AREsp 2740703 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem enfrentou a matéria necessária ao julgamento, não havendo omissão apta a configurar negativa de prestação jurisdicional; além disso, a pretensão recursal demandaria reexame de fatos e provas e revisão de decisão...
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- Parties
- Agravante: JOSÉ CARLOS DOS SANTOS PIRES; Agravante: ROSANGELA VEIGA PIRES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo
- Outcome
- Agravo conhecido em parte; recurso especial, nessa extensão, não provido.
- Legal Topics
- Alienação Fiduciária, Intimação Por Edital, Consolidação Da Propriedade, Recurso Especial Admissibilidade, Tutela De Urgência, Divergência Jurisprudencial, Honorários Sucumbenciais
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Parties
JOSÉ CARLOS DOS SANTOS PIRES
Agravante
ROSANGELA VEIGA PIRES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo
Legal Issues
- 1 Negativa de prestação jurisdicional por omissão (arts. 489 e 1.022 do CPC)
- 2 Aplicação do art. 26 da Lei nº 9.514/1997 e requisitos para intimação por edital, inclusive esgotamento das formas de localização do devedor
- 3 Cabimento de recurso especial para reexame de decisões interlocutórias e tutelas de urgência (Súmulas 735/STF e 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem enfrentou a matéria necessária ao julgamento, não havendo omissão apta a configurar negativa de prestação jurisdicional; além disso, a pretensão recursal demandaria reexame de fatos e provas e revisão de decisão interlocutória/tutelar, o que é vedado pelo entendimento consolidado (Súmulas 735/STF e 7/STJ), e não foi demonstrada divergência jurisprudencial apta a autorizar o conhecimento pela alínea c do art. 105 da CF.
Court Disposition
Agravo conhecido em parte; recurso especial, nessa extensão, não provido.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por JOSÉ CARLOS DOS SANTOS PIRES e ROSANGELA VEIGA PIRES contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado: "CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. SFH. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE. 1. A mera alegação de ausência de notificação pessoal não invalida a certidão lavrada nos termos do art. 26, § 3º, da Lei 9.514/97, subscrita por escrevente de serventia judicial, que inclusive goza de fé pública (e, por isso, de presunção de veracidade), constituindo-se em documento hábil para comprovar a mora do devedor. 2. O prazo de 15 dias para purgar a mora e restabelecer o contrato, previsto no art. 26, §1º e §2º, da Lei 9.514/97, se aplica apenas antes da consolidação da propriedade. " (e-STJ fl. 78). Os primeiros embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 787/792) e os segundos foram acolhidos parcialmente, somente para corrigir erro material (e-STJ, fls. 124/127). No recurso especial, os recorrentes apontam, além de divergência jurisprudencial, a violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil, porque o acórdão combatido teria incorrido em negativa de prestação jurisdicional ao não apreciar aspectos relevantes da demanda suscitados nos embargos declaratórios, como a necessidade de esgotamento dos meios de localização da parte devedora para a intimação por edital e a discordância das conclusões do acórdão recorrido com julgados do Superior Tribunal de Justiça; (ii) artigo 26 da Lei nº 9.514/1997 e divergência jurisprudencial, ao argumento de que a intimação por edital restringe-se às hipóteses em que o devedor fiduciante, seu representante legal ou procurador encontrar-se em local ignorado, incerto ou inacessível, com o esgotamento de todas as formas de localização do devedor. Requer o provimento do recurso especial para que seja deferida a tutela cautelar pleiteada. Com as contrarrazões (e-STJ fls. 209/218), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. No que tange aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o Tribunal local, ainda que por fundamentos distintos daqueles apresentados pelas partes, adota fundamentação suficiente para decidir integralmente a controvérsia. Frisa-se que, mesmo à luz do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015, o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). Concretamente, verifica-se que o Tribunal local enfrentou a matéria posta em debate na medida necessária para o deslinde da controvérsia, concluindo pela ausência de plausibilidade do direito pleiteado pelos recorrentes ao fundamento de que "a falta de cadastro dos dados apontados no evento 25.2 (folha 2), a princípio, não são suficientes para apontar a nulidade do processo de consolidação da propriedade em tela" (e-STJ, fl. 124). No mais, nos termos da iterativa jurisprudência desta Corte não cabe recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar, dada a natureza precária da decisão, aplicando-se por analogia a Súmula nº 735/STF. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. AÇÃO DE IMISSÃO NA POSSE. IMÓVEL OBJETO DE ARREMATAÇÃO EXTRAJUDICIAL. REQUISITOS DA TUTELA DE URGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL INCABÍVEL. SÚMULA 735/STF. REVISÃO VEDADA. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL EXPOSTO DE FORMA INADEQUADA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte estabelece que "não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, considerando a natureza precária da decisão, conforme disposta na Súmula n.º 735 do STF" (AgInt no REsp n. 2.032.857/SP, Relator o Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 29/4/2024, D Je de 2/5/2024). Dessa forma, impõe-se a aplicação analógica da Súmula 735/STF: "Não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar." 2. Rever o entendimento firmado pelo Tribunal de origem acerca da constituição da mora do devedor fiduciário e da ausência da probabilidade do direito alegado, seria necessário o revolvimento de fatos e de provas nos autos, o que é inviável no recurso especial, conforme orientação consolidada no enunciado n. 7 da súmula de jurisprudência desta Corte. 3. A aplicação das Súmulas 7/STJ e 735/STF prejudica o exame da pretensão recursal fundada na alínea c do permissivo constitucional. Ademais, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015, c/c art. 255, § 1º, do RISTJ, para a demonstração da divergência, não basta a simples transcrição da ementa ou voto do acórdão paradigma, fazendo-se necessário o cotejo analítico entre o aresto recorrido e o divergente, com a explicitação da identidade das situações fáticas e a interpretação diversa emprestada ao mesmo dispositivo de legislação infraconstitucional, situação que não ficou configurada no apelo excepcional interposto pela parte insurgente. 4. Agravo interno desprovido". (AgInt no AREsp nº 2.574.728/PR, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, D Je de 5/11/2024 - grifou-se) A mitigação desse entendimento ocorre apenas quando o recurso especial visa discutir a interpretação legal das normas que regulam o deferimento da medida, o que não é o caso dos autos, no qual as recorrentes pretendem que se analise o objeto da lide, relativo à suposta nulidade da sua intimação por edital. Nesse linha: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. COMPRA E VENDA DE BENS MÓVEIS. INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO. PARCERIA COMERCIAL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. REQUISITOS AUTORIZADORES. NATUREZA PRECÁRIA DA DECISÃO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA Nº 735/STF. MITIGAÇÃO. CABIMENTO. REEXAME. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula nº 735/STF. 2. Admite-se a mitigação do entendimento acima expresso quando o recurso visa a discutir "(..) a interpretação legal das normas que regulam o deferimento da medida" (EDcl nos EDcl no REsp 1.280.826/MT, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2014, D Je 2/2/2015). 3. A reforma do julgado que indeferiu a tutela de urgência - suspensão da exigibilidade das parcelas de instrumento particular de acordo e determinação para que a ré se abstenha de realizar cobrança e de negativar o nome das autoras -, demandaria o reexame de provas, providência inviável em recurso especial, em razão do óbice da Súmula nº 7/STJ. 4. Agravo interno não provido". (AgInt no AREsp nº 2.577.450/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, D Je de 4/11/2024 - grifou-se) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA