EAREsp 2540173 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o agravante não impugnou especificamente o único fundamento da decisão agravada (a aplicação da Súmula 182/STJ), ficando incólume o fundamento adotado pelo acórdão e alinhado ao paradigma EREsp 1.424.404/SP; assim, não há divergência jurisprudencial a ser dirimida e aplica-se a...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 December 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE Divergência NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento Sessão Virtual Da Corte Especial (04/12/2024 a 10/12/2024), Decisão Colegiada
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento).
- Legal Topics
- Aplicação Da Súmula 182/stj, Súmula 168/stj, Agravo Interno, Embargos De Divergência, Agravo No Recurso Especial, Impugnação De Fundamentos
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE Divergência NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento Sessão Virtual Da Corte Especial (04/12/2024 a 10/12/2024), Decisão Colegiada
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula 182/STJ no agravo interno
- 2 Possibilidade de impugnação parcial em agravo interno
- 3 Obrigatoriedade de impugnar o único fundamento da decisão agravada
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o agravante não impugnou especificamente o único fundamento da decisão agravada (a aplicação da Súmula 182/STJ), ficando incólume o fundamento adotado pelo acórdão e alinhado ao paradigma EREsp 1.424.404/SP; assim, não há divergência jurisprudencial a ser dirimida e aplica-se a Súmula 168/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 04/12/2024 a 10/12/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182/STJ. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL. SÚMULA 168/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A colenda CORTE ESPECIAL, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP, na sessão de 20 de outubro de 2021, analisou a incidência da Súmula 182/STJ no agravo interno. Na ocasião, concluiu que não deve ser aplicado, nos recursos interpostos com fundamento no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno), o precedente firmado no EAREsp 746.775/PR, porquanto este diz respeito estritamente à necessidade de impugnação, na petição de agravo em recurso especial (art. 1.042 do CPC de 2015), dos fundamentos da decisão que, na origem, não admite o apelo especial. 2. Ao recurso previsto no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno) não deve ser dado o mesmo tratamento. Neste é aceitável a impugnação parcial da decisão monocrática do Ministro do Superior Tribunal de Justiça que julga recurso especial ou agravo em recurso especial, já que é possível que a parte se conforme com alguns capítulos decisórios, optando por recorrer apenas em relação a outros pontos, autônomos. 3. No entanto, não é permitido ao recorrente, na petição de agravo interno, deixar de impugnar o único fundamento da decisão agravada ou todos os fundamentos de um mesmo capítulo decisório, tal como ocorreu no caso em apreço, o que inviabilizou o conhecimento do agravo interno anteriormente interposto. 4. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão, proferida por este Relator, que indeferiu liminarmente os embargos de divergência. Em suas razões recursais, o ora agravante alega que "o entendimento a que chegou a Egrégio Terceira Turma, porém, diverge daquele já proferido pela Corte Especial, quando do julgamento do v. Acórdão paradigma, a saber, EREsp n. 1.424.404/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 20/10/2021, D Je de 17/11/2021), segundo o qual é inaplicável a súmula 182/STJ, para julgamento de Agravo Interno em Agravo em Recurso Especial (..) Ocorre, todavia, que a decisão que inadmitiu o processamento do Agravo em Recurso Especial, e que foi objeto de Agravo Interno estava fundamentada em mais de um argumento, a saber, (i) suposta ausência de violação a dispositivo de lei e incidência de súmula 7/STJ" Devidamente intimada, a parte agravada impugnou o recurso. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182/STJ. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL. SÚMULA 168/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A colenda CORTE ESPECIAL, no julgamento do EREsp 1.424.404/SP, na sessão de 20 de outubro de 2021, analisou a incidência da Súmula 182/STJ no agravo interno. Na ocasião, concluiu que não deve ser aplicado, nos recursos interpostos com fundamento no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno), o precedente firmado no EAREsp 746.775/PR, porquanto este diz respeito estritamente à necessidade de impugnação, na petição de agravo em recurso especial (art. 1.042 do CPC de 2015), dos fundamentos da decisão que, na origem, não admite o apelo especial. 2. Ao recurso previsto no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno) não deve ser dado o mesmo tratamento. Neste é aceitável a impugnação parcial da decisão monocrática do Ministro do Superior Tribunal de Justiça que julga recurso especial ou agravo em recurso especial, já que é possível que a parte se conforme com alguns capítulos decisórios, optando por recorrer apenas em relação a outros pontos, autônomos. 3. No entanto, não é permitido ao recorrente, na petição de agravo interno, deixar de impugnar o único fundamento da decisão agravada ou todos os fundamentos de um mesmo capítulo decisório, tal como ocorreu no caso em apreço, o que inviabilizou o conhecimento do agravo interno anteriormente interposto. 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O agravante não conseguiu infirmar os fundamentos da decisão ora agravada, os quais permanecem incólumes. Com efeito, esta colenda CORTE ESPECIAL, no julgamento do referido EREsp 1.424.404/SP, apontado como paradigma, na sessão de 20 de outubro de 2021, analisou a incidência da Súmula 182/STJ no agravo interno, quando a parte agravante deixa de impugnar fundamento autônomo do referido recurso. Na ocasião, concluiu aquele órgão julgador que não deve ser aplicado, nos recursos interpostos com fundamento no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno), o precedente firmado no EAREsp 746.775/PR, porquanto este diz respeito estritamente à necessidade de impugnação, na petição de agravo em recurso especial (art. 1.042 do CPC de 2015), dos fundamentos da decisão que, na origem, não admite o apelo especial. Entendeu-se que ao recurso previsto no art. 1.021 do CPC de 2015 (agravo interno) não deve ser dado o mesmo tratamento. Neste é aceitável a impugnação parcial da decisão monocrática do Ministro do Superior Tribunal de Justiça que julga recurso especial ou agravo em recurso especial, já que é plenamente possível, em tese, que a parte se conforme com alguns capítulos decisórios, optando por recorrer apenas em relação a outros pontos, autônomos entre si. No entanto, não é permitido ao recorrente, na petição de agravo interno, deixar de impugnar o único fundamento da decisão agravada ou todos os fundamentos de um mesmo capítulo decisório. Na hipótese em exame, a decisão, proferida no âmbito desta colenda Corte de Justiça, que não conheceu do agravo em recurso especial, conforme consta de fls. 11.045/11.046, possuía apenas um fundamento, qual seja, a incidência da Súmula 182/STJ, por não ter a parte, na petição do aludido agravo, impugnado todos os fundamentos da decisão que indeferiu o processamento do recurso especial na origem. Ao contrário do alegado pela parte agravante, o fundamento d o acórdão objeto de impugnação não foi a Súmula 7/STJ, mas a Súmula 182/STJ, consoante acima delineado. Por sua vez, na petição de agravo interno interposto perante a colenda TERCEIRA TURMA, o ora embargante deixou de impugnar, de maneira específica, esse único fundamento da decisão agravada, de maneira que não há como afastar a incidência da Súmula 182/STJ também do agravo interno. O acórdão embargado, portanto, decidiu a controvérsia em conformidade com a jurisprudência firmada no próprio aresto paradigma: EREsp 1.424.404/SP (DJe de 17/11/2021). Assim, não há dissídio pretoriano configurado. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA INEXISTENTE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Os embargos de divergência pressupõem que haja divergência entre a decisão embargada e outra, apontada como paradigma. Caso em que ambas as decisões confrontadas são no mesmo sentido. Embargos de divergência incabíveis. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 740.623/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/11/2015, DJe 25/11/2015) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA ORIUNDO DO MESMO ÓRGÃO FRACIONÁRIO PROLATOR DO ACÓRDÃO EMBARGADO. FALTA DO PRESSUPOSTO DO § 3º DO ART. 1.043 DO CPC/2015. OUTRO JULGADO PARADIGMA NO MESMO SENTIDO DO ACÓRDÃO ALVEJADO. DISSENSO INTERPRETATIVO INEXISTENTE. 1. Inviável o conhecimento dos embargos de divergência em relação ao paradigma da Segunda Turma - mesmo órgão fracionário prolator do acórdão embargado, visto que ausentes os pressupostos exigidos no § 3º do art. 1.043 do CPC/2015 ("Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros"). 2. O outro acórdão apontado como paradigma termina por adotar a mesma linha de entendimento do julgado embargado, a saber, a de que não há nulidade na citação por edital na hipótese em que houve certificação, pelo oficial de justiça, de que não encontrado o devedor. Inexistência de dissenso interpretativo a ser dirimido pelo conduto dos embargos de divergência, o que possibilita seu indeferimento liminar, nos termos do art. 266-C do RISTJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl nos EREsp 1631121/SE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/12/2018, DJe 17/12/2018) Ademais, como visto, o acórdão embargado decidiu exatamente no mesmo sentido da jurisprudência consolidada nesta Corte Superior, a ensejar a aplicação da Súmula 168 do STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado." Diante do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.