AREsp 2713496 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a alegação de dissídio jurisprudencial não indicou o dispositivo legal divergente (incidência da Súmula 284/STF) e porque a discussão sobre abusividade dos juros exigiria interpretação de cláusulas contratuais e revolvimento do conjunto...
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- Parties
- Agravante: JOSE REINALDO LEMES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Denegação De Provimento
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial; majoram-se os honorários advocatícios da parte recorrida.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Busca E Apreensão, Juros Remuneratórios, Abusividade Contratual, Súmula 284 STF, Súmulas 5 E 7 STJ, Honorários Advocatícios
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Parties
JOSE REINALDO LEMES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Denegação De Provimento
Legal Issues
- 1 Possibilidade de questionamento de juros abusivos em ação de busca e apreensão
- 2 Alegada violação ao art. 3 do Decreto-Lei nº 911/69 e ao art. 51, IV e §1º, III do CDC
- 3 Dissídio jurisprudencial e exigência de indicação do dispositivo legal (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque a alegação de dissídio jurisprudencial não indicou o dispositivo legal divergente (incidência da Súmula 284/STF) e porque a discussão sobre abusividade dos juros exigiria interpretação de cláusulas contratuais e revolvimento do conjunto fático-probatório, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7 do STJ; majoraram-se os honorários advocatícios da parte recorrida com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial; majoram-se os honorários advocatícios da parte recorrida.
Orders
- Conheço do agravo.
- Nego provimento ao recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSE REINALDO LEMES em face de decisão que inadmitiu recurso especial, fundado no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "APELAÇÃO - Alienação Fiduciária - Busca e Apreensão com Pedido de Liminar - Alega a autora que concedeu ao requerido uma cédula de crédito bancário, a fim de adquirir um veículo, ocorre que o requerido deixou de realizar o pagamento das parcelas do empréstimo - Sentença de procedência - Apelação do requerido, alegando abusividade nas cláusulas contratuais e insistindo na improcedência da demanda - Descabimento - A ação de busca e apreensão com alienação fiduciária, tem como finalidade a restituição ao credor do veículo dado em garantia - A Alegação de abusividade de cláusulas contratuais e seus encargos são temas divorciados da lide, devendo ser proposto em ação própria de revisão - Decisão bem fundamentada e dentro da legislação processual - Precedentes desta C. 27ª Câmara de Direito Privado - Sentença mantida - RECURSO IMPROVIDO." (e-STJ fls. 215) Nas razões do recurso especial, a recorrente alega, de início, dissídio jurisprudencial quanto à possibilidade de questionar, nos autos da ação de busca e apreensão, os juros abusivos praticados no contrato. Alega, ainda, violação ao art. 3 do Decreto-Lei nº 911/69 e o art. 51, IV e §1º, III do Código de Defesa do Consumidor (CDC), sustentando, em síntese que os juros remuneratórios praticados foram abusivos, uma vez que superaram, e muito, a taxa média de mercado, o que descaracteriza a mora, uma vez que se tratam de cláusulas contratuais nulas e abusivas, que colocam o consumidor em desvantagem exagerada. É o relatório. Decido. No que se refere à tese de dissídio jurisprudencial quanto à possibilidade de questionar, nos autos da ação de busca e apreensão, os juros abusivos praticados no contrato, tem-se que a ausência de indicação do dispositivo de lei com interpretação divergente por outros tribunais inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF. Neste sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RAZÕES RECURSAIS. OFENSA À LEGISLAÇÃO FEDERAL. INDICAÇÃO GENÉRICA. INAPTIDÃO. SÚMULA N. 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DISPOSITIVO LEGAL. INDICAÇÃO. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO MANTIDA. 1. A alegação genérica de violação de dispositivos da legislação federal violados caracteriza deficiência na fundamentação recursal, a teor da Súmula 284 do STF. Sem demonstrar, concreta e analiticamente, em que medida cada um dos dispositivos legais teria sido violado pela decisão recorrida, não é cabível o recurso especial. 2. O conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional exige a indicação do dispositivo legal objeto da divergência. Inafastável a incidência da Súmula n. 284 do STF também quanto a esse ponto. 3. Somente em hipóteses excepcionais, quando irrisório ou exorbitante o valor da indenização por danos morais arbitrado na origem, a jurisprudência desta Corte permite o afastamento da Súmula n. 7/STJ para possibilitar a revisão. No caso, o valor estabelecido pela Corte de origem não se mostra desproporcional, a justificar sua reavaliação em recurso especial. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.592.955/PE, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024.) CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. MORTE DO MARIDO E PAI DOS AUTORES. DANOS MORAIS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SÚMULA 284/STF. VALOR RAZOÁVEL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A ausência de indicação do dispositivo de lei com interpretação divergente por outros tribunais, inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. Incidência da Súmula 284 do STF. 2. O valor arbitrado pelas instâncias ordinárias a título de danos morais somente pode ser revisado em sede de recurso especial quando irrisório ou exorbitante. No caso, o montante fixado em R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), para cada autor (esposa e filhos da vítima) não se mostra exorbitante nem desproporcional aos danos suportados em razão de morte do marido e pai dos promoventes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 345.654/RJ, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 10/10/2022, DJe de 21/10/2022.) Já quanto à alegação de que os juros remuneratórios praticados foram abusivos, colocando o consumidor em desvantagem exagerada, uma vez que superaram, e muito, a taxa média de mercado, assentou a Corte a quo: "Observo que não existe no contrato firmado entre as partes qualquer indício de vício, abusividade ou vantagem exagerada, no que se refere a taxa de juros, vez que estão de acordo com as taxas praticadas por outros bancos, portanto legitima a capitalização de juros que é expressamente convencionada." (e-STJ fls. 217/218) Nesse contexto, a modificação de tal entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria a interpretação das cláusulas contratuais e o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos das Súmulas 5 e 7 do STJ. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS. TAXA MÉDIA. SÚMULA N. 83/STJ. ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA. REEXAME DO CONTRATO E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para operações similares, na mesma época do empréstimo, pode ser usada como referência no exame da abusividade dos juros remuneratórios, mas não constitui valor absoluto a ser adotado em todos os casos. 2. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretação de cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. O Tribunal de origem, mediante a análise da prova dos autos e os parâmetros definidos no Recurso Especial Repetitivo n. 1.061.530/RS a respeito dos juros remuneratórios em contratos bancários, afastou a alegação de abusividade da taxa cobrada. Desse modo, a alteração do desfecho conferido ao processo atrai o óbice das mencionadas súmulas. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.155.365/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 15/12/2022.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO BANCÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. COBRANÇA SEM A CUMULAÇÃO COM OUTROS ENCARGOS. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. No caso concreto, a Corte de origem consignou que a taxa de juros remuneratórios foi contratada em valor inferior à taxa média de mercado. Não seria possível, pois, acolher os fundamentos expendidos no recurso em mote, notadamente no sentido de reconhecer-se eventual cobrança abusiva de juros remuneratórios, sem proceder-se à interpretação das cláusulas contratuais e ao revolvimento do acervo fático-probatório nos autos, situação que esbarraria nos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. 2. A eg. Segunda Seção desta Corte Superior pacificou a orientação no sentido de ser admitida, no período de inadimplemento contratual, a comissão de permanência, à taxa média do mercado apurada pelo Banco Central do Brasil e limitada à taxa do contrato, desde que não esteja cumulada com correção monetária (Súmula 30/STJ), com juros remuneratórios (Súmula 296/STJ), com juros moratórios nem com multa contratual. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.384.384/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 13/10/2022.) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios devidos à parte recorrida de 12% sobre o valor da causa para 13% do respectivo valor, ressalvada eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. EMENTA