ExeMS 24759 - DECISAO
A impugnação da União foi julgada parcialmente procedente, determinando-se a liquidação pelos critérios indicados: base de cálculo no valor nominal constante da Portaria MJ n. 2.423/2002, deduzida a parcela incontroversa (Prc 12856/DF); aplicação do IPCA-E como índice de correção monetária, com incidência da SELIC a...
Source-derived case information.
- Parties
- Impugnante: UNIÃO; Exequente: Exequente
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 May 2025
- Procedural Posture
- Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Sobre Impugnação Na Execução (julgamento Parcial)
- Outcome
- Impugnação parcialmente procedente
- Legal Topics
- Anistia Política, Correção Monetária, Juros De Mora, Execução, Precatório, Impugnação
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
UNIÃO
Impugnante
Exequente
Exequente
Procedural Posture
Execução Em Mandado De Segurança / Decisão Sobre Impugnação Na Execução (julgamento Parcial)
Legal Issues
- 1 Incidência e termo inicial dos juros de mora e da correção monetária
- 2 Percentual e índice aplicável para correção monetária e juros em reparação econômica de anistiados políticos
- 3 Possibilidade de suspensão/declaração de inexigibilidade do título em razão de procedimento revisional
Ratio Decidendi
A impugnação da União foi julgada parcialmente procedente, determinando-se a liquidação pelos critérios indicados: base de cálculo no valor nominal constante da Portaria MJ n. 2.423/2002, deduzida a parcela incontroversa (Prc 12856/DF); aplicação do IPCA-E como índice de correção monetária, com incidência da SELIC a partir da publicação da EC n. 113/2021; termo inicial dos consectários legais no 61º dia contado da publicação da portaria anistiadora; aplicação dos percentuais de juros conforme os períodos temporalmente definidos (até junho/2009 0,5% ao mês; de julho/2009 até 9/12/2021 remuneração da caderneta de poupança; a partir de 9/12/2021 SELIC); determinação de envio dos autos à...
Court Disposition
Impugnação parcialmente procedente
Orders
- Determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para apurar o correto montante do percentual de juros com base nos critérios de liquidação definidos.
- Base de Cálculo do Principal: Valor nominal estabelecido na Portaria MJ n. 2.423/2002, devendo ser deduzida a parcela incontroversa requisitada por meio do Prc 12856/DF.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de impugnação oposta pela UNIÃO à execução em mandado de segurança no qual foi concedida a ordem para assegurar o pagamento dos valores retroativos em razão do reconhecimento da condição de anistiado político do exequente (o que se deu por meio da edição da Portaria MJ n. 2.023, de 28/11/2003). A executada requereu, preliminarmente, a extinção ou suspensão do feito, pelo fato de existir a possibilidade de anulação da anistia, em procedimento revisional. Ademais, apontou excesso de execução relativamente aos encargos legais, excesso esse correspondente a R$878.334,18, aduzindo que "Foi aplicado IPCA-E desde 11/2003 e juros de mora de 0,5% a. m. desde 10/2004, porém, conforme parâmetro fixado no OFÍCIO n. 01673/2022/PGU/AGU deve ser aplicado SELIC, índice que já contém juros em sua estrutura, desde a data da impetração que ocorreu em 14/11/2018" (fl.. 23). O exequente se manifestou em relação aos argumentos da União. Afastou-se a preliminar de inexigibilidade do título e determinou-se a expedição de precatório do valor incontroverso (fls. 65-66). Interposto Agravo Interno pela União, foi este desprovido em julgamento do órgão colegiado (fls. 144-152). Foi expedido o precatório PRC 12856/DF (fl. 162). É o relatório. Decido. Considerando que persiste a paralisação do procedimento revisional desde 2022, impõe-se o julgamento da parcela remanescente da Impugnação da União. DA INCIDÊNCIA E DO TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA E DA CORREÇÃO MONETÁRIA Na definição da tese de Repercussão Geral no Tema 394/STF, definiu-se que os encargos perseguidos nos autos (juros de mora e correção monetária) incidem sobre o valor nominal da Portaria concessiva da anistia. Ademais, a partir do texto legal que disciplina a matéria, a incidência de cada um dos consectários legais deve ocorrer a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora. Basta ver o quanto dispõe o art. 12, § 4º, da Lei n. 10.559/2002. Nesse sentido, confira-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. REPARAÇÃO ECONÔMICA. ANISTIA DE MILITAR. PARCELAS PRETÉRITAS. MINISTRO DE ESTADO DA DEFESA. LEGITIMIDADE. ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. INAPLICABILIDADE DA PRESCRIÇÃO. MERA SOLICITAÇÃO DE CASSAÇÃO DO ATO CONCESSIVO. INSUFICIÊNCIA PARA MODIFICAR A SUJEIÇÃO PASSIVA E AFASTAR A EXISTÊNCIA DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DISPONIBILIDADE ORÇAMENTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO ESTABELECIDO NA LEI 10.559/2002. JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. PARCIAL CONCESSÃO DA ORDEM. (..) 12. Conforme entendimento da Seção de Direito Público do STJ, apurada a ofensa ao direito líquido e certo do impetrante, que no caso é o reconhecimento da omissão no dever de providenciar o pagamento do montante concernente aos retroativos, conforme valor nominal estabelecido no ato administrativo, devem incidir juros e correção monetária, a partir do sexagésimo primeiro dia após a edição da Portaria concessiva da anistia. 13. Mandado de Segurança parcialmente concedido, nos termos acima referidos, com a ressalva de que, revogada a anistia concedida, cessam os efeitos desta ordem. (MS 21.447/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/09/2017, DJe 17/10/2017) (grifou-se) DO PERCENTUAL DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA Por fim, há que se frisar que, nos casos de anistia política, a jurisprudência desta Corte está firmada no sentido de que os consectários legais devem ser aqueles aplicados para servidores públicos. Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA IMPUGNAÇÃO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. TERMO INICIAL DESSES CONSECTÁRIOS LEGAIS. A PARTIR DO SEXAGÉSIMO PRIMEIRO DIA, CONTADOS DA PUBLICAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA. ÍNDICES APLICÁVEIS ATÉ JUNHO/2009. INCIDÊNCIA DOS MESMOS ÍNDICES UTILIZADOS PARA AS CONDENAÇÕES JUDICIAIS REFERENTES A SERVIDORES E EMPREGADOS PÚBLICOS (TEMA 905/STJ), CONSOANTE RECENTE ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO DESTE COLEGIADO. MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. NÃO CABIMENTO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O termo inicial a ser considerado para cada um dos consectários legais (correção monetária e juros de mora), incidentes sobre o valor retroativo da reparação econômica de caráter indenizatório devida ao anistiado político, é a partir do sexagésimo primeiro dia, contados da publicação da portaria anistiadora, o que encontra amparo, inclusive, na disposição contida no art. 12, § 4º, da Lei nº 10.559/2002. 2. Esta Primeira Seção, em sessão de julgamento realizada no dia 24/11/2021, alterou seu entendimento antes adotado, passando a definir que, nas reparações econômicas de caráter indenizatório devidas a anistiados políticos, devem ser aplicados os mesmos índices utilizados para as condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, nos moldes já definidos quando apreciado o Tema 905 da sistemática dos recursos especiais repetitivos. Desta forma, não vinga o inconformismo da UNIÃO, que defende a incidência da taxa SELIC até junho/2009, ao argumento de que a indenização prevista em portaria de anistia se enquadra no conceito de condenações judiciais de natureza administrativa em geral. 3. "Descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso" (AgInt no REsp n. 1.994.255/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 13/6/2022, DJe de 15/6/2022). 4. Agravo interno improvido. (Agint na ImpExe na ExeMs 25.384/DF, Relator Ministro SÉRGIO KUKINA, Primeira Seção, julgado em 16/8/2022, Dje de 19/8/2022). Assim, deve-se observar: a) até julho/2001, juros de mora de 1% ao mês (capitalização simples) e correção monetária com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; b) agosto/2001 a junho/2009 são juros de mora de 0,5% ao mês e correção monetária com IPCAE; e, c) a partir de julho/2009 são juros de mora da a remuneração oficial da caderneta de poupança e correção monetária IPCA-E. Nesses termos, a Contadoria Judicial deverá apurar qual o percentual correto na sua conta de liquidação. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a impugnação da UNIÃO e determino o envio dos autos à Coordenadoria de Processamento de Feitos em Execução Judicial para apurar o correto montante do percentual de juros com base nos seguintes critérios de liquidação: Base de Cálculo do Principal: Valor nominal estabelecido na Portaria MJ n. 2.423/2002, do Ministro de Estado da Justiça, devendo ser deduzida a parcela incontroversa requisitada por meio do Prc 12856 /DF. Índice de Correção Monetária a ser aplicada: IPCA-E (Tema 905/STJ e Tema 810/STF), com a ressalva de que, a partir da data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), deve incidir a SELIC. Termo Inicial da Correção Monetária: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Termo Final da Correção Monetária: Efetivo pagamento do precatório. Índice de Juros a serem aplicados: até junho/2009, 0,5% ao mês; a partir de julho/2009 até a data de publicação da EC n. 113/2021 (9/12/2021), remuneração oficial da caderneta de poupança. A partir da data de publicação da referida emenda, SELIC. Termo Inicial dos Juros: 61º dia contados da publicação da portaria anistiadora. Termo final dos Juros: Expedição do precatório. Quanto aos honorários sucumbenciais, deixo de arbitrá-los, considerando a definição adotada na solução do Tema 1.232/STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA