AREsp 2533575 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por contrariar o acórdão recorrido a jurisprudência consolidada no Tema 1.132/STJ, que admite como suficiente para comprovar a mora o envio de notificação registrada com aviso de recebimento ao endereço constante do contrato, sem exigir prova de...
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- Parties
- Agravante: BANCO ITAU CARD S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Admissibilidade
- Outcome
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Busca E Apreensão, Mora, Notificação Extrajudicial, Recurso Especial, Admissibilidade
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Parties
BANCO ITAU CARD S.A.
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 Requisitos para comprovação da mora em ação de busca e apreensão decorrente de contrato de alienação fiduciária
- 2 Validade da notificação enviada ao endereço indicado no instrumento contratual quando o devedor não é encontrado no local
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento ao recurso especial, por contrariar o acórdão recorrido a jurisprudência consolidada no Tema 1.132/STJ, que admite como suficiente para comprovar a mora o envio de notificação registrada com aviso de recebimento ao endereço constante do contrato, sem exigir prova de recebimento pelo devedor.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por BANCO ITAU CARD S.A. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a parte agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 243): EMENTA:CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DEINSTRUMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BUSCA EAPREENSÃO. NOTIFICAÇÃO NÃO ENTREGUE NOENDEREÇO DO DEVEDOR. MORA NÃO CONFIGURADA. DECISÃO REFORMADA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO RECURSO. No recurso especial, alega a parte recorrente violação dos arts. 2º, § 2º, e 3º do DL n. 911/69, sob o argumento de que, quando o devedor não é encontrado no endereço fornecido ao credor, deve ser considerada válida a notificação expedida no endereço do contrato para sua constituição em mora e consequente seguimento da ação de busca e apreensão. Sem contrarrazões ao recurso especial, sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 334-337), o que ensejou a interposição do presente agravo. Não apresentada contraminuta do agravo. É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo ao exame do recurso especial. Com razão o recorrente. O acórdão recorrido está divergente da atual jurisprudência do STJ. A controvérsia versada neste recurso especial diz respeito aos requisitos necessários para comprovação da mora em ação de busca e apreensão decorrente de inadimplemento em contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. Nos termos do art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 911/1969, a mora nos contratos de alienação fiduciária "decorrerá do simples vencimento no prazo para pagamento e poderá ser comprovada por carta registrada com aviso de recebimento, não se exigindo que a assinatura constante do referido aviso seja a do próprio destinatário". Essa questão de direito foi afetada à Segunda Seção como representativa de controvérsia e julgada sob o rito do art. 1.036 do Código de Processo Civil, em 9/8/2023, conforme acórdãos proferidos nos Recursos Especiais n. 1.951.888/RS e 1.951.662/RS, fixando-se a seguinte tese: Tema 1.132: Para a comprovação da mora nos contratos garantidos por alienação fiduciária, é suficiente o envio de notificação extrajudicial ao devedor no endereço indicado no instrumento contratual, dispensando-se a prova do recebimento, quer seja pelo próprio destinatário, quer por terceiros. No referido julgamento, prevaleceu a tese proposta pelo Ministro João Otávio de Noronha, segundo a qual a formalidade que a lei exige do credor para ajuizamento da ação de busca e apreensão é, tão somente, a prova do envio da notificação, via postal e com aviso de recebimento, ao endereço do devedor indicado no contrato, sendo desnecessária a prova do recebimento. Dessa forma, comprovado o envio: .. não cabe perquirir se a notificação será recebida pelo próprio devedor ou por terceiros, porque essa situação é mero desdobramento do ato, já que a formalidade exigida pela lei é a prova do envio ao endereço constante do contrato. Assim, se o devedor pretender eximir-se do recebimento da notificação e, para tanto, ausentar-se, isso é igualmente indiferente. Na mesma linha, não é exigível que o credor se desdobre para localizar o novo endereço do devedor. Ao contrário, cabe ao devedor que mudar de endereço informar a alteração ao credor. Isso se dá porque, ao formalizar um contrato com garantia da alienação fiduciária, já tem o devedor plena consciência das regras e das consequências do não pagamento. Inclusive, ao dar a garantia, ele já sabe que, até o final do contrato, deixa de ter a efetiva propriedade do bem, pois transfere ao credor fiduciário, durante a vigência do contrato, a propriedade e até mesmo o direito de tomar posse do bem, caso ocorra o inadimplemento da obrigação. .. Essa conclusão abarca como consectário lógico situações outras igualmente submetidas à apreciação deste Tribunal, tais como quando a notificação enviada ao endereço do devedor retorna com aviso de "ausente", de "mudou-se", de "insuficiência do endereço do devedor" ou de "extravio do aviso de recebimento", reconhecendo-se que cumpre ao credor demonstrar tão somente o comprovante do envio da notificação com aviso de recebimento ao endereço do devedor indicado no contrato. No caso em análise, o Tribunal a quo manteve a sentença que extinguiu a ação de busca e apreensão, sem resolução do mérito, considerando ineficaz, para comprovação da mora, a notificação enviada pelo recorrente ao endereço do recorrido indicado no contrato, por ter retornado com a informação "ausente", conforme se extrai do seguinte excerto (fl. 249 ): Pois bem, no caso em análise, embora a notificação extrajudicial tenha sido remetida para ao local indicado no contrato, o ato acabou não se efetivando, pois ID 16859351o AR atestou a devolução ao remetente por motivo "área não atingida" ( pág. 60). Nesse cenário, verifica-se que o acórdão recorrido está contrário à orientação firmada no Tema 1.132/STJ. Ante o exposto conheço do agravo para dar provimento ao recurso especial nos termos da fundamentação acima expendida. Publique-se. Intimem-se. EMENTA