REsp 1947247 - DECISAO
O Tribunal entendeu que não houve negativa de prestação jurisdicional nem falta de fundamentação, que a matéria relativa ao reconhecimento de tempo especial envolve prova fática cujo reexame é vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ), e que, diante da valoração probatória realizada pelo Tribunal de origem e dos...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social; Recorrido: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento/decisão No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Tempo De Serviço Especial, Enquadramento Por Categoria Profissional, Cerceamento De Defesa, Negativa De Prestação Jurisdicional, Súmula 7/stj
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social
Recorrente
parte autora
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento/decisão No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Alegada violação dos arts. 11, 489 e 1.022 do CPC/2015 (negativa de prestação jurisdicional e ausência de fundamentação)
- 2 Possibilidade de reconhecimento de tempo de serviço especial para período laborado na lavoura de cana-de-açúcar enquadrado como atividade agropecuária nos termos do Decreto 53.831/64 e da Lei 8.213/91
- 3 Aplicação do entendimento firmado no PUIL 452/PE sobre equiparação da lavoura de cana-de-açúcar à atividade agropecuária
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que não houve negativa de prestação jurisdicional nem falta de fundamentação, que a matéria relativa ao reconhecimento de tempo especial envolve prova fática cujo reexame é vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ), e que, diante da valoração probatória realizada pelo Tribunal de origem e dos precedentes (incluindo o PUIL 452/PE), o recurso do INSS não podia prosperar, razão pela qual foi parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento.
Court Disposition
recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento
- Publique-se
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social,com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF/1988, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 594-595): DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL.CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. TEMPO ESPECIAL PARCIALMENTE RECONHECIDO. PRESENÇA DOS REQUISITOS LEGAIS À APOSENTAÇÃO.CONSECTÁRIOS. - A Lei nº 8.213/91 preconiza, nos arts. 57 e 58, que o benefício previdenciário da aposentadoria especial será devido, uma vez cumprida a carência exigida, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. - Tempo de serviço especial parcialmente reconhecido, cuja soma permite a concessão do benefício de aposentadoria especial. - A Primeira Seção do C. STJ consolidou o entendimento de que a comprovação extemporânea de situação jurídica consolidada em momento anterior não tem o condão de afastar o direito adquirido do segurado ao benefício devido desde o requerimento administrativo (Resps 1.610.554/SP e 1.656.156/SP), pelo que de se fixar o termo inicial do benefício desde a data do requerimento administrativo. - A correção monetária deve ser aplicada em conformidade com a Lei n. 6.899/81 e legislação superveniente (conforme o Manual de Cálculos da Justiça Federal), observados os termos da decisão final no julgamento do RE n. 870.947, Rel. Min. Luiz Fux. - Os honorários advocatícios deverão ser fixados na liquidação do julgado, nos termos do inciso II, do § 4º, c.c. §11, do artigo 85, do CPC/2015. Embargos de Declaração rejeitados. Nas razões de recurso especial,a parte recorrente aponta violação aos artigos 11, 489, II, e 1.022, I e II, do CPC/2015; 57, §3º, da Lei 8.213/91, antes da redação dada pela Lei 9.032/95, combinado com o Decreto 53.831/64. Para tanto, aponta negativa de prestação jurisdicional e defende a "impossibilidade do enquadramento como especial, por categoria profissional, do período em que a parte autora trabalhou na lavoura de cana de açúcar, por ser uma atividade exclusiva de agricultura, enquanto o item 2.2.1 do Decreto 53.831/64, exige a atividade de agricultura e pecuária" (fl. 670). Ao final, requera reforma do acórdão recorrido para que seja afastando"a especialidade do período reconhecido por categoria profissional em razão do labor na lavoura de cana de açúcar" (fl. 683). Semcontrarrazões. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3/STJ que dispõe in verbis: aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. Com efeito,depreende-se a partir da leitura do acórdão recorrido que o Tribunal de origem manifestou-se de maneira clara e bem fundamentada acerca das questões relevantes para o deslinde da controvérsia, consignando restar comprovada a especialidade do labor, pelo recorrido. Na linha da jurisprudência do STJ, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, tampouco em vício, quando o acórdão impugnado aplica tese jurídica devidamente fundamentada, promovendo a integral solução da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses da parte. A propósito, confira os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015 INEXISTENTE. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO CONCEDIDO ANTES E APÓS A CF/1988. MATÉRIA SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA RESERVADA AO STF. 1. Inexiste a alegada negativa de prestação jurisdicional, visto que a Corte de origem apreciou todos os pontos relevantes ao deslinde da controvérsia de modo integral e adequado, não padecendo o acórdão recorrido de qualquer omissão, contradição ou obscuridade. 2. O Tribunal a quo resolveu a questão da revisão do benefício previdenciário com fundamentação eminentemente constitucional, razão pela qual não é possível sua revisão na via eleita. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.740.348/RS, Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, DJe 22/11/2018) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022, I E II, C/C O ART. 489, § 1º, IV E VI, DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO QUE RECONHECE A EXISTÊNCIA DE FRAUDE À EXECUÇÃO E DETERMINA A PENHORA DO BEM ANTERIORMENTE ALIENADO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO ORA AGRAVANTE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO RECONHECIDO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. .. 2. Da mesma forma, "não há que se falar em nulidade da decisão ora agravada, por afronta ao art. 489 do CPC/2015, "quando o julgador decidiu de forma fundamentada, identificando de forma clara e objetiva as teses adotadas, e ainda amparado em precedentes que se ajustam ao caso concreto" (STJ, AgInt no REsp 1.624.685/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 16/12/2016)" (AgInt no AREsp 1.104.279/SP, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 14/11/2017). .. 6. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1.689.834/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 10/09/2018. PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. FAIXA DE DOMÍNIO DE RODOVIA SOB CONCESSÃO. COBRANÇA EM DESFAVOR DE CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO DE TELEFONIA. POSSIBILIDADE. .. 2. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015, na esteira interpretativa sufragada no Superior Tribunal de Justiça, significa que o julgador deve enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida, hipótese aqui não verificada (EDcl no MS n. 21315/DF, Primeira Seção, DJe 15/06/2016). .. 5. Agravo interno desprovido, com aplicação de multa. (AgInt no AREsp 1.079.824/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 07/03/2018) Frise-se, pois, que a aplicação do direito ao caso, ainda que por meio de solução jurídica diversa da requerida por um dos litigantes, não induz negativa ou ausência de prestação jurisdicional. Nesse mesmo sentido: REsp 1.679.681/SC, Relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 28/2/2019. Dessa forma, aalegada ofensa aos artigos 11, 489, II, 1.022, I e II, do CPC/2015, não merece ser acolhida, sendo desnecessário, portanto, qualquer esclarecimento ou complemento ao que já decidido pela Corte de origem. No que tange à questão de fundo, o recurso especial tem por tese central o reconhecimento da atividade especial na condição de empregado de empresa que exerce atividade Agropecuária. Ocorre que, sobre essa questão, aPrimeira Seção deste egrégio Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do PUIL 452/PE, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, DJe 14/6/2019, assentou entendimento segundo o qual o trabalhador rural (seja empregado rural ou segurado especial) que não demonstre o exercício de seu labor na agropecuária, nos termos do enquadramento por categoria profissional vigente até a edição da Lei 9.032/1995, não possui o direito subjetivo à conversão ou contagem como tempo especial para fins de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição ou aposentadoria especial, respectivamente. Confira: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO.ATIVIDADE ESPECIAL. EMPREGADO RURAL. LAVOURA DA CANA DE AÇÚCAR. EQUIPARAÇÃO. CATEGORIA PROFISSIONAL. ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. DECRETO 53.831/1964. IMPOSSIBILIDADE.PRECEDENTES. 1. Trata-se, na origem, de Ação de Concessão de Aposentadoria por Tempo de Contribuição em que a parte requerida pleiteia a conversão de tempo especial em comum de período em que trabalhou na Usina Bom Jesus (18.8.1975 a 27.4.1995) na lavoura da cana-de-açúcar como empregado rural. 2. O ponto controvertido da presente análise é se o trabalhador rural da lavoura da cana-de-açúcar empregado rural poderia ou não ser enquadrado na categoria profissional de trabalhador da agropecuária constante no item 2.2.1 do Decreto 53.831/1964 vigente à época da prestação dos serviços. 3. Está pacificado no STJ o entendimento de que a lei que rege o tempo de serviço é aquela vigente no momento da prestação do labor. Nessa mesma linha: REsp 1.151.363/MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, Terceira Seção, DJe 5.4.2011; REsp 1.310.034/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 19.12.2012, ambos julgados sob o regime do art. 543-C do CPC (Tema 694 - REsp 1398260/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 5/12/2014). 4. O STJ possui precedentes no sentido de que o trabalhador rural (seja empregado rural ou segurado especial) que não demonstre o exercício de seu labor na agropecuária, nos termos do enquadramento por categoria profissional vigente até a edição da Lei 9.032/1995, não possui o direito subjetivo à conversão ou contagem como tempo especial para fins de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição ou aposentadoria especial, respectivamente. A propósito: AgInt no AREsp 928.224/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 8/11/2016; AgInt no AREsp 860.631/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 16/6/2016; REsp 1.309.245/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 22/10/2015; AgRg no REsp 1.084.268/SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe 13/3/2013; AgRg no REsp 1.217.756/RS, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 26/9/2012;AgRg nos EDcl no AREsp 8.138/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, DJe 9/11/2011; AgRg no REsp 1.208.587/RS, Rel. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 13/10/2011; AgRg no REsp 909.036/SP, Rel.Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, DJ 12/11/2007, p. 329; REsp 291. 404/SP, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, Sexta Turma, DJ 2/8/2004, p.576. 5. Pedido de Uniformização de Jurisprudência de Lei procedente para não equiparar a categoria profissional de agropecuária à atividade exercida pelo empregado rural na lavoura da cana-de-açúcar. (PUIL 452/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/6/2019) Nocaso dos autos, o Tribunal a quo reconheceu que o autor trabalhou para diversas empresas exploradora do ramo "Agropecuário", concluindo que "restou comprovada a especialidade dos períodos de 18/06/1977 a 25/11/1977, 20/01/1978 a 28/12/1978, 01/02/1979 a 30/06/1980 e 12/09/1985 a 10/04/1986" (..), "verificados em sentença e em sede administrativa, na data do requerimento administrativo (28/10/2014), contava o autor com 25 anos, 07 meses e 24 dias de tempo especial, suficientes à concessão do benefício de aposentadoria especial, com renda mensal inicial correspondente a 100% (cem por cento) do salário de benefício, em valor a ser devidamente calculado pelo Instituto Previdenciário" (fl. 611). Diante disso, areanálise das questões postas pela autarquia previdenciária, portanto, depende do reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado, em âmbito especial, pela Súmula 7/STJ.Nesse mesmo sentido, confira a seguinte decisão:REsp 1.953.018/SP, RelatorMinistroMauro Campbell Marques, Primeira Turma, DJe16/09/2021. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento, com fulcro no art. 932, III e IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ, e na Súmula 568/STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARTS. 11, 489 E 1.022 DO CPC/2015. VIOLAÇÃO NÃO CONFUGURADA. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO.CÔMPUTO DE TEMPO ESPECIAL. ATIVIDADE EM ESTABELECIMENTO AGROPECUÁRIO. ATIVIDADE ESPECIAL. RECONHECIMENTO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SÚMULA 7/STJ. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E NÃO PROVIDO.