AREsp 2572800 - DECISAO
Mantido o acórdão do TJRS que considerou não abusiva a taxa de juros pactuada, por estar em conformidade com a jurisprudência do STJ de que a superação da taxa média de mercado não caracteriza automaticamente abusividade; assim, aplica‑se o óbice da Súmula 83/STJ ao recurso especial, que é conhecido e negado...
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- Parties
- Agravante: JANAÍNA CANDOZO COSTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Negando Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial; mantido o acórdão recorrido; majorados honorários devidos ao advogado da recorrida para 11% sobre o valor da causa.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Abusividade De Juros, Recurso Especial, Honorários Advocatícios
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Parties
JANAÍNA CANDOZO COSTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Conhecendo Do Agravo E Negando Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a disparidade entre a taxa de juros contratada e a taxa média de mercado caracteriza abusividade dos encargos
- 2 Aplicabilidade da jurisprudência do STJ e da Súmula 83/STJ no exame do recurso especial
Ratio Decidendi
Mantido o acórdão do TJRS que considerou não abusiva a taxa de juros pactuada, por estar em conformidade com a jurisprudência do STJ de que a superação da taxa média de mercado não caracteriza automaticamente abusividade; assim, aplica‑se o óbice da Súmula 83/STJ ao recurso especial, que é conhecido e negado provimento. Além disso, majoram‑se os honorários da parte vencedora para 11% sobre o valor da causa com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial; mantido o acórdão recorrido; majorados honorários devidos ao advogado da recorrida para 11% sobre o valor da causa.
Orders
- Conhecer do agravo
- Negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JANAÍNA CANDOZO COSTA em face de decisão de inadmissibilidade de recurso especial, fundado no art. 105, III, "c", da Constituição, interposto em face do v. acórdão proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: "AGRAVO INTERNO. AÇÃO REVISIONAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO MONOCRÁTICA QUE PROVEU EM PARTE O APELO DA AUTORA. REEDIÇÃO DE ARGUMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS JA ANTES REJEITADOS. AGRAVO DESPROVIDO." (fl. 256) Sob a alegação de dissídio jurisprudencial, a recorrente sustenta, em síntese, que a disparidade entre a taxa de juros praticada no contrato de mútuo e a taxa média de mercado, aplicada a ajustes da mesma espécie, caracteriza a abusividade do encargo. Contrarrazões às fls. 320/329. É o relatório. O eg. TJRS julgou improcedente o pedido de declaração de abusividade da taxa de juros, por entender que a disparidade com a taxa média, na espécie, é razoável, veja-se: "Os juros remuneratórios, no caso em análise, não demonstram abusividade. No contrato juntado aos autos, verifico em sede de cognição sumária a ausência das abusividades contratuais alegadas pela parte agravante, pois embora os juros remuneratórios pactuados em 36,92% a.a. estejam em patamar superior à taxa de mercado apurada para o período em que se celebrou o ajuste, que era de 27,10% aa., tal percentual está em nível razoável, dadas as peculiaridades do caso concreto, na esteira de recentes decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, de sorte que não percebo abusividade nesta variação dos juros, especificamente no pacto ora objeto da revisão e relativamente ao automóvel financiado. Logo, tem razão a instituição financeira, ao opor-se ao pedido, e vão mantidos os juros remuneratórios previstos em contrato. Tudo, vale sublinhar, na forma do decisório do Ev. 5." (fl. 253) O acórdão deve ser mantido. "A jurisprudência do STJ orienta que a circunstância de a taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira exceder a taxa média do mercado não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras." (AgInt no AREsp n. 1.970.353/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 22/9/2022.). Assim, ante a conformidade do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte, incide o óbice da Súmula n. 83/STJ ("Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida."). Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários devidos ao advogado da recorrida para 11% sobre o valor da causa. Publique-se. EMENTA