ExeMS 27808 - ACORDAO
A decisão manteve a expedição do precatório de valor incontroverso porque a União não comprovou a notificação da interessada acerca do procedimento revisional administrativo instaurado; a mera instauração da revisão sem notificação não autoriza sobrestar a execução. Contudo, se posteriormente for comprovada a...
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- Parties
- Agravante: UNIÃO; Agravada: AGRAVADA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Julgamento (decisão Da Primeira Seção)
- Outcome
- Agravio interno improvido
- Legal Topics
- Anistia Política, Execução, Precatório, Revisional Administrativa, Suspensão De Execução
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Parties
UNIÃO
Agravante
AGRAVADA
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno Na Execução Em Mandado De Segurança / Julgamento (decisão Da Primeira Seção)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz do RE 817.338/DF (Tema 839)
- 2 Suspensão da execução em razão de procedimento revisional administrativo
- 3 Necessidade de notificação da interessada para validade do procedimento revisional
Ratio Decidendi
A decisão manteve a expedição do precatório de valor incontroverso porque a União não comprovou a notificação da interessada acerca do procedimento revisional administrativo instaurado; a mera instauração da revisão sem notificação não autoriza sobrestar a execução. Contudo, se posteriormente for comprovada a anulação da anistia com observância das garantias processuais, a execução deverá ser extinta e o precatório cancelado.
Court Disposition
Agravio interno improvido
Orders
- Expedição do precatório de valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC
- Retorno dos autos conclusos à Relatora para apreciação da impugnação de fls. 41-72
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/09/2024 a 01/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Paulo Sérgio Domingues, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Gurgel de Faria. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 2, DE 29/9/2021, DA MMFDH. PRETENSÃO DE SUSPENDER A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE, PORQUANTO NÃO NOTIFICADA A INTERESSADA DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que adequara o procedimento revisional instaurado ao novo fluxo previsto na Instrução Normativa n. 2, de 29/9/2021, da MMFDH . Nesse contexto, requereu a suspensão da execução até que seja concluída essa revisão deflagrada na esfera administrativa. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara a interessada do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza sobrestar o feito executivo. 3. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA PRESIDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO (Relatora): Trata-se de agravo interno interposto pela UNIÃO contra decisão monocrática que, em sede de execução em mandado de segurança, determinou a expedição do precatório de valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC. A agravante alega, em síntese, que: (a) "a obrigação definida no título judicial em comento é de todo inexigível já no presente momento, tendo em vista a submissão da anistia a processo administrativo de revisão em curso"; (b) "não se pode afirmar que a inexigibilidade somente surja com a efetiva anulação da portaria de anistia, pois a sua submissão a processo administrativo de revisão é comprovadamente atual, o que por si só já subtrai a exigibilidade da obrigação nela definida, dada a possibilidade iminente de sua invalidação"; (c) "a totalidade dos valores executados ainda é controvertida e está sujeita a modificação via recurso na presente execução, na medida em que a União impugnou a integralidade do valor pleiteado, sustentando a inexigibilidade da obrigação definida na portaria de anistia"; e (d) "o título cujo cumprimento se requer não goza de exigibilidade, devendo-se aguardar o desfecho do processo de revisão de anistia". Requer, por isso, seja provido o recurso (fls. 83/87e). Em Impugnação, a agravada pleiteia a manutenção da decisão agravada. Argumenta que: (a) "a solicitação de mais uma suspensão do processo é desarrazoável e confronta os princípios constitucionais da razoável duração do processo e da proteção ao idoso"; e (b) "já conta com idade avançada, sendo certo que o mandado de segurança que gerou o título executivo foi ajuizado no ano de 2021, há quase três anos" (fls. 89/91e). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. ANISTIA POLÍTICA. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE DE ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA À LUZ DA ORIENTAÇÃO ADOTADA NO JULGAMENTO DO RE 817.338/DF (TEMA 839). INSTAURAÇÃO DE NOVO PROCEDIMENTO REVISIONAL NOS TERMOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 2, DE 29/9/2021, DA MMFDH. PRETENSÃO DE SUSPENDER A EXECUÇÃO. INVIABILIDADE, PORQUANTO NÃO NOTIFICADA A INTERESSADA DA REVISÃO DEFLAGRADA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Aludindo à possibilidade de anulação da portaria anistiadora à luz da orientação adotada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839), a UNIÃO informou que adequara o procedimento revisional instaurado ao novo fluxo previsto na Instrução Normativa n. 2, de 29/9/2021, da MMFDH . Nesse contexto, requereu a suspensão da execução até que seja concluída essa revisão deflagrada na esfera administrativa. 2. Em que pese a intenção de observar, com mais rigor, o devido processo legal, como exige o precedente emanado da Excelsa Corte, o ente público não se desincumbiu de comprovar que notificara a interessada do procedimento revisional instaurado, situação que não autoriza sobrestar o feito executivo. 3. Agravo interno improvido. VOTO A EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA PRESIDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO (Relatora): No recurso interposto, a agravante informa que instaurou procedimento revisional da portaria de anistia segundo o fluxo previsto na Instrução Normativa nº 2, de 29/9/2021, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Contudo, não comprovou a notificação da parte interessada para, querendo, defender-se na esfera administrativa. Sequer declinou o link de a cesso externo aos autos do respectivo processo administrativo para fins de acompanhamento. Dessa forma, partindo da premissa de que que a portaria de anistia, que lastreia a presente execução, encontra-se válida, a decisão agravada, com acerto, determinou a expedição do precatório de valor incontroverso, nos termos do art. 535, § 4º, do CPC. Portanto, se a agravante sequer cientificou a agravada da revisão deflagrada, a situação não autoriza sobrestar o feito executivo. Em todo caso, com base n a ressalva feita por esta Corte Superior na QO no MS 15.706/DF, uma vez comprovada posteriormente a anulação da anistia política, com observância das garantias processuais, até o levantamento dos valores requisitados, deverá ser extinta a execução em curso, bem como cancelado o precatório expedido. Desse modo, não merece reparo a decisão agravada. Por fim, preclusas as vias impugnativas em relação à matéria tratada no presente recurso, deverá ser expedido o precatório de valor incontroverso, retornando os autos conclusos a esta Relatora para apreciação da impugnação de fls. 41-72. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao presente agravo interno.