REsp 2173704 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido reconheceu o crédito como extraconcursal em razão de cessão fiduciária de direitos creditórios, decisão em sintonia com a jurisprudência do STJ; o recorrente não demonstrou similitude fática nem realizou o cotejo analítico necessário para comprovar dissídio...
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- Parties
- Recorrente: EDELO MARCELO FERRARI; Devedora Principal: FBM Comércio de Materiais de Construção Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Cessão Fiduciária De Direitos Creditórios, Extraconcursalidade, Novação, Tema 885/stj, Súmula 581/stj, Súmula 83/stj, Honorários Advocatícios, Litigância De Má Fé
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Parties
EDELO MARCELO FERRARI
Recorrente
FBM Comércio de Materiais de Construção Ltda.
Devedora Principal
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se créditos garantidos por cessão fiduciária de direitos creditórios estão sujeitos aos efeitos da recuperação judicial
- 2 Se a aprovação do plano de recuperação judicial novaria o crédito e extinguiria a execução
- 3 Aplicabilidade do Tema 885/STJ e da Súmula 581/STJ à hipótese
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido reconheceu o crédito como extraconcursal em razão de cessão fiduciária de direitos creditórios, decisão em sintonia com a jurisprudência do STJ; o recorrente não demonstrou similitude fática nem realizou o cotejo analítico necessário para comprovar dissídio jurisprudencial, de modo que incide a Súmula 83/STJ e o recurso não pode ser processado; majoraram-se honorários em 10% sobre o valor arbitrado nas instâncias de origem.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Majorar em 10% os honorários advocatícios em desfavor do recorrente, sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do §11 do art.85 do CPC/2015, observados os limites do §2º e eventual gratuidade de justiça.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por EDELO MARCELO FERRARI com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO assim ementado (fls. 525-526): RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL - EMBARGOS À EXECUÇÃO - IMPROCEDÊNCIA - PRELIMINAR - OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE - REPETIÇÃO DOS ARGUMENTOS DA PETIÇÃO INICIAL - REJEIÇÃO - - PROCESSAMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - MÉRITO - CRÉDITO GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - EXTRACONCURSALIDADE - NOVAÇÃO - PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO EM RELAÇÃO AOS COOBRIGADOS (AVALISTAS) - POSSIBILIDADE - APLICABILIDADE DO TEMA 885 DO STJ - RECURSO REPETITIVO - LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ - DOLO OU MALÍCIA NÃO COMPROVADOS - ORIENTAÇÃO DO STJ - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - PAGAMENTO PELO VENCIDO -ARTIGO 85 DO CPC/15 - DECISÃO MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. Repetir, no recurso, os argumentos já lançados na petição inicial ou na contestação não representa, por si só, obstáculo ao conhecimento do recurso, nem ofensa ao princípio da dialeticidade. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os créditos garantidos por alienação fiduciária estão excluídos dos efeitos da recuperação judicial, possuindo natureza extraconcursal. A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória. Tema: 885/STJ e Súmula nº 581/STJ. Muito embora a aprovação do plano de recuperação da devedora principal implique novação do crédito sob cobrança, nos termos do caput do art.59 da Lei nº 11.101/2005, esse novo ajuste não impede que o credor prossiga na satisfação do crédito que sobejar ao valor novado, junto aos coobrigados e avalistas. Conforme orientação consolidada na jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, a condenação por litigância de má-fé somente se mostra possível se restar sobejamente comprovado que a parte agiu de forma desleal no processo, com dolo ou culpa, mesmo porque a boa-fé é presumível e a má-fé exige prova robusta. Os honorários advocatícios serão pagos pelo vencido, nos termos do artigo 85 do CPC/15 Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 595-602). Em suas razões recursais, além de divergência jurisprudencial, o recorrente alega violação dos arts. 49 e 59 da Lei n. 11.101/2005, pois o Tribunal de Justiça estadual deixou de considerar que a principal devedora, FBM Comércio de Materiais de Construção Ltda., encontra-se em recuperação judicial; que, com a aprovação do plano de recuperação judicial, houve a novação do crédito em discussão, devendo a execução ser extinta; e que os credores, na recuperação judicial, anuíram à cláusula de supressão das garantias. O Tribunal de Justiça admitiu o recurso especial (fls. 667-670). É o relatório. Decido. Da leitura o acórdão recorrido se verifica que, na verdade, o crédito do ora recorrido foi considerado extraconcursal, não sujeito à recuperação judicial. Veja-se o seguinte trecho do julgado (fls. 543-545): Analisando detidamente os autos, denota-se que a parte credora celebrou com a devedora principal FBM COMÉRCIO DE MATERIAIS E CONSTRUÇÃO, em 20/07/2021 , as CÉDULAS DE CRÉDITO BANCÁRIO - CAPITAL DE GIRO NR. 00331666300000008210e 00331666300000015490 -, dando em garantia direitos creditórios (título de capitalização). Confira uma das cédulas e o instrumento da garantia: .. Primeiramente, vale salientar que a operação contratada não se sujeita aos efeitos da Recuperação Judicial, tendo em vista a existência de garantias por cessão fiduciária de direitos creditórios (títulos de capitalização), conforme artigo 49, § 3º da Lei 11.101/05, portanto, tratando-se de crédito extraconcursal, inclusive declarado pelo próprio administrador judicial. "Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos. .. § 3º Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em contrato de venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais, observada a legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a que se refere o § 4º do art. 6º desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial." Dessa forma, a parte recorrente não demonstrou a correlação de suas alegações com os fundamentos do acórdão recorrido, no sentido de que seu crédito seria concursal, submetido aos efeitos da recuperação judicial. Assim, está prejudicada a compreensão da controvérsia trazida a esta Corte, pois as razões recursais estão dissociadas dos fundamentos expostos no acórdão recorrido, o que atrai a incidência da Súmula n. 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RAZÕES DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA N. 284/STF. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO ÓBICE APONTADO. SÚMULA N. 283/STF. DECISÃO MANTIDA. 1. A alegação dissociada da realidade fática delineada no acórdão recorrido caracteriza deficiência na fundamentação recursal, a teor da Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. O especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido suficiente por si só para mantê-lo não deve ser admitido, a teor da Súmula n. 283 do STF, aplicada por analogia. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.515.228/ RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.) Além disso, a conclusão do Tribunal de origem está nos termos do entendimento do STJ ao considerar que o contrato garantido por cessão fiduciária de direitos creditórios não se submete à recuperação judicial. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PROVIMENTO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA RECORRIDA. 1. A decisão proferida pelo Tribunal estadual, em juízo de admissibilidade, não vincula o Superior Tribunal de Justiça na aferição dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial. 2. Segundo o entendimento jurisprudencial firmado pelas Turmas que compõem a Segunda Seção desta Colenda Corte, os créditos garantidos por meio de alienação fiduciária não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial, ainda que destituídos de registro. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 831.496/SC, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 18/5/2023.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. 1. DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DA CORTE DE ORIGEM NÃO VINCULA O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 2. EXISTÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NOTÓRIO. MITIGAÇÃO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. 3. BLOQUEIO DE VALORES EM CONTA-CORRENTE. CRÉDITO BANCÁRIO GARANTIDO POR ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. NÃO SUJEIÇÃO À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES. 4. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INTERPRETAÇÃO LÓGICO-SISTEMÁTICA. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. 5. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. 6. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O juízo de admissibilidade do recurso especial feito pelo Tribunal de origem é provisório, sujeito a controle bifásico e não vincula esta Corte Superior, que tem competência plena para exercer o juízo definitivo de admissibilidade do recurso. 2. Consoante pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível a mitigação dos requisitos formais de admissibilidade do recurso especial diante da constatação de divergência jurisprudencial notória. 3. De fato, o entendimento desta Corte Superior é no sentido de que a alienação fiduciária de coisa fungível e a cessão fiduciária de direitos sobre coisas móveis, bem como de títulos de créditos, não se sujeitam aos efeitos da recuperação judicial, justamente por possuírem a natureza jurídica de propriedade fiduciária, nos termos do § 3º do art. 49 da Lei n. 11.101/2005. 4. Nos termos da orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal, não há falar em julgamento extra petita quando o julgador, mediante interpretação lógico- sistemática, examina a petição apresentada pelo insurgente como um todo. 5. Não ficou configurada a violação do art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.999.933/SC, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 25/5/2022, destaquei.) É o caso, pois, de não conhecimento do recurso em razão da incidência da Súmula n. 83 do STJ ("Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida"), aplicável também aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. No tocante à divergência jurisprudencial, nota-se que o recurso especial apenas traz jurisprudência que o recorrente entende divergir do acórdão recorrido, sem, contudo, demonstrar a existência de similitude fática ou realizar o necessário cotejo analítico. Dessa forma, a falta da similitude fática e do cotejo analítico, requisitos indispensáveis à demonstração da divergência, inviabilizam a análise do dissídio, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do STJ. No mais, "encontrando-se o aresto de origem em sintonia à jurisprudência consolidada nesta Corte, a Súmula 83 do STJ serve de óbice ao processamento do recurso especial, tanto pela alínea "a" como pela alínea "c", a qual viabilizaria o reclamo pelo dissídio jurisprudencial" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 741.863/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 30/3/2020, DJe de 1º/4/2020). Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA