REsp 1874950 - DECISAO
Verificado que a condenação dos recorrentes fundou-se exclusivamente no art. 11, caput, da Lei 8.429/1992 (redação anterior) e diante do entendimento consolidado pelo STF no Tema 1.199 quanto à aplicação da Lei 14.230/2021 aos processos em curso sem trânsito em julgado, e inexistindo possibilidade de reenquadramento...
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- Parties
- Recorrente: NILSON MARTORELLI; Recorrente: MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Agravo Interno (art. 1.021 Do Cpc) Interposto Contra Decisão Monocrática Que Não Conheceu Recursos Especiais / Juízo De Retratação (reconsideração) E Decisão Sobre Recursos Especiais
- Outcome
- Reconsiderada a decisão monocrática anterior; provido o recurso para extinguir a Ação de Improbidade Administrativa em face de NILSON MARTORELLI e MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA; agravo interno prejudicado.
- Legal Topics
- Aplicação Temporal Da Lei 14.230/2021 (tema 1199 Stf), Art. 11 Da Lei 8.429/1992, Necessidade De Dolo Para Atos De Improbidade, Reenquadramento E Extinção Da Ação De Improbidade, Regime Recursal (cpc/2015)
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Parties
NILSON MARTORELLI
Recorrente
MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno (art. 1.021 Do Cpc) Interposto Contra Decisão Monocrática Que Não Conheceu Recursos Especiais / Juízo De Retratação (reconsideração) E Decisão Sobre Recursos Especiais
Legal Issues
- 1 Aplicação da Lei 14.230/2021 a processos em curso sem trânsito em julgado (Tema 1199 STF)
- 2 Se a condenação fundada exclusivamente no art. 11 (caput) da Lei 8.429/1992 impede a manutenção da ação após a alteração legislativa
- 3 Possibilidade de reenquadramento da conduta em outros artigos da LIA
Ratio Decidendi
Verificado que a condenação dos recorrentes fundou-se exclusivamente no art. 11, caput, da Lei 8.429/1992 (redação anterior) e diante do entendimento consolidado pelo STF no Tema 1.199 quanto à aplicação da Lei 14.230/2021 aos processos em curso sem trânsito em julgado, e inexistindo possibilidade de reenquadramento da conduta em outras hipóteses tipificadas na LIA, impõe-se a extinção da ação de improbidade em relação aos recorrentes; assim, em juízo de retratação, deu-se provimento aos Recursos Especiais para extinguir a ação.
Court Disposition
Reconsiderada a decisão monocrática anterior; provido o recurso para extinguir a Ação de Improbidade Administrativa em face de NILSON MARTORELLI e MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA; agravo interno prejudicado.
Orders
- Reconsidero a decisão de fls. 2.715/2.727 e dou provimento aos Recursos Especiais para extinguir a Ação de Improbidade Administrativa proposta em desfavor de NILSON MARTORELLI e MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA
- Declaro prejudicado o Agravo Interno de fls. 2.734/2.774
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DECISÃO Vistos. Fls. 2.734/2.774e - Trata-se de Agravo Interno (art. 1.021 do CPC) interposto contra decisão monocrática mediante a qual os Recursos Especiais não foram conhecidos (fls. 2.715/2.727e). Impugnação às fls. 2.801/2.803e. Feito breve relato, decido. Em juízo de retratação, consoante o disposto no § 2º, do art. 1.021, do Código de Processo Civil de 2015, verifica-se a necessidade de reconsideração da mencionada decisão. Trata-se de Recursos Especiais interpostos por NILSON MARTORELLI e por MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA contra acórdão prolatado, por maioria, pela 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios no julgamento de Apelações e Reexame Necessário, assim ementado (fls. 2.006/2.068e): DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. APELAÇÃO CÍVEL E REMESSA NECESSÁRIA. ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTA CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ARTIGO 11 DA LEI No 8.429/1992). MATERIALIDADE. CONFIGURAÇÃO. AUTORIA POR PARTE DE AGENTES PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. AUTORIA POR TERCEIRO SUPOSTAMENTE BENEFICIADO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. SENTENÇA MANTIDA. 1 - Ante a comprovação de inexistência de prejuízos ao erário, configura materialmente ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração Pública a ampliação indevida do objeto de contrato administrativo originalmente adstrito à execução contínua de obras de recuperação asfáltica em vias e logradouros públicos, a fim de que, por meio desse contrato e sem instauração de novo procedimento licitatório, a empresa contratada passe a reformar pista de autódromo, até mesmo com a alteração do trajeto de curvas e com a viabilização de novas áreas de escape, de modo a adaptar o autódromo para a celebração de etapa de desporto automobilístico específico, qual seja de Fórmula Indy 300. 2 - Houve a prática de ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da Administração Pública pelos Réus à época ocupantes dos postos de Presidente da TERRACAP e de Diretor-Presidente da NOVACAP, porquanto ambos concorreram de forma voluntária, consciente e coordenada para estender o objeto do Contrato no 737/2009, mesmo realizando (prevendo) a ilegalidade e o resultado atentatório contra os princípios da Administração Pública provenientes de tal conduta - notadamente em razão da ciência de que a especificidade singular dos serviços realizados no autódromo, com o fito de adequá-lo aos padrões de segurança próprios da modalidade de desporto a motor Fórmula Indy 300, não encontrava espaço num contrato administrativo de execução continuada de recuperação de vias e logradouro públicos -, assumindo, assim, o risco de sua produção. 3 - É deficiente a pretensão autoral em relação à sociedade empresária que, com base em contrato administrativo devidamente prorrogado, realizou obras de acordo com a ordem de serviço que recebera da Administração Pública Indireta Distrital, quer por conta da inexistência de liame subjetivo entre a pessoa jurídica e os agentes públicos ímprobos, quer também em razão da inexistência de enriquecimento ilícito ou de prejuízos ao erário. Opostos embargos de declaração por ambos os Recorrentes, foram rejeitados (fls. 2.179/2.188e e 2.242/2.249e). Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, além de divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, NILSON MARTORELLI aponta ofensa aos arts. 167 e 169, da Lei n. 6.015/1973, 60 do Código de Trânsito Brasileiro, e 99 do Código Civil, alegando, em síntese, equívoco do tribunal de origem quanto à sua condenação por ato de improbidade administrativa, considerando que o Autódromo Internacional de Brasília está situado em logradouro público, cujas obras realizadas já estariam abrangidas pelo objeto do Contrato Administrativo n. 737/2009-Novacap, não havendo extensão ilícita da avença, mas, em verdade, a busca do atendimento ao disposto em lei distrital. Com contrarrazões (fls. 2.406/2.423e), o recurso foi admitido (fls. 2.425/2.428e). Por sua vez, com arrimo na alínea c do permissivo constitucional, MARUSKA LIMA DE SOUZA HOLANDA, sustenta dissídio jurisprudencial relativo ao art. 229, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, " .. por ser indiscutível, no caso vertente, a aplicação da regra que determina a contagem em dobro do prazo recursal" (fl. 2.259e), porquanto o processo foi iniciado em meio físico, com digitalização dos autos apenas posteriormente, para torná-lo eletrônico. Com contrarrazões (fls. 2.406/2.423e), o recurso foi admitido (fls. 2.425/2.428e). O Ministério Público Federal manifestou-se, na qualidade de custos iuris, às fls. 2.441/2.450e. Após decisão mediante a qual não conheci dos recursos (fls. 2.458/2.468e), e a interposição de Agravos Internos (fls. 2.473/2.482e; fls. 2.483/2.518e), e à vista de entendimento desta 1ª Turma, determinei a devolução dos autos à origem, em razão da afetação do Tema n. 1.199 da repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal. Com o julgamento do paradigma, a Corte local remeteu os autos a este Tribunal Superior (fl. 2.702e). Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, V, do estatuto processual, combinado com os arts. 34, XVIII, c, e 255, III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O art. 11 da Lei n. 8.429/1992, com redação dada pela Lei n. 14.230/2021, assim dispõe: Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública a ação ou omissão dolosa que viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade, caracterizada por uma das seguintes condutas: I - (revogado); II - (revogado); III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo, propiciando beneficiamento por informação privilegiada ou colocando em risco a segurança da sociedade e do Estado; IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado ou de outras hipóteses instituídas em lei; V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter concorrencial de concurso público, de chamamento ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção de benefício próprio, direto ou indireto, ou de terceiros; VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo, desde que disponha das condições para isso, com vistas a ocultar irregularidades; VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou serviço. VIII - descumprir as normas relativas à celebração, fiscalização e aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas. IX - (revogado); X - (revogado); XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas; XII - praticar, no âmbito da administração pública e com recursos do erário, ato de publicidade que contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, de forma a promover inequívoco enaltecimento do agente público e personalização de atos, de programas, de obras, de serviços ou de campanhas dos órgãos públicos. § 1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº 5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá improbidade administrativa, na aplicação deste artigo, quando for comprovado na conduta funcional do agente público o fim de obter proveito ou benefício indevido para si ou para outra pessoa ou entidade. § 2º Aplica-se o disposto no § 1º deste artigo a quaisquer atos de improbidade administrativa tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer outros tipos especiais de improbidade administrativa instituídos por lei. § 3º O enquadramento de conduta funcional na categoria de que trata este artigo pressupõe a demonstração objetiva da prática de ilegalidade no exercício da função pública, com a indicação das normas constitucionais, legais ou infralegais violadas. § 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado para serem passíveis de sancionamento e independem do reconhecimento da produção de danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos agentes públicos. § 5º Não se configurará improbidade a mera nomeação ou indicação política por parte dos detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do agente. Acerca da aplicação temporal da Lei de Improbidade Administrativa, notadamente as alterações normativas concernentes ao elemento subjetivo e ao regime prescricional empreendidas pela Lei n. 14.230/2021, o Supremo Tribunal Federal, apreciando o Tema n. 1.199 da repercussão geral (ARE n. 843.989 RG, Rel. Min. ALEXANDRE DE MORAES, TRIBUNAL PLENO, j. 18.08.2022), firmou as seguintes teses, in verbis: 1) É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO; 2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; 4) O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da lei. O paradigma foi assim ementado: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. IRRETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA (LEI 14.230/2021) PARA A RESPONSABILIDADE POR ATOS ILÍCITOS CIVIS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (LEI 8.429/92). NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA CONSTITUCIONALIZAÇÃO DE REGRAS RÍGIDAS DE REGÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E RESPONSABILIZAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS CORRUPTOS PREVISTAS NO ARTIGO 37 DA CF. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 5º, XL DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL AO DIREITO ADMINISTRATIVO SANCIONADOR POR AUSÊNCIA DE EXPRESSA PREVISÃO NORMATIVA. APLICAÇÃO DOS NOVOS DISPOSITIVOS LEGAIS SOMENTE A PARTIR DA ENTRADA EM VIGOR DA NOVA LEI, OBSERVADO O RESPEITO AO ATO JURÍDICO PERFEITO E A COISA JULGADA (CF, ART. 5º, XXXVI). RECURSO EXTRAORDINÁRIO PROVIDO COM A FIXAÇÃO DE TESE DE REPERCUSSÃO GERAL PARA O TEMA 1199. 1. A Lei de Improbidade Administrativa, de 2 de junho de 1992, representou uma das maiores conquistas do povo brasileiro no combate à corrupção e à má gestão dos recursos públicos. 2. O aperfeiçoamento do combate à corrupção no serviço público foi uma grande preocupação do legislador constituinte, ao estabelecer, no art. 37 da Constituição Federal, verdadeiros códigos de conduta à Administração Pública e aos seus agentes, prevendo, inclusive, pela primeira vez no texto constitucional, a possibilidade de responsabilização e aplicação de graves sanções pela prática de atos de improbidade administrativa (art. 37, § 4º, da CF). 3. A Constituição de 1988 privilegiou o combate à improbidade administrativa, para evitar que os agentes públicos atuem em detrimento do Estado, pois, como já salientava Platão, na clássica obra REPÚBLICA, a punição e o afastamento da vida pública dos agentes corruptos pretendem fixar uma regra proibitiva para que os servidores públicos não se deixem "induzir por preço nenhum a agir em detrimento dos interesses do Estado". 4. O combate à corrupção, à ilegalidade e à imoralidade no seio do Poder Público, com graves reflexos na carência de recursos para implementação de políticas públicas de qualidade, deve ser prioridade absoluta no âmbito de todos os órgãos constitucionalmente institucionalizados. 5. A corrupção é a negativa do Estado Constitucional, que tem por missão a manutenção da retidão e da honestidade na conduta dos negócios públicos, pois não só desvia os recursos necessários para a efetiva e eficiente prestação dos serviços públicos, mas também corrói os pilares do Estado de Direito e contamina a necessária legitimidade dos detentores de cargos públicos, vital para a preservação da Democracia representativa. 6. A Lei 14.230/2021 não excluiu a natureza civil dos atos de improbidade administrativa e suas sanções, pois essa "natureza civil" retira seu substrato normativo diretamente do texto constitucional, conforme reconhecido pacificamente por essa SUPREMA CORTE (TEMA 576 de Repercussão Geral, de minha relatoria, RE nº 976.566/PA). 7. O ato de improbidade administrativa é um ato ilícito civil qualificado - "ilegalidade qualificada pela prática de corrupção" - e exige, para a sua consumação, um desvio de conduta do agente público, devidamente tipificado em lei, e que, no exercício indevido de suas funções, afaste-se dos padrões éticos e morais da sociedade, pretendendo obter vantagens materiais indevidas (artigo 9º da LIA) ou gerar prejuízos ao patrimônio público (artigo 10 da LIA), mesmo que não obtenha sucesso em suas intenções, apesar de ferir os princípios e preceitos básicos da administração pública (artigo 11 da LIA). 8. A Lei 14.230/2021 reiterou, expressamente, a regra geral de necessidade de comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação do ato de improbidade administrativa, exigindo - em todas as hipóteses - a presença do elemento subjetivo do tipo - DOLO, conforme se verifica nas novas redações dos artigos 1º, §§ 1º e 2º; 9º, 10, 11; bem como na revogação do artigo 5º. 9. Não se admite responsabilidade objetiva no âmbito de aplicação da lei de improbidade administrativa desde a edição da Lei 8.429/92 e, a partir da Lei 14.230/2021, foi revogada a modalidade culposa prevista no artigo 10 da LIA. 10. A opção do legislador em alterar a lei de improbidade administrativa com a supressão da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa foi clara e plenamente válida, uma vez que é a própria Constituição Federal que delega à legislação ordinária a forma e tipificação dos atos de improbidade administrativa e a gradação das sanções constitucionalmente estabelecidas (CF, art. 37, § 4º). 11. O princípio da retroatividade da lei penal, consagrado no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal ("a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu") não tem aplicação automática para a responsabilidade por atos ilícitos civis de improbidade administrativa, por ausência de expressa previsão legal e sob pena de desrespeito à constitucionalização das regras rígidas de regência da Administração Pública e responsabilização dos agentes públicos corruptos com flagrante desrespeito e enfraquecimento do Direito Administrativo Sancionador. 12. Ao revogar a modalidade culposa do ato de improbidade administrativa, entretanto, a Lei 14.230/2021, não trouxe qualquer previsão de "anistia" geral para todos aqueles que, nesses mais de 30 anos de aplicação da LIA, foram condenados pela forma culposa de artigo 10; nem tampouco determinou, expressamente, sua retroatividade ou mesmo estabeleceu uma regra de transição que pudesse auxiliar o intérprete na aplicação dessa norma - revogação do ato de improbidade administrativa culposo - em situações diversas como ações em andamento, condenações não transitadas em julgado e condenações transitadas em julgado. 13. A norma mais benéfica prevista pela Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, portanto, não é retroativa e, consequentemente, não tem incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes. Observância do artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição Federal. 14. Os prazos prescricionais previstos em lei garantem a segurança jurídica, a estabilidade e a previsibilidade do ordenamento jurídico; fixando termos exatos para que o Poder Público possa aplicar as sanções derivadas de condenação por ato de improbidade administrativa. 15. A prescrição é o perecimento da pretensão punitiva ou da pretensão executória pela INÉRCIA do próprio Estado. A prescrição prende-se à noção de perda do direito de punir do Estado por sua negligência, ineficiência ou incompetência em determinado lapso de tempo. 16. Sem INÉRCIA não há PRESCRIÇÃO. Sem INÉRCIA não há sancionamento ao titular da pretensão. Sem INÉRCIA não há possibilidade de se afastar a proteção à probidade e ao patrimônio público. 17. Na aplicação do novo regime prescricional - novos prazos e prescrição intercorrente -, há necessidade de observância dos princípios da segurança jurídica, do acesso à Justiça e da proteção da confiança, com a IRRETROATIVIDADE da Lei 14.230/2021, garantindo-se a plena eficácia dos atos praticados validamente antes da alteração legislativa. 18. Inaplicabilidade dos prazos prescricionais da nova lei às ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa, que permanecem imprescritíveis, conforme decidido pelo Plenário da CORTE, no TEMA 897, Repercussão Geral no RE 852.475, Red. p/Acórdão: Min. EDSON FACHIN. 19. Recurso Extraordinário PROVIDO. Fixação de tese de repercussão geral para o Tema 1199: "1) É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se - nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA - a presença do elemento subjetivo - DOLO; 2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 - revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o processo de execução das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; 4) O novo regime prescricional previsto na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da lei". (ARE 843.989, Rel. Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, j. 18.08.2022, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-251 DIVULG 09.12.2022 PUBLIC 12.12.2022 - destaques meus). A partir desse precedente qualificado, a Corte Constitucional assentou o entendimento segundo o qual, não sendo possível o eventual reenquadramento do ilícito em outra norma, a atual redação do art. 11 da Lei n. 8.429/1992 aplica-se aos atos de improbidade administrativa decorrentes da violação aos princípios administrativos praticados na vigência do texto anterior, sem condenação transitada em julgado, como espelha o julgado assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO SEGUNDO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA DE RESPONSABILIDADE POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ADVENTO DA LEI 14.231/2021. INTELIGÊNCIA DO ARE 843989 (TEMA 1.199). INCIDÊNCIA IMEDIATA DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 8.429/1992 AOS PROCESSOS EM CURSO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROVIDOS PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. 1. A Lei 14.231/2021 alterou profundamente o regime jurídico dos atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípio da administração pública (Lei 8.249/1992, art. 11), promovendo, dentre outros, a abolição da hipótese de responsabilização por violação genérica aos princípios discriminados no caput do art. 11 da Lei 8.249/1992 e passando a prever a tipificação taxativa dos atos de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da administração pública, discriminada exaustivamente nos incisos do referido dispositivo legal. 2. No julgamento do ARE 843989 (Tema 1.199), o Supremo Tribunal Federal assentou a irretroatividade das alterações da introduzidas pela Lei 14.231/2021 para fins de incidência em face da coisa julgada ou durante o processo de execução das penas e seus incidentes, mas ressalvou exceção de retroatividade para casos como o presente, em que ainda não houve o trânsito em julgado da condenação por ato de improbidade. 3. As alterações promovidas pela Lei 14.231/2021 ao art. 11 da Lei 8.249/1992 aplicam-se aos atos de improbidade administrativa praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem condenação transitada em julgado. 4. Tendo em vista que (i) o Tribunal de origem condenou o recorrente por conduta subsumida exclusivamente ao disposto no inciso I do do art. 11 da Lei 8.429/1992 e que (ii) a Lei 14.231/2021 revogou o referido dispositivo e a hipótese típica até então nele prevista ao mesmo tempo em que (iii) passou a prever a tipificação taxativa dos atos de improbidade administrativa por ofensa aos princípios da administração pública, imperiosa a reforma do acórdão recorrido para considerar improcedente a pretensão autoral no tocante ao recorrente. 5. Impossível, no caso concreto, eventual reenquadramento do ato apontado como ilícito nas previsões contidas no art. 9º ou 10º da Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.249/1992), pois o autor da demanda, na peça inicial, não requereu a condenação do recorrente como incurso no art. 9º da Lei de Improbidade Administrativa e o próprio acórdão recorrido, mantido pelo Superior Tribunal de Justiça, afastou a possibilidade de condenação do recorrente pelo art. 10, sem que houvesse qualquer impugnação do titular da ação civil pública quanto ao ponto. 6. Embargos de declaração conhecidos e acolhidos para, reformando o acórdão embargado, dar provimento aos embargos de divergência, ao agravo regimental e ao recurso extraordinário com agravo, a fim de extinguir a presente ação civil pública por improbidade administrativa no tocante ao recorrente. (ARE 803.568 AgR-segundo-EDv-ED, Rel. p/ Acórdão Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, j. 22.08.2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 05.09.2023 PUBLIC 06.09.2023 - destaques meus). Tal compreensão vem sendo adotada pela 1ª Turma deste Tribunal Superior, consoante os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 1.199-STF. ALTERAÇÃO DO ART. 11 DA LIA. PROCESSOS EM CURSO. APLICAÇÃO. CORRÉU. EFEITO EXPANSIVO. 1. A questão jurídica referente à aplicação da Lei n. 14.230/2021 - em especial, no tocante à necessidade da presença do elemento subjetivo dolo para a configuração do ato de improbidade administrativa e da aplicação dos novos prazos de prescrição geral e intercorrente - teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1.199 do STF). 2. A despeito de ser reconhecida a irretroatividade da norma mais benéfica advinda da Lei n. 14.230/2021, que revogou a modalidade culposa do ato de improbidade administrativa, o STF autorizou a aplicação da lei nova, quanto a tal aspecto, aos processos ainda não cobertos pelo manto da coisa julgada. 3. A Primeira Turma desta Corte Superior, no julgamento do AREsp 2.031.414/MG, em 09/05/2023, firmou orientação no sentido de conferir interpretação restritiva às hipóteses de aplicação retroativa da LIA (com a redação da Lei n. 14.230/2021), adstrita aos atos ímprobos culposos não transitados em julgado, de acordo com a tese 3 do Tema 1.199/STF. No mesmo sentido: ARE 1400143 ED/RJ, rel. Min. ALEXANDRE MORAES, DJe 07/10/2022. 4. A Suprema Corte, em momento posterior, ampliou a aplicação da referida tese ao caso de ato de improbidade administrativa fundado no revogado art. 11, I e II, da Lei n. 8.429/1992, desde que não haja condenação com trânsito em julgado. 5. No caso, o Tribunal de origem reconheceu a prática do ato ímprobo com arrimo no dispositivo legal hoje revogado, circunstância que enseja a improcedência da ação de improbidade administrativa em relação à TERRACOM CONSTRUÇÕES LTDA., aplicando o efeito expansivo da improcedência ao litisconsorte passivo LAIRTON GOMES GOULART. 6. Agravo interno provido, com aplicação de efeito expansivo ao litisconsorte passivo. (AgInt no AREsp 2.380.545/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.02.2024, DJe 07.02.2024 - destaque meu). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 14.230/2021. OMISSÃO RECONHECIDA. RECURSO ACOLHIDO, COM EFEITOS INFRINGENTES. 1. O panorama normativo da improbidade administrativa mudou em benefício da parte embargante em razão de certas alterações levadas a efeito pela Lei 14.230/2021, norma que, em muitos aspectos, consubstancia verdadeira novatio legis in mellius. 2. Diante do novo cenário, a condenação com base em genérica violação a princípios administrativos, sem a tipificação das figuras previstas nos incisos do art. 11 da Lei 8.429/1992, ou, ainda, quando condenada a parte ré com base nos revogados incisos I e II do mesmo artigo, sem que os fatos tipifiquem uma das novas hipóteses previstas na atual redação do art. 11 da Lei de Improbidade Administrativa, remete à abolição da tipicidade da conduta e, assim, à improcedência dos pedidos formulados na inicial. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes. (EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp 1.174.735/PE, Rel. Ministro PAULO SÉRGIO DOMINGUES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05.03.2024 - destaque meu). No caso em tela, observo que a condenação dos Acusados deu-se com fundamento exclusivo no art. 11, caput, da Lei n. 8.429/1992, em sua redação original, em razão da suposta ilicitude na execução de obras realizadas no Autódromo Internacional de Brasília, com amparo em contrato administrativo firmado após regular procedimento administrativo, como estampam os seguintes excertos do acórdão recorrido (fls. 2.038/2.041e): De partida, destaco que o Contrato nº 737/2009, firmado entre a NOVACAP e a empresa BASEVI CONTRUÇÕES S/A, fruto de procedimento licitatório regular (Edital de Concorrência no 37/2008), teve por objeto a execução, em caráter contínuo, de serviços de manutenção de vias e logradouros públicos, notadamente a recuperação de pavimento asfáltico, em certas áreas do Distrito Federal. .. Saliento também que resta incontroverso o fato de que tal contrato foi utilizado para que a empresa BASEVI S/A, durante o período aproximado de dezembro de 2014 a janeiro de 2015, realizasse diversas obras de reforma e de manutenção no Autódromo Internacional Nelson Piquet, com o fito, dentre outros, de viabilizar a realização da Etapa Brasileira de Fórmula Indy - evento automobilístico esse que estava previsto para ocorrer no dia 08/03/2015 (Doc. Num. 6037279 - Pág. 3). .. Daí inferir-se que, ao se introduzir no objeto contratual, por volta de dezembro do ano de 2014, a execução de obras as mais variadas no Autódromo Internacional Nelson Piquet - bem público de uso especial e voltado à utilização episódica e eventual por um certo contingente de pessoas, em oposição à situação envolvendo vias e logradouros públicos, de gozo contínuo pela coletividade - com o propósito específico de prepará-lo para sediar a prova automobilística de Fórmula Indy 300 marcada para o ano que se seguia, violou-se o regime jurídico próprio do Contrato nº 737/2009, o qual não permitia que tais serviços específicos e não contínuos compusessem o objeto contratual. À soma do que já foi dito até aqui, resta evidente não ser permitido estender um contrato que objetivava a manutenção asfáltica do sistema viário distrital (tapa-buracos) para a realização de reformas em um autódromo com o fito de sediar evento automobilístico específico. Uma e outra coisa, nitidamente, não se confundem. Com razão, portanto, o Juiz de primeiro grau, que, em sentença, concluiu que houve extensão ilícita do objeto do Contrato nº 737/2009 - ou seja, ilegalidade -, haja vista que o referido autódromo era elemento totalmente estranho ao contrato, quer seja porque não se confundia com a definição de logradouro público (tampouco com a de via pública), quer seja porque o regime jurídico contratual então em vigor não comportava a execução de serviços episódicos e não contínuos, como os de adequação de pista de corrida para sediar evento automobilístico. Embora não tivesse havido impugnação recursal específica quanto ao ponto, calha-se dizer ainda que tudo não se tratou de mero desvio legal, desprovido de repercussões negativas à administração da coisa pública. Cuidou-se, isto sim, de ilegalidade qualificada pelo atentado contra princípios caros ao Direito Administrativo. É que, por meio dessa ilegal manobra extensiva do objeto contratual, furtou-se à realização do necessário procedimento licitatório (Constituição Federal, artigo 37, XXI), cujo escopo, sabe-se, é o de "garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável .. em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhe são correlatos" (Lei no 8.666/1993, artigo 3º; grifou-se). Por decorrência disso, no episódio narrado, restaram malferidos princípios como o da legalidade (ante a não observância do dever legal contido no supramencionado artigo 3º), o da isonomia (já que outros interessados foram preteridos de ofertarem seus serviços à Administração), o da moralidade (dada a desonestidade presente em tal evasiva), o da vinculação ao instrumento convocatório (haja vista o descompasso entre a realidade fática e o então contido no Edital de Concorrência no 37/2008); a configurar, portanto, no plano da materialidade, a prática de ato de improbidade administrativa capitulado no artigo 11 da Lei nº 8.429/1992). (destaques meus). Dessarte, e não sendo possível a aplicação, ao caso em tela, do princípio da continuidade típico-normativa, a fim de proceder o reenquadramento da conduta ora examinada nas hipóteses taxativas do art. 11 da LIA, de rigor a extinção da presente ação de improbidade. Posto isso, nos termos do § 2º, art. 1.021, do Código de Processo Civil de 2015, RECONSIDERO a decisão de fls. 2.715/2.727e, restando, por conseguinte, PREJUDICADO o Agravo Interno de fls. 2.734/2.774e, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, c, e 255, III, ambos do RISTJ, DOU PROVIMENTO aos Recursos Especiais, para extinguir a Ação de Improbidade Administrativa proposta em desfavor de ambas as partes recorrentes. Publique-se e intimem-se. EMENTA