REsp 1950268 - DECISAO
Com fundamento na jurisprudência dominante do STJ (PUIL 452/PE) que veda a equiparação da atividade do empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar à atividade agropecuária, deu-se provimento ao Recurso Especial do INSS apenas para afastar o reconhecimento da especialidade dos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator
- Outcome
- DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, tão somente para afastar o reconhecimento da especialidade dos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982 e 10.05.1983 a 01.11.1983.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Conversão De Tempo Especial, Enquadramento Profissional Agropecuária Vs Empregado Rural, Honorários Advocatícios
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática Do Relator
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de tempo especial para atividade rural na lavoura da cana-de-açúcar
- 2 Possibilidade de equiparação da atividade de empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar à atividade agropecuária para fins de conversão de tempo especial
- 3 Aplicação de jurisprudência dominante (PUIL 452/PE) e súmula do STJ
Ratio Decidendi
Com fundamento na jurisprudência dominante do STJ (PUIL 452/PE) que veda a equiparação da atividade do empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar à atividade agropecuária, deu-se provimento ao Recurso Especial do INSS apenas para afastar o reconhecimento da especialidade dos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982 e 10.05.1983 a 01.11.1983.
Court Disposition
DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, tão somente para afastar o reconhecimento da especialidade dos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982 e 10.05.1983 a 01.11.1983.
Orders
- Afastar o reconhecimento da especialidade dos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982 e 10.05.1983 a 01.11.1983.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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DECISÃO Vistos. Trata-se de Recursos Especiais pelopelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, respectivamente, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 9ª Turma do Tribunal Regional Federal da3ª Regiãono julgamento de apelação, assim ementado (fl. 244e): DIREITO PREVIDENCIÁRIO. REMESSA OFICIAL NÃO CONHECIDA. APOSENTADORIA ESPECIAL. TEMPO ESPECIAL RECONHECIDO. PRESENÇA DOSREQUISITOS LEGAIS PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. TERMO INICIAL. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. - A Lei nº 8.213/91 preconiza, nos arts. 57 e 58, que o benefício previdenciário da aposentadoria especial será devido, uma vez cumprida a carência exigida, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. - Tempo de serviço especial reconhecido, cuja soma permite a concessão do benefício de aposentadoria especial.- Os honorários advocatícios deverão ser fixados na liquidação do julgado, nos termos do inciso II, do § 4º, c. c. §11, do artigo 85, do CPC/2015. - Apelação do INSS desprovida e apelação da parte autora parcialmente provida. OINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, apontaofensa aos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91, alegando, em síntese, a impossibilidade de reconhecimento da atividade como especial em razão de enquadramento profissional, uma vez que a atividade de agricultura não se enquadra como atividade agropecuária. Comcontrarrazões (fls. 322/325e), o recurso foi admitido (fls. 326/328e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, c, e 255, III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. No que diz respeitoà conversão de tempo especial em comum de período em que trabalhou a parte autora na lavoura da cana-de-açúcar como empregado rural, assiste razão ao INSS. Esta Corte, no julgamento do PUIL 452/PE, pacificou orientação segundo a qualnão é admissível equiparar a categoria profissional de agropecuária à atividade exercida pelo empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar. Desse modo, o trabalhador rural (seja empregado rural ou segurado especial) que não demonstre o exercício de seu labor na agropecuária, nos termos do enquadramento por categoria profissional vigente até a edição da Lei 9.032/1995, não possui o direito subjetivo à conversão ou contagem como tempo especial. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ATIVIDADE ESPECIAL. EMPREGADO RURAL. LAVOURA DA CANA-DE-AÇÚCAR. EQUIPARAÇÃO.CATEGORIA PROFISSIONAL. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. DECRETO 53.831/1964.IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. Trata-se, na origem, de Ação de Concessão de Aposentadoria por Tempo de Contribuição em que a parte requerida pleiteia a conversão de tempo especial em comum de período em que trabalhou na Usina Bom Jesus (18.8.1975 a 27.4.1995) na lavoura da cana-de-açúcar como empregado rural. 2. O ponto controvertido da presente análise é se o trabalhador rural da lavoura da cana-de-açúcar empregado rural poderia ou não ser enquadrado na categoria profissional de trabalhador da agropecuária constante no item 2.2.1 do Decreto 53.831/1964 vigente à época da prestação dos serviços. 3. Está pacificado no STJ o entendimento de que a lei que rege o tempo de serviço é aquela vigente no momento da prestação do labor. Nessa mesma linha: REsp 1.151.363/MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, Terceira Seção, DJe 5.4.2011; REsp 1.310.034/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 19.12.2012, ambos julgados sob o regime do art. 543-C do CPC (Tema 694 - REsp 1398260/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 5/12/2014). 4. O STJ possui precedentes no sentido de que o trabalhador rural (seja empregado rural ou segurado especial) que não demonstre o exercício de seu labor na agropecuária, nos termos do enquadramento por categoria profissional vigente até a edição da Lei 9.032/1995, não possui o direito subjetivo à conversão ou contagem como tempo especial para fins de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição ou aposentadoria especial, respectivamente. A propósito: AgInt no AREsp 928.224/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 8/11/2016; AgInt no AREsp 860.631/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 16/6/2016; REsp 1.309.245/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 22/10/2015; AgRg no REsp 1.084.268/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe 13/3/2013; AgRg no REsp 1.217.756/RS, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 26/9/2012; AgRg nos EDcl no AREsp 8.138/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, DJe 9/11/2011; AgRg no REsp 1.208.587/RS, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 13/10/2011; AgRg no REsp 909.036/SP, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, DJ 12/11/2007, p. 329; REsp 291. 404/SP, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJ 2/8/2004, p. 576. 5. Pedido de Uniformização de Jurisprudência de Lei procedente para não equiparar a categoria profissional de agropecuária à atividade exercida pelo empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar. (PUIL 452/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/05/2019, DJe 14/06/2019). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, c, e 255, III, ambos do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS,tão somente para afastar o reconhecimento da especialidadedos períodos entre 21.05.1982 a 30.09.1982 e 10.05.1983 a 01.11.1983. Publique-se e intimem-se.