ExeMS 23462 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a União não comprovou a notificação da interessada acerca do procedimento revisional instaurado; sem tal comprovação, não se justifica o sobrestamento da execução, devendo ser mantida a decisão agravada que rejeitou a preliminar de inexigibilidade do título e determinou a...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Julgamento (sessão Virtual Da Primeira Seção)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução Em Mandado De Segurança, Suspensão De Execução, Notificação Da Interessada, Precatório, Instrução Normativa Nº 2/2021
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Parties
UNIÃO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Julgamento (sessão Virtual Da Primeira Seção)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz do RE 817.338/DF (Tema 839)
- 2 Se a instauração de procedimento revisional autoriza o sobrestamento da execução
- 3 Obrigação de notificar a interessada do procedimento revisional
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a União não comprovou a notificação da interessada acerca do procedimento revisional instaurado; sem tal comprovação, não se justifica o sobrestamento da execução, devendo ser mantida a decisão agravada que rejeitou a preliminar de inexigibilidade do título e determinou a expedição do precatório do valor incontroverso.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Manter a decisão agravada que rejeitou a preliminar de inexigibilidade do título judicial
- Determinar a expedição de precatório do valor incontroverso nos termos do art. 535, § 4º, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/04/2024 a 24/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Paulo Sérgio Domingues, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com a Sra. Ministra Relatora. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Gurgel de Faria. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA IN N. 2/2021, DO MMFDH. PRETENSÃO DE MANTER SUSPENSA A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DA INTERESSADA DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que instaurara novo procedimento revisional nos termos da Instrução Normativa nº 2, de 29/9/2021, do MMFDH. Em consequência, requereu fosse mantida suspensa a execução até que concluída essa revisão. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara a interessada do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza manter o sobrestamento do feito executivo. 3. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno de fls. 147-151 interposto pela UNIÃO contra decisão monocrática que, em sede de execução em mandado de segurança, aludindo ao trânsito em julgado do MS 27.563/DF (impetrado para questionar o procedimento revisional deflagrado pelo ente público) e em razão da constatação de que a portaria de anistia permanece válida, afastou, ao menos por ora, a preliminar de inexigibilidade do título judicial. De conseguinte, aludido decisum determinou a expedição do precatório de valor incontroverso com destaque de honorários advocatícios contratuais, se fosse o caso. A agravante alega, em síntese, que: (a) "a obrigação definida no título judicial em comento é de todo inexigível já no presente momento, tendo em vista a submissão da anistia a processo administrativo de revisão em curso"; (b) "não se pode afirmar que a inexigibilidade somente surja com a efetiva anulação da portaria de anistia, pois a sua submissão a processo administrativo de revisão é comprovadamente atual, o que por si só já subtrai a exigibilidade da obrigação nela definida, dada a possibilidade iminente de sua invalidação"; (c) "a totalidade dos valores executados ainda é controvertida e está sujeita a modificação via recurso na presente execução, na medida em que a União impugnou a integralidade do valor pleiteado, sustentando a inexigibilidade da obrigação definida na portaria de anistia"; e (d) "o título cujo cumprimento se requer não goza de exigibilidade, devendo-se aguardar o desfecho do processo de revisão de anistia". Não houve contrarrazões (certidão de fl. 153). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA IN N. 2/2021, DO MMFDH. PRETENSÃO DE MANTER SUSPENSA A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DA INTERESSADA DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que instaurara novo procedimento revisional nos termos da Instrução Normativa nº 2, de 29/9/2021, do MMFDH. Em consequência, requereu fosse mantida suspensa a execução até que concluída essa revisão. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara a interessada do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza manter o sobrestamento do feito executivo. 3. Agravo interno improvido. VOTO Conforme consignado na decisão agravada, sobreveio o trânsito em julgado no bojo do MS 27.563/DF (impetrado para questionar o procedimento revisional deflagrado pelo ente público). Diante disso, restabelecida a validade da portaria de anistia objeto da presente execução, o decisum em comento rejeitou a preliminar de inexigibilidade do título judicial arguida pela UNIÃO em sua impugnação e determinou fosse expedido precatório do valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC. Insurge-se a União, argumentando que está em curso novo procedimento para rever a concessão da anistia, agora, observando as diretrizes exigidas pelo Supremo Tribunal Federal de modo a assegurar à parte interessada o devido processo legal. Embora reporte-se à instauração de novo procedimento revisional nos termos da Instrução Normativa n. 2, de 29/9/2021, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a agravante não se desincumbiu de comprovar a notificação da interessada. Po rtanto, a situação não autoriza o sobrestamento do feito executivo. O processo não pode permanecer paralisado indefinidamente à espera da Administração. É imprescindível que ela envide os esforços necessários para rever, com a desejável brevidade, os inúmeros casos de concessão de anistia política em que reputa não comprovada a perseguição exclusivamente política, sob pena de violação ao princípio da razoável duração do processo. Em todo caso, com base na ressalva feita por esta Corte Superior na QO no MS 15.706/DF, se posteriormente vier a ser comprovada a anulação da anistia política, com observância das garantias processuais, até o levantamento dos valores requisitados, deverá ser extinta a execução em curso, bem como cancelado o precatório expedido. Desse modo, não merece reparo a decisão agravada. Preclusas as vias impugnativas em relação à matéria tratada no presente recurso, os autos deverão ser conclusos para apreciar a impugnação de fls. 22-42 no que tange à parcela controvertida do crédito. Ante o exposto, voto por negar provimento ao agravo interno.