento) do valor atualizado o contrato. Sanção prevista no contrato que supera o limite previsto na lei. Restituição de valores pagos, com retenção de 20%, quantia suficiente para ressarcimento de despesas administrativas. Comissão de corretagem que não integra do valor do lote. Ausente demonstração de uso do lote não deste E. Tribunal de Justiça, incabível taxa de fruição em terreno sem edificação, dada a impossibilidade de imediata exploração econômica pelo compromissário comprador. Recurso improvido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fl. 235): Inexistência de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. Embargos declaratórios rejeitados. Não se conforma a recorrente, argumentando que tem direito a reter a comissão de corretagem e que a cláusula penal deve corresponder a 10% do valor atualizado do contrato, inclusive com desconto de 0,75% por mês a cada mês de utilização do lote. Com contrarrazões (fls. 255-256), o recurso foi admitido na origem. É o relatório. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA RECURSAL. SÚMULA 284/STF. 1. Mencionar diversos dispositivos de lei federal nas razões do recurso especial sem indicar, clara e precisamente, qual ou quais, teriam sido violados, denota deficiência recursal, apta a atrair o óbice da Súmula 284/STF. Julgados iterativos do STJ. 2. Recurso especial não conhecido. VOTO A súplica não merece conhecimento. Com efeito, limitou-se a recorrente a fazer alegação genérica de violação de lei federal, pois, apesar de mencionar diversos dispositivos nas razões recursais, não indica, clara e precisamente, qual ou quais teriam sido vulnerados pelo acórdão recorrido. Não basta dizer apenas que existe "vulneração às previsões aqui mencionadas". Há deficiência recursal, apta a atrair a Súmula 284/STF. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES E PERCENTUAIS NO TÍTULO JUDICIAL. ALTERAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. RECURSO PROTELATÓRIO. DESCABIMENTO. 1. O recurso especial que indica violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil, mas traz somente alegação genérica de negativa de prestação jurisdicional é deficiente em sua fundamentação, o que atrai o óbice da Súmula nº 284/STF, aplicada por analogia. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que os índices e percentuais de correção monetária e juros moratórios fixados no título judicial não são passíveis de alteração na fase de cumprimento de sentença, sob pena de ofensa à coisa julgada. Precedentes. 3. De acordo com a jurisprudência desta Corte, as matérias, inclusive as de ordem pública, decididas no processo, sujeitam-se à preclusão. 4. A aplicação da multa por litigância de má-fé ou por oposição de recurso manifestamente protelatório não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do recurso. No caso concreto, a parte recorrente interpôs o recurso legalmente previsto no ordenamento jurídico, sem abusar do direito de recorrer. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.681.064/RJ, relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025, DJEN de 5/3/2025) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CURATELA. AÇÃO DE ALVARÁ JUDICIAL. PRETENSÃO DE MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. INOCORRÊNCIA DE LITIGIOSIDADE. PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA. INCABÍVEL A FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS, O QUE SE DIRÁ DA SUA MAJORAÇÃO. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA EG. CORTE SUPERIOR. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 568 DO STJ. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE COMO OCORREU A VIOLAÇÃO DA LEI FEDERAL. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 284 DO STF. DISSÍDIO JURISPRUDÊNCIAL. NÃO HOUVE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE TERIA RECEBIDO INTERPRETAÇÃO DIVERSA PELOS TRIBUNAIS PÁTRIOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A nossa jurisprudência que tem entendimento consolidado de que, em procedimento de jurisdição voluntária, onde não há litigiosidade e complexidade, não é cabível a fixação de honorários advocatícios sucumbenciais e, consequentemente, a sua majoração. Precedentes. 2. A alegada afronta a lei federal não foi demonstrada com clareza, caracterizando, dessa maneira, a ausência de fundamentação jurídica e legal, conforme previsto na Súmula n. 284 do STF. 3. O conhecimento do recurso especial interposto com amparo no art. 105, III, c, da CF exige, além de demonstração e comprovação do dissídio jurisprudencial, a indicação do dispositivo de lei federal, pertinente ao tema decidido, que supostamente teria sido objeto de interpretação divergente, sob pena de incidência da Súmula n. 284 do STF, por analogia, o que não se verificou na espécie. 4. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser integralmente mantido em seus próprios termos. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.087.937/RS, relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025, DJEN de 27/2/2025) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE PARTILHA - DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DO STJ QUE NÃO CONHECEU DO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDANTE. 1. A ausência de indicação do dispositivo legal objeto de dissídio interpretativo caracteriza deficiência de fundamentação recursal. Incidência, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Nos termos da Súmula 13/STJ, a divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja a interposição de recurso especial. 3. A mera transcrição de ementas, desprovida da realização do necessário cotejo analítico que evidencie a similitude fática entre os arestos confrontados, mostra-se insuficiente para comprovar a divergência jurisprudencial. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.702.961/RJ, relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 2/12/2024, DJEN de 9/12/2024) Ante o exposto, não se conhece do recurso especial . É o voto.