AREsp 2655822 - ACORDAO
O Tribunal entendeu que a Corte de origem examinou e fundamentou suficientemente as questões necessárias ao desate da controvérsia (afastando omissão prevista no art. 1.022 do CPC/2015) e que a apreciação da pretensão implicaria reexame do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ; por...
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- Parties
- Agravante: ARY WALTER BERNARDES SOBRINHO; Agravado: Autarquia Previdenciária
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
- Outcome
- Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Aposentadoria, Atividade Rural, Atividade Urbana, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Art. 489 Do Cpc/2015
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Parties
ARY WALTER BERNARDES SOBRINHO
Agravante
Autarquia Previdenciária
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015 (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 2 Possibilidade ou não de reexame do conjunto fático-probatório no recurso especial (incidência da Súmula 7 do STJ)
- 3 Caracterização de atividade rural ou urbana para fins de concessão de aposentadoria
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que a Corte de origem examinou e fundamentou suficientemente as questões necessárias ao desate da controvérsia (afastando omissão prevista no art. 1.022 do CPC/2015) e que a apreciação da pretensão implicaria reexame do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ; por tais razões o agravo interno foi desprovido, mantendo‑se a decisão recorrida.
Court Disposition
Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA. ATIVIDADE RURAL. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE URBANA. NÃO CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno im provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto pelo ARY WALTER BERNARDES SOBRINHO contra a decisão que conheceu do agravo , para não conhecer do recurso especial, em razão da inexistência de violação ao art. 1.022 do CPC/2015; e pela aplicação da Súmula 7 do STJ. Argumenta a parte agravante, em síntese, que o acórdão padece de nulidade por negativa de prestação jurisdicional por "não considerar devidamente as provas apresentadas e os argumentos da parte recorrente" (fl. 401). Defende, ainda, que busca "atribuir um novo valor jurídico aos fatos e provas já consignados na instância ordinária, sem a necessidade de reavaliar os elementos probatórios" (fl. 398). Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pela submissão da questão ao Colegiado. É o relatório. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA. ATIVIDADE RURAL. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE URBANA. NÃO CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. REEXAME DO CONJUNTO PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno im provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Quanto à alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015, verifica-se que a Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material. Conforme jurisprudência: .. não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 (AgInt no AREsp n. 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). No mais, conforme destacado na decisão agravada, o Tribunal local, ao reformar a sentença e julgar improcedente o pedido de concessão da aposentadoria rural, entendeu que a parte autora exerceu atividades de cunho urbano, situação que descaracteriza o exercício da atividade rural. Confira-se (fl. 299): Analisando o conjunto probatório, vejo que assiste razão à Autarquia Previdenciária, não sendo possível a manutenção do decidido em primeiro grau, uma vez que os documentos constantes dos autos (CTPS) demonstram, de forma inequívoca, que a parte autora exerceu, durante sua vida laboral, e por diversas vezes, atividades tipicamente urbanas, inclusive durante o período de carência, de modo a não fazer jus à redução etária concedida ao trabalhador predominantemente campesino. Não há que se falar, outrossim, na possibilidade de se efetuar reconhecimento de suposta atividade rural do autor depois de 2015, uma vez que o pleito inaugural não tem pedido declaratório e a r. sentença também nada reconheceu expressamente, não havendo insurgência recursal do autor a possibilitar tal medida, não servindo as contrarrazões para tal finalidade. E nem em reafirmação da DER, uma vez que o requisito etário para concessão de aposentadoria por idade híbrida não foi atingido. Assim, diante da fundamentação do acórdão recorrido, acima transcrita, a reforma do julgado, para se chegar a conclusão diversa, somente poderia ser feita mediante o reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: "O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula 7 do STJ)" (AgInt no AREsp n. 2.190.821/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023). Isso posto, neg o provimento ao recurso.