REsp 1923775 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o entendimento consolidado no Tema 995/STJ estabelece que, quando a DER é reafirmada para data posterior ao ajuizamento, os juros de mora só incidem a partir do prazo de 45 dias fixado para a implantação do benefício, e as alegações dos agravantes não demonstraram erro capaz de...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ELOIR DOS SANTOS DE OLIVEIRA E OUTRO; Agravado: autarquia federal (INSS)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pela Primeira Turma
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Reafirmação Da DER, Juros Moratórios, Tema 995/stj, Prazo Para Implantação Do Benefício
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ELOIR DOS SANTOS DE OLIVEIRA E OUTRO
Agravante
autarquia federal (INSS)
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento Pela Primeira Turma
Legal Issues
- 1 Incidência de juros moratórios em casos de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento
- 2 Prazo razoável para implantação do benefício (45 dias)
- 3 Aplicação do precedente repetitivo (Tema 995/STJ) ao caso concreto
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o entendimento consolidado no Tema 995/STJ estabelece que, quando a DER é reafirmada para data posterior ao ajuizamento, os juros de mora só incidem a partir do prazo de 45 dias fixado para a implantação do benefício, e as alegações dos agravantes não demonstraram erro capaz de afastar esse entendimento, de modo que se mantém incólume a decisão agravada.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Nega-se provimento ao agravo interno dos particulares.
- Mantém-se incólume a decisão agravada.
Full Case Text
Judgment text and source record
3 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto por ELOIR DOS SANTOS DE OLIVEIRA E OUTRO,contra decisão que deu provimento ao recurso especial da autarquia federal, em decisão cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL E AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO/APOSENTADORIA ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DA DER.TEMA 995/STJ. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. PRAZO PARA A IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO:45 DIAS DA CONDENAÇÃO.VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO MAIS VANTAJOSO.RECURSO ESPECIAL DA AUTARQUIA FEDERAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. AGRAVO DO SEGURADO CONHECIDO, PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL(fls. 982/988). 2. Em suas razões (fls. 152/155), as partes agravantes sustentam, em suma, que: A decisão de afetação tem como principal função delimitar precisamente a tese que será apreciada sob o rito dos repetitivos e é expressamente prevista no CPC, art. 1.037, I. Essa precisa distinção, como exige o CPC, é justamente para facilitar o processo de distinguishing no momento da aplicação do precedente, que é uma norma jurídica abstrata, ao caso concreto. Na contextualização do caso em comento, o conteúdo da norma jurídica criada pelo precedente, o que deve ser observado e aplicado pelos Tribunais e juízes hierarquicamente inferiores, a teor do art. 927, CPC, é apenas aquela tese delimitada como representativa da controvérsia, acima destacada. Não aborda juros. Os juros somente foram tratados em caso de resolução do caso concreto e não fazem parte da tese delimitada - se assim o fosse a tese teria sido alterada após o julgamento dos embargos, o que não ocorreu. Por isso, o presente recurso merece ser conhecido e provido, pois ao apenas remeter-se ao julgamento do REsp 1.727.063/SP, revela-se que a decisão não realizou o correto distinguishing entre a tese fixada no julgamento do Tema995 e o caso concreto. É de conhecimento geral que se deve adaptar a tese abstrata ao caso concreto no caso de aplicação de precedente repetitivo, o que não aconteceu no caso em análise (fls. 995). 3. Requerem, ao final, o provimento do agravo interno, para que seja provido o recurso especial nos termos pleiteados. 4. Não houve impugnação ao recurso (fls. 163). 5. É o relatório. EMENTA PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.APOSENTADORIA ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DA DER. TEMA 995/STJ. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM CASO DE DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. PRAZO PARA A IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO: 45 DIAS DA CONDENAÇÃO. AGRAVO INTERNO DOSPARTICULARES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Especial 1.727.063/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos (Tema 995/STJ), determinou que os juros de mora, nos casos de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento da ação, somente incidem a partir do prazo de 45 dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício. 2. Agravo interno dos particulares que se nega provimento.
VOTO 1. Não assiste razão às partes agravantes. 2.Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qualaos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 3. No mais, noque importa à controvérsia travada no presente recurso (juros moratórios), a Corte regional assim se manifestou sobre o tema: JUROS MORATÓRIOS a) os juros de mora, de 1% (um por cento) ao mês, serão aplicados a contar da citação (Súmula 204 do STJ), até 29-6-2009; b) a partir de 30-6-2009, os juros moratórios serão computados de acordo com os índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, conforme dispõe o artigo 5º da Lei nº 11.960/09, que deu nova redação ao artigo 1º-F da Lei nº 9.494/97, consoante decisão do STF no RE nº 870.947/SE, DJE de 20-11-2017 e do STJ no REsp nº 1.492.221/PR, DJede 20-3-2018 (fls. 710). 4. Verificoque o entendimento veiculado no acórdão destoa da orientação firmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Especial 1.727.063/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos (Tema 995/STJ), no sentido de que os juros de mora, nos casos de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento da ação, somente incidem a partir do prazo de 45 dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício. Confira-se, por oportuno, a ementa do referido precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. Embargos de declaração opostos pelo INSS, em que aponta obscuridade e contradição quanto ao termo inicial do benefício reconhecido após reafirmada a data de entrada do requerimento. 2. É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 3. Conforme delimitado no acórdão embargado, quanto aos valores retroativos, não se pode considerar razoável o pagamento de parcelas pretéritas, pois o direito é reconhecido no curso do processo, após o ajuizamento da ação, devendo ser fixado o termo inicial do benefício pela decisão que reconhecer o direito, na data em que preenchidos os requisitos para concessão do benefício, em diante, sem pagamento de valores pretéritos. 4. O prévio requerimento administrativo já foi tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, julgamento do RE 641.240/MG. Assim, mister o prévio requerimento administrativo, para posterior ajuizamento da ação, nas hipóteses ali delimitadas, o que não corresponde à tese sustentada de que a reafirmação da DER implica na burla do novel requerimento. 5. Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirão, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, embutidos no requisitório de pequeno valor. 6. Quanto à obscuridade apontada, referente ao momento processual oportuno para se reafirmar a DER, afirma-se que o julgamento do recurso de apelação pode ser convertido em diligência para o fim de produção da prova. 7. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo (EDcl no REsp 1727063/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 19/05/2020, DJe 21/05/2020 - sem destaques no original). 5. Assim, tendo em vista que as alegações declinadas no presente agravo interno não são capazes de alterar o entendimento anteriormente manifestado, mantenho incólume a decisão agravada. 6. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno dos particulares. 7. É como voto.