REsp 2158039 - DECISAO
O Tribunal decidiu que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte ao reconhecer o tempo especial do contribuinte individual exposto a agentes biológicos com base nos elementos probatórios dos autos, afastando a tese do INSS que demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que é...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Negado Provimento (decisão De Mérito)
- Outcome
- Conheço, em parte, do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Aposentadoria Especial, Contribuinte Individual, Agentes Biológicos, Eficácia De EPI, Contagem De Tempo Contributivo, Súmula 7 Do STJ
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido Em Parte E Negado Provimento (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de atividade especial para contribuinte individual (dentista) exposto a agentes biológicos
- 2 Necessidade ou não de prova da eficácia de EPI para descaracterizar especialidade em caso de agentes biológicos
- 3 Possibilidade de reconhecimento de especialidade para contribuinte individual não cooperado após 29/04/1995 por ausência de fonte de custeio, habitualidade e permanência
Ratio Decidendi
O Tribunal decidiu que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte ao reconhecer o tempo especial do contribuinte individual exposto a agentes biológicos com base nos elementos probatórios dos autos, afastando a tese do INSS que demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável em recurso especial nos termos da Súmula 7; por isso conheceu parcialmente do recurso e, nessa extensão, negou-lhe provimento.
Court Disposition
Conheço, em parte, do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço, em parte, do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS PREENCHIDOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DENTISTA. AGENTES BIOLÓGICOS. 1. Para caracterizar a insalubridade, em razão da sujeição a agentes biológicos, não se exige que o trabalho do profissional de saúde se dê em ambiente isolado, em contato exclusivo com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas. É suficiente o labor em ambiente hospitalar, em contato direto com pacientes doentes, entre eles os portadores de moléstias infecto-contagiantes. Isso porque o risco de contágio é iminente e pode se dar mediante um único contato do profissional com o paciente portador de tais enfermidades ou com o material contaminado, restando configurada a especialidade objeto da norma previdenciária. 2. Embora o segurado contribuinte individual que exerce atividade nociva figure como o único responsável pelo resguardo de sua integridade física, recaindo sobre ele o ônus de se preservar dos efeitos deletérios do trabalho, mediante efetivo emprego de EPIs, em se tratando de agentes biológicos, concluiu-se, no julgamento do Tema nº 15 deste Regional, ser dispensável a produção de prova sobre a eficácia do EPI, pois, segundo o item 3.1.5 do Manual da Aposentadoria Especial editado pelo INSS e aprovado pela Resolução nº 600/17, como não há constatação de eficácia de EPI na atenuação desse agente, deve-se reconhecer o período como especial mesmo que conste tal informação. 3. O termo inicial dos efeitos financeiros da concessão do benefícios é a data do requerimento administrativo (fl. 712). Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 727-731). No recurso especial, o recorrente aponta negativa de vigência ao art. 1.022, II, do CPC/2015, ao fundamento de que: .. não foi apreciada a tese levantada pela autarquia previdenciária acerca da impossibilidade do reconhecimento como especial da atividade exercida pelo contribuinte individual não cooperado após 29/04/1995, em razão da ausência de fonte de custeio, falta de habitualidade e permanência, impossibilidade de analisar ou não a eficácia do EPI e da unilateralidade e parcialidade da prova (fls. 736-737). Alega, ainda, violação aos arts. 22, II, da Lei 8.212/91, 11, V, h, 14, I, parágrafo único, 57, §§ 3º, 4º, 5º, 6º e 7º, e 58, caput, §§ 1º e 2º, da Lei 8.213/91, pois: .. se o contribuinte individual trabalha por conta própria, exerce suas atividades por sua conta e risco, não pode valer-se disso para beneficiar-se de uma situação a que dá causa ou que pode evitar, por exemplo, com a eliminação da nocividade com a utilização de EPI eficaz. Não há qualquer relação de subordinação, não há sujeição a uma jornada de trabalho fixada pelo empregador, não preenchendo, portanto, os requisitos da habitualidade e permanência de submissão a agentes nocivos, assim, não há como se adotar critérios diferenciados para a concessão de benefício para essa categoria (fl. 738). Requer, ao final, o provimento do recurso. O recurso especial foi admitido pelo Tribunal de origem (fls. 779-780). É o relatório. Passo a decidir. Quanto à apontada violação ao art. 1.022, I e II, do CPC/2015, o acórdão recorrido não incorreu em qualquer vício, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente. No que diz respeito ao mérito, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, firmada no sentido da possibilidade do "reconhecimento da especialidade de atividade exercida pelo segurado contribuinte individual, bem como da concessão de aposentadoria especial" (AgInt no AREsp n. 1.697.600/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 26/4/2021, DJe de 29/4/2021). Nesse contexto , o Tribunal de origem, com base nos elementos probatórios dos autos, concluiu que: Exame do tempo especial no caso concreto A questão pertinente à análise da nocividade das condições ambientais do trabalho prestado pela parte autora foi percucientemente examinada pelo juiz a quo na sentença, razão pela qual, a fim de evitar tautologia, reproduzo os seus fundamentos, os quais adoto como razões de decidir (evento 77, SENT1): .. Conclusão: De acordo com laudo apresentado, as atividades do autor em consultório foi realizada com riscos biológicos. A extemporaneidade do laudo não prejudica a parte autora. Há especialidade, nas competências com recolhimento regular de contribuições previdenciárias: 01/09/1993 a 31/10/1993, 01/12/1993 a 31/05/1994, 01/07/1994 a 30/11/1994, 01/01/1995 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 30/11/1999, 01/12/1999 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 30/11/2007, 01/02/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/05/2009 e de 01/07/2009 a 04/04/2016 (ev. 4, doc1). Apenas uma ressalva: o período está abrangido por outro vínculo de atividade considerada especial, sendo vedada a contagem em duplicidade. Acolhe-se parcialmente o pedido (fls. 703-704). Desse modo, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, acerca da configuração da atividade especial, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: "É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"" (AgInt no AREsp n. 1.964.284/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 5/12/2023). Isso posto, conheço, em parte, do recurso especial e, nesta extensão, nego-lhe provimento. Intimem-se. EMENTA