REsp 2021278 - DECISAO
Dou provimento ao recurso especial para fixar como termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário a data da concessão do benefício originário, porquanto o deferimento revisional constitui reconhecimento tardio de direito já consolidado anteriormente no patrimônio jurídico do...
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- Parties
- Recorrente: ANGELO ANDO; Recorrido: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Provimento Ao Recurso
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial, a fim de fixar como termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário a data da concessão do benefício originário.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Efeitos Financeiros De Revisão De Benefício, Data Do Requerimento Administrativo, Data Da Concessão Do Benefício, Tempo Especial, Agentes Nocivos (eletricidade)
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Parties
ANGELO ANDO
Recorrente
INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Provimento Ao Recurso
Legal Issues
- 1 Termo inicial dos efeitos financeiros de revisão de benefício previdenciário
- 2 Necessidade de prévio requerimento administrativo para fins de fixação da DIB
- 3 Reconhecimento de tempo especial com comprovação posterior
Ratio Decidendi
Dou provimento ao recurso especial para fixar como termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário a data da concessão do benefício originário, porquanto o deferimento revisional constitui reconhecimento tardio de direito já consolidado anteriormente no patrimônio jurídico do segurado.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial, a fim de fixar como termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário a data da concessão do benefício originário.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por ANGELO ANDO, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal (CF), no qual se insurge contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO assim ementado (fl. 178): PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. APOSENTADORIA ESPECIAL. PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO -DESNECESSIDADE. CONDIÇÕES ESPECIAIS - ELETRICIDADE. CONSECTÁRIOS. I. A ausência de requerimento administrativo não deve ser considerada um óbice à propositura de ação judicial em todos os casos. A extinção do feito não deve ocorrer em processos já em tramitação, em que o réu contesta o mérito do pedido, porque se tornaria inócua toda a espera do segurado, que poderia ter negada a atividade administrativa e a judiciária, bem como porque demonstrada a resistência da autarquia em acolher a pretensão da autora, o que é suficiente para atribuir-lhe interesse processual. II. O reconhecimento do tempo especial depende da comprovação do trabalho exercido em condições especiais que, de alguma forma, prejudique a saúde e a integridade física do autor. III. O autor apresentou, somente nestes autos, PPP emitido em 16.03.2017 por Indústria e Comércio de Cosméticos Natura Ltda. e que, por óbvio, não integrou o pedido administrativo feito em 20.10.2007. IV. O anexo III do Decreto 53.381/1964 elenca a eletricidade como agente nocivo, em seu item 1.1.8. V. Conta o autor, até o ajuizamento da ação, com 33 anos, 9 meses e 7 dias de atividades exercidas sob condições especiais ,tempo suficiente para a concessão da aposentadoria especial, a partir da citação 30.05.2017. VI. A correção monetária será aplicada em conformidade com a Lei n. 6.899/81 e legislação superveniente, de acordo com o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, observados os termos do julgamento final proferido na Repercussão Geral no RE 870.947, em 20/09/2017, ressalvada a possibilidade de, em fase de execução do julgado, operar-se a modulação de efeitos, por força de decisão a ser proferida pelo STF. VII. Os juros moratórios serão calculados de forma global para as parcelas vencidas antes da citação, e incidirão a partir dos respectivos vencimentos para as parcelas vencidas após a citação. E serão de 0,5% (meio por cento) ao mês, na forma dos arts.1.062 do antigo CC e 219 do CPC/1973, até a vigência do CC/2002, a partir de quando serão de 1% (um por cento) ao mês, na forma dos arts. 406 do CC/2002 e 161, § 1º, do CTN. A partir de julho de 2.009, os juros moratórios serão de 0,5% (meio por cento) ao mês, observado o disposto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, alterado pelo art. 5º da Lei n. 11.960/2009, pela MP n. 567,de 13.05.2012, convertida na Lei n. 12.703, de 07.08.2012, e legislação superveniente, bem como Resolução 458/2017 do Conselho da Justiça Federal. VIII. O percentual da verba honorária será fixado somente na liquidação do julgado, na forma do disposto no art. 85, § 4º, II, e §11, e no art. 86, ambos do CPC/2015, e incidirá sobre as parcelas vencidas até a data desta decisão (Súmula 111 do STJ). IX. Apelação do autor parcialmente provida. Em suas razões recursais (fls. 209/214), a parte recorrente alega que houve a violação do art. 57, § 2º, da Lei 8.213/1991, requerendo que "os efeitos financeiros não sejam a partir da citação, mas desde a época da concessão do benefício, tendo em vista que na data em que a aposentadoria por tempo de contribuição foi concedida, segurado já reunia todos os requisitos para receber a Aposentadoria Especial" (fl. 214). O recurso foi admitido na origem (fls. 237/238). O trânsito em julgado foi indevidamente certificado (fl. 243), e os autos foram baixados à origem. O feito foi chamado à ordem (fls. 314/315) para que o recurso especial fosse analisado. É o relatório. O Tribunal de origem reconheceu que o segurado faz jus à concessão de aposentadoria especial, com a fixação da DIB na data da citação do INSS. Entretanto, ao assim decidir, a Corte regional dissentiu do entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual "o termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de situação jurídica consolidada em momento anterior deve retroagir à data da concessão do benefício, porquanto o deferimento de tais verbas representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado" (AgInt no REsp 1.751.741/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 7/11/2019, DJe de 18/11/2019.). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. REVISÃO DE BENEFÍCIO. TEMPO ESPECIAL RECONHECIDO. EFEITOS FINANCEIROS: DATA DO REQUERIMENTO DO BENEFÍCIO ORIGINÁRIO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. RAZÕES DESCONEXAS À DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual o termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário deve retroagir à data da concessão do benefício originário, porquanto o deferimento revisional representa o reconhecimento tardio de um direito já incorporado ao patrimônio jurídico do segurado, não obstante a comprovação posterior da especialidade da atividade. III - Revela-se deficiente a fundamentação quando a parte apresenta razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados na decisão agravada. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. IV - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação. V - Agravo Interno improvido. (AgInt no AgInt no REsp n. 1.761.394/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 24/5/2021, DJe de 27/5/2021.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MARCO INICIAL DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. AINDA QUE A COMPROVAÇÃO SEJA POSTERIOR. 1. A orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no sentido de que, havendo requerimento administrativo, como no caso, este é o marco inicial do benefício previdenciário. AgInt no REsp 1751741/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 18/11/2019, AgInt no REsp 1736353/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 18/10/2019, REsp 1833548/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 11/10/2019. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento da Pet 9.582/2015, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 16.9.2015, definiu o entendimento de que "a comprovação extemporânea da situação jurídica consolidada em momento anterior não tem o condão de afastar o direito adquirido do segurado, impondo-se o reconhecimento do direito ao benefício previdenciário no momento do requerimento administrativo, quando preenchidos os requisitos para a co ncessão da aposentadoria". 3. Embargos de Declaração acolhidos. (EDcl no REsp n. 1.826.874/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/2/2020, DJe de 18/5/2020.) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, a fim de fixar como termo inicial dos efeitos financeiros decorrentes de revisão de benefício previdenciário a data da concessão do benefício originário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA